Quem joga no Steam Deck ou numa distribuição Linux qualquer já bateu nesta parede: um jogo recusa-se a abrir, o Proton oficial da Valve trava no ecrã de carregamento e a solução que aparece em todos os fóruns é “instala o Proton-GE”. O problema é que fazer isso à mão significa descarregar um ficheiro comprimido, descobrir a pasta certa dentro de compatibilitytools.d e torcer para não ter enganado o caminho. O ProtonUp-Qt resolve essa fricção toda com uma interface gráfica simples. Neste tutorial mostramos como instalar e usar a ferramenta em 12 passos, com todos os comandos, os erros mais comuns e uma configuração completa pronta a copiar.
O projeto, mantido por DavidoTek no GitHub, está atualmente na versão ProtonUp-Qt 2.15.1, lançada a 24 de junho de 2026, e o repositório soma cerca de 2 mil estrelas (consultado a 5 de outubro de 2026). É uma ferramenta pequena e focada: instala e gere builds alternativos do Proton e do Wine, como o GE-Proton, o Luxtorpeda e o Wine-GE, para o Steam e para o Lutris. Vamos usar como exemplo a versão mais recente do GE-Proton, a GE-Proton11-7, publicada a 16 de setembro de 2026 pelo criador GloriousEggroll.
Vale a pena perceber porque é que esta ferramenta se tornou quase obrigatória para quem joga a sério no Steam Deck ou em qualquer distribuição Linux. O Steam Play já consegue correr uma fatia enorme da biblioteca Windows sem qualquer configuração adicional, mas há sempre uma lista de jogos problemáticos: títulos novos lançados sem suporte declarado para Linux, launchers que fazem verificações agressivas do sistema operativo, ou efeitos gráficos que dependem de extensões específicas do Direct3D. Nesses casos, o GE-Proton costuma trazer correções que ainda não chegaram ao Proton oficial da Valve, precisamente porque é mantido por um só programador independente com ciclos de lançamento mais rápidos e focados em pedidos concretos da comunidade.
O que é o ProtonUp-Qt e para que serve
O Proton é a camada de compatibilidade que a Valve usa no Steam Play para correr jogos feitos para Windows dentro do Linux (incluindo o SteamOS do Steam Deck). Funciona bem na maioria dos casos, mas há sempre jogos que falham: um anti-cheat que não reconhece o ambiente, um lançador que não arranca, um efeito gráfico que rebenta. A comunidade resolve muitos destes casos com builds alternativos do Proton, sendo o mais conhecido o GE-Proton, mantido por GloriousEggroll fora da Valve.
O ProtonUp-Qt não é o Proton em si. É a interface que trata da parte chata: descarrega a versão certa, extrai o ficheiro, coloca-o na pasta correta consoante a tua instalação do Steam (nativa, Flatpak, ou outra) e mantém tudo organizado para atualizares ou removeres versões sem mexer em terminais. Também gere o Wine-GE para quem usa o Lutris, outro gestor de jogos popular no Linux.
Vale sublinhar uma coisa antes de avançarmos: a pesquisa feita para este artigo não encontrou qualquer comunicado oficial da Valve sobre o ProtonUp-Qt em 2025 ou 2026. É um projeto independente da comunidade, não um produto da Valve, e deve ser tratado como tal em termos de confiança e suporte.
Porque talvez precises do GE-Proton em vez do Proton oficial
Antes de instalares seja o que for, vale perceber em que situações concretas o GE-Proton costuma fazer diferença. Os relatos mais comuns da comunidade dividem-se em três grupos. O primeiro é o de jogos recém-lançados que ainda não receberam uma classificação de compatibilidade clara no Steam Play, onde o Proton oficial trava logo no arranque ou nunca chega ao menu principal. O segundo é o de launchers externos (Battle.net, EA App, Epic Games Launcher embutido) que fazem verificações do sistema e recusam continuar sob determinadas condições, algo que builds comunitárias costumam contornar mais depressa do que o ramo oficial. O terceiro grupo junta jogos mais antigos, por vezes de há uma década, que dependem de componentes do DirectX 9 ou do DirectDraw que foram ficando cada vez menos testados nas versões mais recentes do Proton estável.
Antes de assumires que precisas de trocar de Proton, vale a pena confirmar o estado do teu jogo no ProtonDB, o site independente onde jogadores classificam a experiência de cada título no Linux. Procura o nome do jogo, confirma se há relatos recentes de outros jogadores a usarem GE-Proton especificamente (em vez do Proton padrão), e repara se mencionam alguma versão em concreto. Esta verificação de dois minutos poupa-te a instalar e testar várias versões às cegas.
Pré-requisitos antes de começar
Antes de instalar seja o que for, confirma que tens o seguinte à mão. Nenhum destes requisitos é negociável, e saltar um deles é a causa mais comum de instalações que não funcionam à primeira.
- Steam Deck em SteamOS 3.x (o ramo estável atual é a 3.8, base Arch Linux, kernel 6.16) ou um PC com Ubuntu, Fedora ou Arch Linux com o ambiente de desktop a correr
- Steam instalado (nativo, via Flatpak ou via Snap, conforme a distribuição)
- Acesso ao Modo Desktop no Steam Deck (sem ele não chegas ao Discover nem ao terminal)
- Ligação à internet estável, porque o GE-Proton mais recente ocupa várias centenas de megabytes
- Pelo menos 2 GB de espaço livre por cada versão de Proton que instalares (cada build do GE-Proton ronda entre 500 MB e 1 GB descomprimido)
- Conta de utilizador normal, sem necessidade de root para o uso diário da ferramenta
- Cerca de 30 a 40 minutos para completar este tutorial com calma, incluindo testes
Se jogas sobretudo títulos com anti-cheat agressivo (Valorant, Fortnite, alguns jogos da Activision), sabe desde já que trocar de Proton não contorna bloqueios de anti-cheat por si só. Isso depende de o próprio jogo ter suporte declarado para Linux através do Steam Play, algo que convém confirmar no ProtonDB antes de perder tempo a testar builds.
Passo 1: Entrar no Modo Desktop no Steam Deck
Se estiveres num PC com Linux normal, salta para o Passo 3. No Steam Deck, prime o botão Steam, escolhe Energia e depois Mudar para o modo área de trabalho. O sistema vai carregar o ambiente KDE Plasma, que é o que usaremos para instalar o ProtonUp-Qt.
Esta troca demora uns 15 a 20 segundos. Se o Deck estiver a meio de uma atualização de sistema, espera que termine antes de continuar, caso contrário o Discover pode não carregar as fontes de pacotes corretamente.
Passo 2: Confirmar a versão do SteamOS
Abre as Definições do Sistema e verifica se estás na versão 3.8.x do SteamOS. Atualizações de sistema por vezes mudam a estrutura de pastas ou fazem ferramentas de terceiros desaparecerem temporariamente do menu, por isso mantém o sistema atualizado antes de instalar qualquer ferramenta nova.
cat /etc/os-release | grep BUILD_ID
Este comando, executado no Konsole (terminal do KDE), devolve o identificador exato da build do SteamOS que tens instalada. Guarda esse valor: se algo correr mal mais à frente, é a primeira informação que vais querer ter à mão para pesquisar o problema.
Passo 3: Instalar o ProtonUp-Qt via Discover (Steam Deck)
No Modo Desktop, abre o Discover (o ícone de saco de compras na barra de tarefas). Na caixa de pesquisa, escreve “ProtonUp-Qt”. Vai aparecer o pacote publicado como Flatpak. Clica em Instalar e espera que o download termine, normalmente menos de um minuto numa ligação doméstica normal.
Se o pacote não aparecer no Discover (acontece ocasionalmente depois de atualizações do sistema que ainda não sincronizaram os índices do Flathub), usa o terminal:
flatpak remote-add --if-not-exists flathub https://flathub.org/repo/flathub.flatpakrepo
flatpak install flathub net.davidotek.pupgui2
O identificador net.davidotek.pupgui2 é o nome técnico do pacote Flatpak do ProtonUp-Qt. Confirma sempre este identificador na página oficial no Flathub antes de automatizares scripts de instalação, porque nomes de pacotes mudam de vez em quando entre projetos.
Passo 4: Instalar em Ubuntu, Fedora e Arch Linux
Fora do Steam Deck, o método mais simples continua a ser o Flatpak, porque funciona de forma idêntica em qualquer distribuição:
# Ubuntu, Fedora, Arch (com Flatpak já configurado)
flatpak install flathub net.davidotek.pupgui2
flatpak run net.davidotek.pupgui2
Se preferires não usar Flatpak, há também o AppImage, descarregado diretamente da página de releases do projeto no GitHub:
chmod +x ProtonUp-Qt-*.AppImage
./ProtonUp-Qt-*.AppImage
Se o gestor de ficheiros bloquear a execução, abre as propriedades do ficheiro, marca a opção para permitir execução como programa, e tenta de novo. Para quem prefere instalar via Python e pip, existe também essa via, embora seja a mais trabalhosa das três e menos recomendada para uso do dia a dia:
python3 -m venv ~/.venvs/protonup-qt
source ~/.venvs/protonup-qt/bin/activate
python -m pip install --upgrade pip
python -m pip install protonup-qt
protonup-qt
Um conselho prático: não misturar instalações. Se instalares via Flatpak e depois também via pip, vais acabar com duas cópias do ProtonUp-Qt, cada uma a gerir pastas diferentes, e isso é uma fonte garantida de confusão quando um jogo não encontra a versão que achavas ter instalado.
Passo 5: Primeira abertura e deteção do Steam
Abre o ProtonUp-Qt pelo menu de aplicações ou pelo Discover. Na primeira execução, a aplicação tenta detetar automaticamente onde o Steam está instalado (nativo, Flatpak ou Snap) e também se há uma instalação do Lutris no sistema. No topo da janela principal, confirma que o destino selecionado é Steam, já que é possível trocar para Lutris se também o usares.
Se o Steam estiver instalado numa localização pouco comum, ou se tiveres mais do que uma instalação em simultâneo (por exemplo, uma nativa e outra Flatpak), vale a pena confirmar manualmente qual delas o ProtonUp-Qt escolheu, porque é precisamente aqui que nascem a maioria dos problemas de “instalei mas não aparece”.
Passo 6: Instalar o GE-Proton mais recente
Com o Steam selecionado como destino, clica em Adicionar versão. Vai aparecer uma lista de ferramentas de compatibilidade disponíveis: escolhe GE-Proton e seleciona a versão mais recente, que no momento desta pesquisa (5 de outubro de 2026) é a GE-Proton11-7, lançada a 16 de setembro de 2026. Confirma a instalação e aguarda o download.
Dependendo da tua ligação, o download e a extração demoram entre 1 e 5 minutos, já que cada build ronda os 500 MB a 1 GB. Terminado o processo, fecha completamente o Steam (não basta minimizar) e volta a abri-lo para a nova versão aparecer na lista de ferramentas de compatibilidade.
Passo 7: Selecionar o GE-Proton num jogo específico
No Steam, entra na tua Biblioteca, clica com o botão direito no jogo problemático e escolhe Propriedades. Abre o separador Compatibilidade e marca a opção Forçar o uso de uma ferramenta específica de compatibilidade do Steam Play. No menu que aparece, seleciona GE-Proton11-7 (ou a versão que instalaste) e fecha a janela.
Esta escolha é feita jogo a jogo. Trocar a ferramenta de um título não altera a configuração de nenhum outro na tua biblioteca, o que é útil porque nem todos os jogos se dão bem com a mesma versão de Proton.
Passo 8: Configurar o Wine-GE para o Lutris (opcional)
Quem usa o Lutris para gerir jogos de outras lojas (GOG, Epic, Battle.net) pode usar o mesmo ProtonUp-Qt para gerir o Wine-GE, o equivalente ao GE-Proton mas pensado para esse ambiente. No topo da janela, muda o destino de Steam para Lutris, clica em Adicionar versão e escolhe o Wine-GE mais recente disponível na lista.
Depois de instalado, abre o Lutris, entra na configuração do jogo que queres ajustar, no separador Runner options, e seleciona a versão de Wine-GE que acabaste de instalar. Tal como no Steam, esta configuração é feita por jogo.
Passo 9: Remover versões antigas
Com o tempo, acumulas várias versões de GE-Proton na pasta de ferramentas de compatibilidade, e cada uma ocupa o seu espaço. No ProtonUp-Qt, a lista principal mostra todas as versões instaladas com um botão para remover as que já não usas. Antes de apagares uma versão, confirma no Steam que nenhum jogo depende especificamente dela, porque remover a ferramenta ativa de um jogo obriga-te a escolher outra antes de o voltares a abrir.
Uma prática recomendável é manter sempre pelo menos duas versões: a mais recente para testares, e a anterior como opção de recuo caso uma atualização do GE-Proton estrague algo que estava a funcionar.
Passo 10: Verificar onde ficaram os ficheiros
Se quiseres confirmar manualmente que a instalação ficou no sítio certo, os caminhos mais comuns são estes, consoante a tua instalação do Steam:
# Steam nativo
~/.steam/steam/compatibilitytools.d/
# Steam instalado via pacote da distribuição
~/.local/share/Steam/compatibilitytools.d/
# Steam instalado via Flatpak
~/.var/app/com.valvesoftware.Steam/data/Steam/compatibilitytools.d/
Este último caminho é o mais relevante para quem instalou o próprio Steam como Flatpak, um cenário cada vez mais comum em distribuições como o Fedora Silverblue ou o Bazzite. O ProtonUp-Qt precisa de instalar a ferramenta no ambiente correspondente à tua instalação real do Steam, por isso, se tiveres dúvidas sobre qual delas usas, confirma com:
ls -ld ~/.steam/steam/compatibilitytools.d
ls -ld ~/.var/app/com.valvesoftware.Steam/data/Steam/compatibilitytools.d
Se um dos comandos devolver “No such file or directory”, essa não é a tua instalação ativa do Steam.
Passo 11: Testar o jogo e confirmar o runner ativo
Abre o jogo pela biblioteca do Steam. No ecrã de carregamento inicial, costuma aparecer brevemente uma indicação do runner Proton em uso, dependendo do jogo. Se o jogo abrir normalmente, o trabalho está feito. Se não abrir, volta às Propriedades do jogo e confirma que a versão selecionada no separador Compatibilidade é mesmo a que instalaste, porque é fácil a configuração voltar ao Proton padrão depois de uma atualização do Steam.
Para confirmares no terminal qual o Proton realmente em uso num processo ativo, podes correr:
ps aux | grep -i proton
Este comando lista os processos relacionados com o Proton, incluindo o caminho completo para a versão que está realmente a correr o jogo naquele momento.
Passo 12: Manter o GE-Proton atualizado
O GE-Proton recebe atualizações com alguma regularidade. A versão 11-7, lançada a 16 de setembro de 2026, trouxe melhorias no Wine Wayland e correções específicas para lançadores e para jogos como Forza Horizon 5, Black Desert Online e Final Fantasy XIV. Vale a pena voltar ao ProtonUp-Qt de vez em quando, verificar se há uma versão mais recente, e instalá-la sem apagar a anterior até confirmares que o teu jogo continua a funcionar bem com a nova.
Este ciclo de testar antes de remover é a diferença entre uma tarde produtiva e uma tarde a tentar perceber porque é que um jogo que funcionava ontem deixou de abrir hoje.
Comparação: ProtonUp-Qt vs Steam Tinker Launch vs cópia manual
Nem todas as ferramentas de gestão de compatibilidade resolvem o mesmo problema, e escolher a errada para a tua situação só vai complicar um processo que devia ser simples. A tabela seguinte resume as diferenças práticas entre as três abordagens mais comuns na comunidade Linux de jogos, para ajudar a decidires qual se encaixa melhor no teu caso antes de avançares.
| Ferramenta | Função principal | Vantagem | Limitação |
|---|---|---|---|
| ProtonUp-Qt | Instala e gere versões de compatibilidade | Interface gráfica, instalação simplificada em poucos cliques | Depende de deteção correta da instalação do Steam |
| Steam Tinker Launch | Ambiente de configuração avançada por jogo | Permite wrappers, scripts e ajustes finos de lançamento | Mais complexo, não é apenas um instalador de GE-Proton |
| Cópia manual | Copiar a pasta do Proton-GE para o diretório certo | Controlo total, sem ferramentas adicionais | Fácil errar o caminho ou perder a manutenção de atualizações |
O ProtonUp-Qt não substitui o Steam Tinker Launch. O primeiro foca-se em instalar e organizar versões, enquanto o segundo funciona como uma camada de configuração e lançamento por jogo, com scripts e variáveis de ambiente. Para a maioria das pessoas que só querem experimentar o GE-Proton sem complicações, o ProtonUp-Qt é suficiente, e podes sempre acrescentar o Steam Tinker Launch mais tarde se precisares de ajustes mais finos.
Versões do GE-Proton e do ProtonUp-Qt em 2026
Para referência rápida, aqui ficam as versões relevantes confirmadas em pesquisa feita a 5 de outubro de 2026, para quem quer confirmar se está atualizado:
| Projeto | Versão atual | Data de lançamento |
|---|---|---|
| ProtonUp-Qt | 2.15.1 | 24 de junho de 2026 |
| GE-Proton | GE-Proton11-7 | 16 de setembro de 2026 |
| SteamOS (ramo estável) | 3.8 | Kernel 6.16, base Arch Linux |
Confirma sempre a versão mais recente diretamente na página de releases do GitHub antes de seguires este tutorial ao pé da letra, porque tanto o ProtonUp-Qt como o GE-Proton recebem atualizações frequentes e os números aqui indicados ficam desatualizados com o tempo.
Olhando para o histórico de lançamentos do GE-Proton ao longo de 2026, o ritmo tem sido de uma nova versão a cada quatro a seis semanas, com correções pontuais dedicadas a jogos específicos entre lançamentos maiores. Isto significa que vale a pena voltar ao ProtonUp-Qt regularmente, em vez de assumir que a versão instalada no dia em que resolveste um problema continua a ser a melhor escolha meses depois. Jogos que recebem atualizações frequentes do lado do fabricante (patches, DLC, mudanças ao motor gráfico) são os que mais beneficiam de acompanhares de perto os lançamentos do GE-Proton.
5 erros comuns ao instalar e usar o ProtonUp-Qt
Estes são os problemas que mais aparecem relatados pela comunidade, e todos têm solução simples quando se sabe a causa.
- Instalar a versão para o destino errado. É fácil escolher “Lutris” quando querias “Steam”, ou vice-versa, sobretudo se usas as duas plataformas no mesmo sistema. A versão fica instalada, mas não aparece onde esperavas, e o sintoma confunde quem não sabe que o ProtonUp-Qt trata Steam e Lutris como dois destinos completamente separados.
- Não fechar o Steam completamente. Minimizar a janela não basta. O cliente Steam só relê a lista de ferramentas de compatibilidade quando é encerrado por completo e reaberto do zero, algo que no Steam Deck é fácil esquecer porque o botão Steam parece fechar a aplicação mas muitas vezes só a coloca em segundo plano.
- Correr a aplicação com sudo. Executar o ProtonUp-Qt como root pode criar ficheiros pertencentes ao utilizador root dentro da pasta de ferramentas de compatibilidade, o que impede atualizações futuras pelo teu utilizador normal e obriga a corrigir permissões manualmente mais tarde, um problema fácil de evitar e chato de resolver.
- Misturar instalações Flatpak e pip. Cada método usa configurações e, por vezes, diretórios diferentes para guardar as versões instaladas. Ter as duas em simultâneo no mesmo sistema é receita garantida para confusão quando tentas perceber porque é que uma versão “desapareceu”.
- Esquecer que o Steam também pode estar instalado como Flatpak. Se o Steam for Flatpak (cada vez mais comum em distribuições como o Bazzite ou o Fedora Silverblue), a pasta de ferramentas de compatibilidade fica num caminho sandboxed diferente do habitual, e o ProtonUp-Qt precisa de apontar exatamente para esse caminho, não para a pasta usada por uma instalação nativa do Steam.
Resolução de problemas: 8 situações comuns e como resolver
Mesmo seguindo os passos com cuidado, é normal apanhares algum destes problemas. Aqui fica como diagnosticar e corrigir cada um.
- A ferramenta não aparece no Steam depois de instalada: fecha o Steam por completo (confirma no gestor de processos que não ficou nenhum processo
steampendurado), confirma no ProtonUp-Qt que o destino usado foi “Steam” e não “Lutris”, e só depois reabre o cliente. - Erro de permissão ao instalar uma versão: verifica a propriedade da pasta com
ls -ld ~/.steam/steam/compatibilitytools.de corrige comsudo chown -R "$USER":"$USER" ~/.steam/steam/compatibilitytools.d, aplicando o comando só a essa pasta específica e nunca à pasta pessoal inteira. - GE-Proton aparece instalado mas não é selecionável nas Propriedades do jogo: confirma se a pasta não ficou aninhada duas vezes (algo como
compatibilitytools.d/GE-Proton11-7/GE-Proton11-7/), um sintoma comum quando a extração automática falha a meio. Remove a versão pelo ProtonUp-Qt e instala de novo em vez de tentares corrigir a estrutura de pastas manualmente. - Download falha a meio: normalmente é instabilidade de rede, sobretudo em ligações Wi-Fi do Steam Deck longe do router. Remove a versão parcialmente instalada antes de tentares de novo, para evitar ficheiros corrompidos misturados com os novos, e confirma que tens espaço em disco suficiente antes de repetires o download.
- A aplicação instalada via pip não abre: ativa o ambiente virtual com
source ~/.venvs/protonup-qt/bin/activatee confirma a instalação compython -m pip show protonup-qtewhich protonup-qt. Se nenhum dos dois comandos devolver resultado, a instalação falhou silenciosamente e vale mais mudar para o método Flatpak. - O Steam Flatpak não vê a versão instalada: confirma se o ProtonUp-Qt instalou no caminho
~/.var/app/com.valvesoftware.Steam/data/Steam/compatibilitytools.d/, que é o usado por essa instalação específica do Steam, e não no caminho de uma instalação nativa que porventura também exista no mesmo sistema. - Jogo continua a travar mesmo depois de trocar de Proton: confirma no ProtonDB se o jogo tem relatos de funcionar com GE-Proton especificamente, porque nem todos os problemas são resolvidos por uma troca de runner. Alguns jogos precisam também de dependências adicionais, como componentes do Visual C++ ou do DirectX, instaladas através do próprio Proton ou de ferramentas complementares.
- Duas versões diferentes do ProtonUp-Qt no mesmo sistema: escolhe um único método de instalação (Flatpak costuma ser o mais simples de manter a longo prazo) e remove as instalações pip ou AppImage redundantes para evitares configurações divergentes entre versões que, tecnicamente, deveriam ser a mesma aplicação.
Configuração completa de exemplo
Para quem quer seguir o processo do início ao fim sem parar a ler em cada passo, aqui fica a sequência completa de comandos para uma instalação via Flatpak num PC Linux fora do Steam Deck (no Steam Deck, troca os dois primeiros comandos pela instalação via Discover descrita no Passo 3):
# 1. Garantir que o Flathub está configurado
flatpak remote-add --if-not-exists flathub https://flathub.org/repo/flathub.flatpakrepo
# 2. Instalar o ProtonUp-Qt
flatpak install flathub net.davidotek.pupgui2
# 3. Abrir a aplicação
flatpak run net.davidotek.pupgui2
# 4. Confirmar onde ficou instalado o GE-Proton (depois de usares a interface gráfica)
ls ~/.steam/steam/compatibilitytools.d/
# 5. Confirmar o processo em execução depois de abrires um jogo
ps aux | grep -i proton
Depois destes cinco comandos, a parte de selecionar a versão GE-Proton11-7 no separador Compatibilidade de cada jogo faz-se pela interface do Steam, como descrito no Passo 7.
O que esperar: exemplos de resultado em cada etapa
Uma dúvida comum de quem segue este tipo de tutorial pela primeira vez é não saber se um comando correu bem ou mal, porque o terminal não costuma explicar isso em português nem de forma óbvia. Aqui ficam exemplos reais do que deves ver em cada etapa, para comparares com o que aparece no teu ecrã.
Depois de correres o comando de instalação via Flatpak, uma instalação bem-sucedida termina com uma linha semelhante a esta:
$ flatpak install flathub net.davidotek.pupgui2
Looking for matches…
Found ref 'app/net.davidotek.pupgui2/x86_64/stable' in remote 'flathub'
Installing...
net.davidotek.pupgui2/x86_64/stable 100% |-------------------------|
Installation complete.
Se em vez disso vires uma mensagem com “error” ou “failed to install”, o problema está quase sempre relacionado com a configuração do Flathub como fonte, e vale a pena repetir o comando flatpak remote-add do Passo 3 antes de tentares de novo.
Depois de confirmares que um jogo está realmente a correr com o GE-Proton (Passo 11), o resultado do comando ps aux | grep -i proton deve mostrar uma linha com o caminho completo para a versão instalada, parecida com esta:
deck 48213 2.1 1.4 /home/deck/.steam/steam/compatibilitytools.d/GE-Proton11-7/files/bin/wine64 ...
Se o caminho mostrado apontar para Proton - Experimental ou para uma pasta sem o nome “GE-Proton”, a escolha feita nas Propriedades do jogo não ficou guardada, e vale voltar ao Passo 7 para confirmar a seleção.
Dicas avançadas para quem já domina o básico
Depois de dominares a instalação básica, há alguns ajustes que valem a pena conhecer e que normalmente só se aprendem com tentativa e erro ao longo de vários meses de uso. Primeiro, mantém sempre pelo menos duas versões de GE-Proton instaladas: a mais recente e a imediatamente anterior, para teres uma opção de recuo rápida se uma atualização quebrar algo que funcionava. Este hábito simples poupa horas de diagnóstico sempre que uma atualização introduz uma regressão inesperada num jogo que até aí corria sem problemas.
Segundo, se jogas vários títulos com necessidades diferentes, não assumas que a versão mais recente do GE-Proton é sempre a melhor escolha para todos eles. Alguns jogos mais antigos funcionam melhor com builds específicas que resolveram um problema concreto numa versão anterior e que podem ter introduzido regressões nas versões seguintes. Vale a pena testar e documentar, por jogo, qual a versão que funciona melhor.
Terceiro, para quem gere uma biblioteca grande em vários dispositivos (por exemplo, um Steam Deck e um PC de secretária), confirma em cada máquina separadamente qual a versão instalada, porque o ProtonUp-Qt não sincroniza entre dispositivos. Cada instalação é independente.
Por fim, nunca instales o ProtonUp-Qt, o GE-Proton ou qualquer outra ferramenta de compatibilidade a partir de sítios que não sejam o repositório oficial no GitHub ou o Flathub verificado. Há repositórios imitadores com nomes semelhantes, e uma ferramenta deste tipo corre com as permissões do teu utilizador normal, o que significa acesso de leitura e escrita a grande parte dos teus ficheiros pessoais.
Gerir prefixos e evitar perda de progresso em jogos
Cada jogo que corres através do Proton (seja a versão oficial ou o GE-Proton) usa aquilo a que se chama um prefixo, uma espécie de pasta isolada que simula um sistema Windows mínimo só para esse jogo. Trocar de versão de Proton não apaga o prefixo existente, mas em casos raros uma versão muito diferente pode ter dificuldade em ler configurações gravadas por uma versão muito mais antiga. Antes de experimentares uma troca de runner num jogo com muitas horas de progresso guardado localmente (em vez de na cloud), vale a pena copiar a pasta de saves para um local seguro.
Os prefixos de jogos Steam ficam normalmente dentro da pasta do próprio jogo, em steamapps/compatdata/ID_DO_JOGO/pfx. Para a generalidade dos jogos modernos com sincronização na cloud da Steam, isto não é motivo de preocupação, mas para títulos mais antigos ou sem suporte de cloud saves, uma cópia de segurança rápida evita sustos.
Segurança: o que considerar antes de instalar ferramentas de terceiros
O GE-Proton e o ProtonUp-Qt são software de terceiros, mantidos pela comunidade e não pela Valve. Isso não os torna inseguros por definição, mas implica algum cuidado básico antes de instalar qualquer coisa que corra com os teus privilégios de utilizador.
- Descarrega o ProtonUp-Qt apenas do repositório oficial de DavidoTek no GitHub ou do Flathub verificado, nunca de sítios de terceiros com nomes parecidos que apareçam nos primeiros resultados de uma pesquisa genérica
- Descarrega o GE-Proton apenas do repositório oficial de GloriousEggroll, confirmando sempre o nome exato do mantenedor antes de clicares em qualquer botão de download
- Evita correr o instalador ou a aplicação inteira com
sudo, porque isso pode criar ficheiros pertencentes ao root que depois impedem atualizações normais pelo teu utilizador do dia a dia - Mantém cópias de segurança de jogos e configurações importantes antes de trocares a camada de compatibilidade de um título que já funciona bem, sobretudo se o progresso não estiver sincronizado na cloud
- Para jogos com sistemas de anti-cheat, confirma a política oficial do jogo antes de assumires que uma troca de Proton resolve algo relacionado com deteção, porque alguns sistemas de anti-cheat simplesmente não suportam Linux independentemente da camada de compatibilidade usada
- Revê periodicamente as permissões do Flatpak se o ProtonUp-Qt não conseguir aceder a uma biblioteca Steam instalada num disco externo ou numa pasta fora do caminho padrão
Perguntas frequentes
O ProtonUp-Qt é oficial da Valve?
Não. É um projeto independente da comunidade, mantido por DavidoTek no GitHub. A pesquisa feita para este artigo não encontrou qualquer comunicado oficial da Valve a adotar ou a suportar a ferramenta, nem a bloquear ou desaconselhar o seu uso. A Valve simplesmente não se pronuncia sobre ferramentas de terceiros deste tipo, deixando o ecossistema de compatibilidade alternativa inteiramente nas mãos da comunidade.
Preciso de desinstalar o Proton normal da Valve para usar o GE-Proton?
Não. O Proton oficial da Valve instala-se ao lado do GE-Proton e das versões Experimental, e escolhes qual usar jogo a jogo, no separador Compatibilidade das Propriedades de cada título.
Funciona em qualquer jogo da minha biblioteca Steam?
Em termos técnicos sim, podes aplicar o GE-Proton a qualquer jogo. Mas trocar de runner não garante que um jogo passe a funcionar, especialmente se o problema for um sistema de anti-cheat que não reconhece ambientes Linux.
Preciso de reiniciar o Steam Deck inteiro depois de instalar uma versão nova?
Normalmente não. Basta fechar o Steam por completo e reabri-lo. Reiniciar o dispositivo todo só costuma ser necessário se o Steam não reconhecer a versão nova mesmo depois de reaberto.
Posso usar o ProtonUp-Qt e o Steam Tinker Launch ao mesmo tempo?
Sim, não são ferramentas concorrentes. O ProtonUp-Qt trata da instalação e gestão de versões, enquanto o Steam Tinker Launch oferece configuração avançada de lançamento por jogo. Muitos utilizadores usam as duas.
O que acontece se eu remover uma versão de GE-Proton que um jogo está a usar?
O jogo deixa de abrir até escolheres outra ferramenta de compatibilidade nas Propriedades. Não há perda de dados do jogo, apenas é necessário voltar a selecionar uma versão válida antes de o abrires de novo.
É seguro instalar várias versões de GE-Proton ao mesmo tempo?
Sim, é inclusive recomendável manter pelo menos duas versões instaladas (a mais recente e a anterior), desde que tenhas espaço em disco disponível, já que cada build ocupa entre 500 MB e 1 GB.
Qual é a diferença entre GE-Proton e Proton Experimental?
O Proton Experimental é mantido pela própria Valve e recebe correções antes do ramo estável oficial, funcionando como uma espécie de versão beta interna. O GE-Proton é mantido pela comunidade, fora da Valve, e costuma incluir correções e patches adicionais para jogos específicos que ainda não chegaram a nenhuma das versões oficiais, muitas vezes resultado de pedidos diretos de jogadores num jogo que ninguém mais está a corrigir. Na prática, vale a pena experimentar os dois quando um jogo falha: às vezes o Proton Experimental resolve, outras vezes só o GE-Proton consegue.
Posso usar o ProtonUp-Qt num computador Windows?
Não faz sentido. O ProtonUp-Qt gere camadas de compatibilidade que traduzem chamadas do Windows para o Linux. Num sistema Windows nativo não há essa necessidade, porque os jogos já correm diretamente sem qualquer camada de tradução.




