Duas aplicações dominam as pesquisas em Portugal quando o tema é autenticação de dois fatores: a Google Authenticator e a Microsoft Authenticator. Juntas somam mais de 8.000 pesquisas mensais só em território português, segundo dados da DataForSEO, um sinal de como a verificação em dois passos deixou de ser opcional na maior parte dos serviços online. Esta comparação faz parte da nossa cobertura contínua de cibersegurança, e cruza especificações técnicas, preços e as normas de segurança mais recentes para ajudar a escolher a app certa em 2026.

Apesar do nome parecido e da função central ser a mesma, gerar códigos temporários para confirmar a identidade do utilizador, as duas ferramentas seguem filosofias diferentes. A Google Authenticator mantém-se fiel à ideia original: uma app simples que gera códigos e pouco mais. A Microsoft Authenticator cresceu para um gestor de identidade completo, com biometria, início de sessão sem palavra-passe e ligação profunda ao ecossistema empresarial do Microsoft Entra ID.

Este artigo compara as duas aplicações em detalhe: especificações técnicas, preços (incluindo os custos empresariais que raramente aparecem noutras comparações), segurança à luz das normas do NIST, um guia de migração e cenários reais de uso. No final, apresentamos um veredito claro com base nos dados recolhidos.

Ambas cumprem a função básica de segundo fator sem custo. Mas a decisão entre as duas raramente é só sobre qual gera códigos mais depressa. É sobre que ecossistema de conta o utilizador já tem, que nível de controlo uma empresa precisa aplicar, e se a app escolhida chega perto do nível de proteção contra phishing que normas como a do NIST consideram o padrão mais seguro atualmente disponível.

O que é a Google Authenticator

A Google Authenticator nasceu em 2010 como uma implementação simples do protocolo TOTP (Time-based One-Time Password), o mesmo standard aberto usado por dezenas de outras apps de autenticação. Durante mais de uma década funcionou sem exigir sequer uma conta Google: bastava instalar a app, digitalizar um código QR fornecido pelo serviço a proteger, e a app passava a gerar um código de seis dígitos que muda a cada 30 segundos.

Essa filosofia sem conta ainda define a experiência em 2026. Segundo a página de suporte oficial da Google, a Authenticator “pode gerar códigos de verificação únicos para sites e apps que suportam a verificação em 2 passos por app Authenticator”, e o utilizador “pode continuar a gerar códigos sem ligação à Internet ou rede móvel”. O núcleo da aplicação continua a funcionar totalmente offline, o que a torna popular entre quem gere contas sensíveis, como carteiras de criptomoedas ou acessos de administrador, e não quer depender de uma ligação de dados no momento crítico do login.

Em abril de 2023 a Google alterou esta equação ao introduzir a sincronização com a Conta Google, anunciada no blog oficial de segurança da empresa a 24 de abril desse ano. Desde então, os códigos podem ser copiados automaticamente entre dispositivos, encriptados em trânsito e em repouso, sem que o utilizador tenha de exportar manualmente nada. Quem prefere manter tudo local, sem qualquer ligação a uma conta, continua a poder fazê-lo, simplesmente não iniciando sessão na app.

Fora isto, a lista de funcionalidades mantém-se curta por design. Sem gestor de palavras-passe, sem biometria própria da app, sem início de sessão sem password. É uma calculadora de códigos, e assume-se como tal.

A app tornou-se, ao longo dos anos, a recomendação por defeito em incontáveis guias de segurança justamente por esta simplicidade. Não pede nome, não pede email, não mostra publicidade. Isso também significa que a Google nunca posicionou a Authenticator como uma ferramenta de crescimento de produto, ao contrário da Microsoft, que usa a sua app para reforçar a adoção de Contas Microsoft e do Entra ID em ambiente profissional.

O que é a Microsoft Authenticator

Onde a Google Authenticator escolheu manter-se simples, a Microsoft seguiu o caminho oposto. A Microsoft Authenticator também gera códigos TOTP compatíveis com qualquer serviço que use o standard, mas a empresa transformou a app num pequeno centro de identidade digital.

De acordo com a página de suporte oficial da Microsoft, a aplicação permite três coisas distintas: confirmar a identidade em processos de recuperação de palavra-passe, gerar códigos de autenticação multifator para contas de terceiros, e iniciar sessão sem password através da aprovação por telemóvel, apenas tocando numa notificação push em vez de escrever um código. O acesso à própria app pode ainda ser protegido com impressão digital, reconhecimento facial ou PIN.

Essa amplitude tem um preço em complexidade. Para desbloquear o conjunto completo de funcionalidades, incluindo cópias de segurança na nuvem, é preciso iniciar sessão com uma Conta Microsoft. A app também já teve, durante algum tempo, um gestor de palavras-passe com preenchimento automático embutido, mas a funcionalidade foi descontinuada ao longo de 2025, com a Microsoft a mover essa função para o browser Edge.

A ligação ao ecossistema empresarial é onde a Microsoft Authenticator mais se distingue. A app integra-se de forma nativa com o Microsoft Entra ID (o antigo Azure Active Directory), o que permite às equipas de TI aplicar políticas de acesso condicional, bloquear dispositivos não geridos, ou exigir autenticação reforçada consoante o risco de cada início de sessão. A partir de fevereiro de 2026, a Microsoft está também a introduzir deteção de dispositivos com jailbreak ou root para credenciais Entra profissionais ou escolares, um reforço direto contra telemóveis comprometidos que tentem aceder a contas corporativas.

Essa evolução acompanha uma tendência mais ampla da indústria: reduzir a dependência de palavras-passe tradicionais. Ao integrar recuperação de conta, MFA e login sem password na mesma aplicação, a Microsoft aposta em que o utilizador acabe por preferir o botão de aprovação push ao simples ato de escrever uma password, mesmo quando o serviço em causa continua a aceitar os dois métodos.

Google Authenticator vs Microsoft Authenticator: tabela de especificações

A tabela seguinte resume as diferenças técnicas mais relevantes entre as duas aplicações, com base na documentação oficial de cada fabricante e em testes independentes publicados em 2026.

CaracterísticaGoogle AuthenticatorMicrosoft Authenticator
PreçoGrátisGrátis
Plataformas suportadasiOS, AndroidiOS, Android
App para Wear OS / Apple WatchNãoNão
Conta obrigatóriaNão, funciona sem contaSim, para funcionalidades completas
Funciona offlineSim, geração de códigos 100% localCódigos funcionam offline, mas a aprovação push exige ligação
Cópia de segurança na nuvemSim, via Conta Google (desde abril 2023)Sim, via Conta Microsoft
Encriptação de backupsEm trânsito e em repousoEncriptada (detalhes não publicados)
Biometria para abrir a appNãoSim (digital, facial ou PIN)
Início de sessão sem palavra-passeNãoSim, por notificação push
Gestor de palavras-passeNãoDescontinuado em 2025, movido para o Edge
Número de funções principais1 (códigos TOTP/HOTP)3 (recuperação, MFA, passwordless)
Integração empresarialLimitadaMicrosoft Entra ID, Acesso Condicional, M365
Deteção de dispositivo comprometidoNãoSim, jailbreak/root a partir de fev. 2026
Transferência entre telemóveisCódigo QR ou Conta GoogleCópia de segurança via Conta Microsoft
Standard subjacenteTOTP/HOTP (RFC 6238/4226)TOTP/HOTP (RFC 6238/4226)

A leitura da tabela deixa um padrão claro. A Google Authenticator ganha em simplicidade e independência, funciona sem conta e sem ligação à Internet, sem instalar mais nada. A Microsoft Authenticator ganha em profundidade de funcionalidades, sobretudo para quem já vive dentro do ecossistema Microsoft 365 ou gere equipas com exigências de conformidade.

Como funciona tecnicamente: o formato TOTP por trás das duas apps

Apesar das diferenças de interface, o motor matemático por trás das duas aplicações é idêntico. Ambas implementam o RFC 6238 (TOTP), que deriva um código de seis dígitos a partir de uma chave secreta partilhada e da hora atual, recalculando o valor a cada 30 segundos. Quando um serviço mostra um código QR para ativar o 2FA, está na prática a codificar um URI num formato aberto popularizado pela própria Google:

otpauth://totp/Shattered:[email protected]?secret=JBSWY3DPEHPK3PXP&issuer=Shattered&algorithm=SHA1&digits=6&period=30

Qualquer app compatível com TOTP, seja a Google Authenticator, a Microsoft Authenticator, a Authy ou outra, lê este formato da mesma maneira. É também por isso que um serviço raramente obriga a usar uma app específica: o standard é aberto, e a escolha entre uma app e outra é sobretudo uma questão de funcionalidades à volta do núcleo, não do próprio código gerado.

Compatibilidade e plataformas suportadas

Segundo o teste comparativo da PCMag, publicado em 2026 sob o título “The Best Authenticator Apps We’ve Tested for 2026”, tanto a Google Authenticator como a Microsoft Authenticator estão disponíveis apenas para iOS e Android. Nenhuma das duas oferece uma aplicação dedicada para Wear OS ou Apple Watch, uma lacuna que surpreende dado o tempo que ambas as empresas já têm no mercado de wearables. Quem procura códigos no pulso continua a depender de apps de terceiros.

Nenhuma das duas tem uma aplicação de ambiente de trabalho oficial. A Authy, concorrente direta com 390 pesquisas mensais em Portugal segundo a DataForSEO, chegou a oferecer essa opção mas descontinuou a app de desktop em 2024, deixando o mercado de autenticadores TOTP quase exclusivamente móvel. Para quem trabalha em múltiplos ecrãs e prefere não pegar no telemóvel a cada início de sessão, esta continua a ser uma limitação partilhada pelas duas líderes do setor.

Onde as duas apps divergem é na integração com o browser. A Microsoft Authenticator liga-se ao Microsoft Edge para preenchimento automático de credenciais, a funcionalidade herdeira do gestor de palavras-passe descontinuado em 2025. A Google Authenticator não tem qualquer extensão de browser associada, mantendo-se deliberadamente isolada do resto do ecossistema Chrome.

Em termos de número de contas, nenhuma das apps publica um limite oficial nas suas páginas de suporte, e os testes independentes consultados não reportaram problemas de desempenho mesmo com dezenas de contas configuradas em simultâneo.

Segurança: encriptação, cópias de segurança e modo offline

A segurança de uma app de autenticação não se resume ao algoritmo TOTP. Está também em como cada uma protege os códigos quando saem do telemóvel do utilizador, seja para uma cópia de segurança na nuvem, seja para um novo dispositivo.

A Google confirma na sua documentação oficial que os códigos sincronizados através da Conta Google são encriptados tanto em trânsito como em repouso. A empresa não publica os detalhes criptográficos exatos do processo, mas a política é clara: sem sessão iniciada não há sincronização nem cópia de segurança, e a app funciona num modo totalmente local, gerando códigos a partir da chave secreta guardada apenas naquele telemóvel.

A Microsoft segue uma abordagem semelhante, com cópias de segurança e restauro de credenciais associados à Conta Microsoft, mas a filosofia de base é diferente. Onde a Google trata a sincronização como um extra opcional, a Microsoft Authenticator foi desenhada para que a maioria dos utilizadores inicie sessão desde o primeiro momento, até porque é essa sessão que desbloqueia o início de sessão sem palavra-passe e a integração com o Entra ID.

Vale a pena separar dois conceitos que se confundem com frequência: encriptar uma cópia de segurança não é o mesmo que resistir a phishing. Um código TOTP bem protegido no trânsito continua a poder ser roubado se o utilizador o introduzir, sem desconfiar, num site falso que imita o verdadeiro ecrã de login. É esse o problema que a norma do NIST descrita a seguir tenta resolver.

TOTP, NIST e resistência a phishing: o que diz a norma AAL2/AAL3

A norma de referência da indústria para autenticação digital é a NIST SP 800-63B, publicada pelo National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos. O documento define três níveis de garantia de autenticador, conhecidos como AAL1, AAL2 e AAL3, por ordem crescente de exigência.

Segundo o texto oficial, um “Single-Factor OTP Device” (dispositivo OTP de fator único) é permitido a partir do AAL1, enquanto um “Multi-Factor OTP Device” é aceite a partir do AAL2 quando combinado com outro fator. Tanto a Google Authenticator como a Microsoft Authenticator, usadas como segundo fator ao lado de uma palavra-passe, cumprem confortavelmente este patamar. É o nível que a maioria dos bancos, redes sociais e serviços de email exige hoje.

O problema aparece quando se sobe para o AAL3, o nível reservado para resistência a impersonação do verificador, na prática, resistência a phishing. Aqui a norma é direta: autenticadores que envolvam a introdução manual de um código, como os autenticadores out-of-band e OTP, “SHALL NOT be considered verifier impersonation-resistant because the manual entry does not bind the authenticator output to the specific session being authenticated” (secção 5.2.5). Em português: a introdução manual de um código não garante que esse código está ligado à sessão real que está a ser autenticada, e é essa falta de vínculo que um site de phishing explora.

Na prática, nem a Google Authenticator nem a Microsoft Authenticator, nos seus modos de utilização mais comuns, atingem o nível de resistência a phishing que o NIST reserva para o AAL3. Esse patamar está reservado a métodos baseados em criptografia de chave pública com vínculo à origem, como as passkeys FIDO2/WebAuthn, já exploradas em detalhe no nosso guia sobre implementação de WebAuthn e passkeys. Isto não significa que as duas apps sejam inseguras, mas sim que continuam vulneráveis a um utilizador enganado por um site falso que capture o código em tempo real, o mesmo tipo de ataque descrito na nossa análise ao kit de phishing Tycoon2FA contra contas Microsoft 365.

Benchmarks e avaliações independentes: o que dizem os testes de 2026

Vários meios especializados testaram as duas aplicações ao longo de 2026, e as conclusões convergem em alguns pontos, mas divergem noutros.

A PCMag, no seu levantamento “The Best Authenticator Apps We’ve Tested for 2026”, posiciona a Microsoft Authenticator como melhor opção para quem já vive no ecossistema de Contas Microsoft, e a Google Authenticator como equivalente natural para utilizadores de Conta Google, sem eleger uma vencedora absoluta entre as duas.

A TechRadar, na sua comparação “Best Authenticator App for 2026”, descreve a Google Authenticator como “simples, sem frescos, com sincronização opcional na nuvem”, e a Microsoft Authenticator como uma opção de “autenticação segura para uso pessoal e de equipa, com sincronização encriptada na nuvem e suporte no browser”. A publicação destaca ainda que só a Microsoft Authenticator suporta explicitamente logins por push para contas Microsoft.

Já a How-To Geek foca-se na diferença de mecanismo: a Google Authenticator “não tem capacidades de preenchimento automático” e assenta em códigos baseados em tempo ou contador, enquanto a Microsoft Authenticator soma biometria às suas opções de autenticação, criando uma experiência mais próxima de um gestor de identidade do que de uma simples calculadora de códigos.

O site britânico Microbyte, especializado em consultoria de TI para pequenas e médias empresas, resume a escolha de forma prática: recomenda a Microsoft Authenticator a organizações já integradas em Microsoft 365 ou Entra ID, e a Google Authenticator a quem procura uma solução mais leve e sem custos de gestão associados. O padrão atravessa praticamente todos os testes de 2026: nenhum reviewer independente considera uma das apps tecnicamente insegura, a escolha resume-se quase sempre ao ecossistema em que o utilizador ou a empresa já está inserido.

A Zapier, no seu levantamento “The 7 best authenticator apps” de 2026, chega a uma conclusão parecida, descrevendo a cópia de segurança encriptada via Conta Google como um dos pontos fortes da Google Authenticator, e sublinhando que nenhuma das duas apps cobra qualquer valor pelo uso pessoal. Já a MapleTech, num artigo dedicado à escolha entre as duas, resume a Google Authenticator como “privacy-first”, sem exigir sessão iniciada, e a Microsoft Authenticator como a opção que exige conta Microsoft para desbloquear funcionalidades completas, mas compensa com integração profunda em Azure AD e Microsoft 365. É a mesma conclusão a que chegámos na tabela de especificações anterior, confirmada de forma independente por mais uma fonte.

Authy e outras alternativas: onde se encaixam

Google Authenticator e Microsoft Authenticator dominam as pesquisas, mas não estão sozinhas. A Authy, propriedade da Twilio, continua a aparecer em comparações de 2026 como a terceira opção mais mencionada, com 390 pesquisas mensais em Portugal segundo a DataForSEO, bem abaixo das 3.600 da Google Authenticator ou das 4.400 da Microsoft Authenticator, mas ainda relevante para quem valoriza um recurso que nenhuma das duas líderes oferece: suporte nativo a múltiplos dispositivos com sincronização própria, independente de conta Google ou Microsoft.

Essa vantagem ficou mais limitada em 2024, quando a Authy descontinuou a sua aplicação de ambiente de trabalho, alinhando-se com a tendência já seguida pelas duas concorrentes maiores: autenticação apenas no telemóvel. Ainda assim, a app continua a permitir instalar a mesma conta em vários smartphones ao mesmo tempo, algo que a Google Authenticator só resolve através de sincronização por Conta Google, e que a Microsoft Authenticator trata de forma semelhante através da Conta Microsoft.

Para utilizadores que não querem depender de nenhuma das duas grandes tecnológicas, seja por preferência de privacidade, seja por já usarem outro gestor de palavras-passe com TOTP embutido, a escolha acaba por sair do âmbito desta comparação direta. O que importa reter é que o standard TOTP subjacente é o mesmo em todas estas apps. A decisão está nas funcionalidades à volta do código, não na segurança criptográfica do código em si.

Preços: gratuitas para o utilizador, mas com um custo empresarial escondido

Para o utilizador comum, a resposta à pergunta “quanto custa” é simples: nada. Tanto a Google Authenticator como a Microsoft Authenticator são gratuitas, sem versão paga, sem anúncios e sem limite de contas.

A conversa muda quando se olha para o que está por trás de cada app, o ecossistema de identidade que a alimenta em contexto empresarial. É aí que aparecem custos reais.

No lado da Microsoft, a app liga-se ao Microsoft Entra ID. Segundo a página oficial de preços da Microsoft, o plano Entra ID Free tem custo incremental de $0 quando incluído numa subscrição Microsoft 365 ou Azure já existente, mas as camadas pagas custam $7,00 por utilizador/mês no plano P1 (faturação anual) e $10,00 por utilizador/mês no plano P2, que acrescenta proteção de identidade avançada e governação de acesso. Uma terceira camada, o Entra Suite, custa $12,00 por utilizador/mês e exige uma subscrição P1 como base.

No lado da Google, o equivalente funcional é o Google Workspace, que impõe a verificação em 2 passos ao nível da organização através da consola de administração. Segundo a página oficial de preços, o plano Starter custa €6,80 por utilizador/mês, o Standard €13,60, e o Plus €21,10 (valores após o período promocional, que termina a 27 de novembro de 2026 segundo a mesma página). O plano Enterprise não tem preço público e exige contacto com a equipa comercial.

CamadaEcossistema GoogleEcossistema Microsoft
App de autenticação (uso pessoal)GrátisGrátis
Camada de identidade gratuitaN/DEntra ID Free: $0 incremental
Camada básicaWorkspace Starter: €6,80/utilizador/mêsEntra ID P1: $7,00/utilizador/mês
Camada intermédiaWorkspace Standard: €13,60/utilizador/mêsEntra ID P2: $10,00/utilizador/mês
Camada avançadaWorkspace Plus: €21,10/utilizador/mêsEntra Suite: $12,00/utilizador/mês
Camada empresarialWorkspace Enterprise: sob consultaN/D
FaturaçãoMensal ou anual, consoante o planoAnual (compromisso de 12 meses)

Na prática, nenhuma empresa paga estas mensalidades “pela app de autenticação” isoladamente, os preços cobrem toda a plataforma de identidade ou produtividade. Mas vale a pena perceber esta distinção antes de escolher: adotar a Microsoft Authenticator numa empresa que ainda não usa Microsoft 365 implica normalmente negociar também licenças Entra ID, e o inverso aplica-se à Google Workspace.

5 cenários reais de utilização

  • Utilizador doméstico com conta Google: quem usa Gmail, Drive e YouTube no dia a dia tende a preferir a Google Authenticator pela simplicidade. Instala, digitaliza o código QR, e esquece-a até precisar de um código.
  • Profissional dentro do Microsoft 365: uma pessoa que já inicia sessão todos os dias com uma Conta Microsoft ganha mais ao escolher a Microsoft Authenticator, porque a app trata o início de sessão sem password como funcionalidade central, não como extra.
  • Pequena empresa a escolher plataforma de produtividade: uma equipa a decidir entre Google Workspace e Microsoft 365 deve pesar o custo da camada de identidade cedo. A diferença entre os €6,80 do Workspace Starter e os $7,00 do Entra ID P1 raramente é o fator decisivo, mas a integração com o resto das ferramentas já escolhidas costuma ser.
  • Administrador de TI com exigências de conformidade: quando é preciso aplicar acesso condicional, bloquear dispositivos não geridos ou detetar telemóveis com jailbreak, a Microsoft Authenticator ligada ao Entra ID tem hoje mais opções nativas do que a Google Authenticator.
  • Gestor de carteira de criptomoedas ou contas de administrador: para quem prioriza nunca depender de uma ligação de dados no momento do login, o modo local e offline da Google Authenticator continua a ser o mais direto, sem conta, sem sincronização, sem superfície de ataque adicional na nuvem.
  • Utilizador com vários telemóveis e sistemas operativos: quem alterna entre iOS e Android, ou tem um telemóvel pessoal e outro de trabalho, beneficia da sincronização por conta que ambas as apps oferecem, reduzindo o risco de ficar bloqueado fora de uma conta ao trocar de aparelho.
  • Equipa que já perdeu acesso a contas por troca de telemóvel: este é o cenário mais comum de suporte técnico, e onde as cópias de segurança na conta, Google desde 2023, Microsoft através da Conta Microsoft, fazem mais diferença do que qualquer outra funcionalidade.
  • Estudante ou freelancer com orçamento limitado: como nenhuma das duas apps cobra qualquer valor pelo uso pessoal, a escolha para quem gere poucas contas e não paga por nenhum serviço empresarial associado pode ser puramente prática: qual ecossistema já usa mais no dia a dia, Gmail ou Outlook.

Guia de migração: como trocar de app de autenticação sem perder o acesso

Trocar de aplicação de autenticação, ou simplesmente mudar de telemóvel, é o momento em que mais utilizadores perdem acesso às próprias contas. O processo não é automático entre apps diferentes, porque não existe um mecanismo padrão de exportar de uma app e importar noutra reconhecido pelos serviços. Eis os passos que reduzem o risco a praticamente zero.

  1. Antes de desinstalar a app antiga, aceder a cada serviço protegido (email, banco, redes sociais) e confirmar se ainda tem acesso aos códigos de recuperação gerados no momento da ativação do 2FA. Se nunca os guardou, este é o momento para os gerar de novo.
  2. Ativar a cópia de segurança na conta. Na Google Authenticator, iniciar sessão com a Conta Google nas definições da app. Na Microsoft Authenticator, confirmar que a opção de cópia de segurança está ligada à Conta Microsoft.
  3. Instalar a nova app no novo dispositivo antes de apagar a antiga, nunca depois.
  4. Para contas que só permitem uma app TOTP de cada vez, desativar o 2FA no serviço, confirmar que o acesso por password ainda funciona, e reativar o 2FA apontando o novo código QR à nova app.
  5. Repetir o processo serviço a serviço. Não existe atalho para migrar dezenas de contas de uma vez, e é este o principal incómodo de trocar de aplicação de autenticação.
  6. Testar o início de sessão em cada conta antes de remover a app antiga do telemóvel antigo.
  7. Atualizar os métodos de recuperação (número de telefone, email secundário) para refletir o dispositivo atual.
  8. Em contexto empresarial, coordenar a mudança com a equipa de TI antes de alterar políticas de MFA na consola do Entra ID ou do Google Workspace, para não bloquear o acesso de toda a equipa ao mesmo tempo.

Códigos de recuperação: o passo que ninguém deve saltar

Independentemente da app escolhida, os códigos de recuperação fornecidos por cada serviço no momento de ativação do 2FA continuam a ser a rede de segurança mais subestimada. Guardá-los num gestor de palavras-passe, ou impressos num local seguro, evita o cenário mais frustrante de todos: perder o telemóvel, não ter cópia de segurança ativa, e ficar de fora da própria conta sem qualquer via de recuperação. Este risco está diretamente relacionado com os hábitos de segurança de palavras-passe descritos no nosso guia prático.

Prós e contras da Google Authenticator

  • Funciona totalmente offline, sem exigir conta
  • App leve, sem funcionalidades desnecessárias
  • Sincronização opcional via Conta Google, encriptada em trânsito e em repouso, desde 2023
  • Transferência de contas entre telemóveis via código QR
  • Não recolhe nem armazena palavras-passe, moradas ou dados de pagamento
  • Sem biometria própria para proteger o acesso à app
  • Sem início de sessão sem palavra-passe
  • Sem gestão centralizada para empresas
  • Sem app dedicada para Wear OS ou Apple Watch
  • Apenas uma função: gerar códigos

Prós e contras da Microsoft Authenticator

  • Três funções num só lugar: recuperação de conta, MFA e início de sessão sem password
  • Biometria própria (impressão digital, reconhecimento facial ou PIN) para abrir a app
  • Integração nativa com Microsoft Entra ID, Microsoft 365 e acesso condicional
  • Deteção de dispositivos com jailbreak/root a partir de fevereiro de 2026 para contas profissionais
  • Cópia de segurança e restauro de credenciais via Conta Microsoft
  • Funcionalidades completas exigem sessão iniciada com Conta Microsoft
  • Perdeu o gestor de palavras-passe com preenchimento automático, descontinuado em 2025 e movido para o Edge
  • Sem app dedicada para Wear OS ou Apple Watch
  • Interface mais densa para quem só quer códigos simples
  • Custo empresarial da camada Entra ID (a partir de $7,00/utilizador/mês) para desbloquear gestão avançada

Qual escolher em 2026: veredito com base nos dados

Depois de comparar especificações, preços, segurança e o que dizem os testes independentes de 2026, os dados apontam para uma conclusão sem grande ambiguidade: não há uma vencedora universal, há uma vencedora por perfil.

Para utilizadores individuais que quase só usam serviços Google, ou que simplesmente querem a opção mais simples e mais leve, a Google Authenticator continua a ser suficiente. Faz uma coisa, o TOTP, e fá-la bem, sem exigir conta, sem pedir dados, sem depender de ligação à Internet no momento do login.

Para quem trabalha dentro do ecossistema Microsoft, seja porque a empresa usa Microsoft 365, seja porque o utilizador quer eliminar palavras-passe do dia a dia, a Microsoft Authenticator vence com folga. As três funções em vez de uma, a biometria nativa, a integração com o Entra ID e a nova deteção de dispositivos comprometidos a partir de fevereiro de 2026 formam um pacote que a Google Authenticator não tenta igualar.

Para equipas de TI a decidir uma política de MFA à escala da organização, a escolha acaba por depender mais da plataforma de produtividade já escolhida do que da app de autenticação em si, até porque os custos reais estão na camada de identidade, a partir de €6,80/utilizador/mês no Google Workspace Starter, ou $7,00/utilizador/mês no Entra ID P1, e não na app.

E para quem quer o nível mais alto de proteção contra phishing, a resposta honesta, apoiada na própria norma do NIST, é que nenhuma das duas chega lá por defeito. Um código TOTP continua a poder ser roubado por um site falso em tempo real. Quem quer resistência real a phishing, o AAL3 da norma, precisa de dar o passo seguinte: passkeys ou chaves de segurança física baseadas em FIDO2/WebAuthn.

Perfil do utilizadorApp recomendada
Uso pessoal, ecossistema GoogleGoogle Authenticator
Uso pessoal, ecossistema MicrosoftMicrosoft Authenticator
Quer eliminar palavras-passe no dia a diaMicrosoft Authenticator
Prioriza modo offline e sem conta associadaGoogle Authenticator
Empresa em Microsoft 365 / Entra IDMicrosoft Authenticator
Empresa em Google WorkspaceGoogle Authenticator
Quer o máximo de resistência a phishing (AAL3)Nenhuma das duas, usar passkeys/FIDO2

Perguntas frequentes

A Google Authenticator funciona sem ligação à Internet?
Sim. A app gera códigos localmente a partir da chave secreta guardada no telemóvel, sem precisar de dados móveis ou Wi-Fi. A única exceção é a sincronização inicial ou a recuperação de contas via Conta Google, que exige ligação.

A Microsoft Authenticator é mesmo gratuita?
Sim, a aplicação não tem custo para uso pessoal. Os valores mencionados neste artigo, entre $7,00 e $12,00 por utilizador/mês, referem-se às licenças Microsoft Entra ID usadas por empresas para gerir identidade e acesso condicional, não à app em si.

Posso usar a Google Authenticator e a Microsoft Authenticator ao mesmo tempo?
Sim. A maioria dos serviços permite associar múltiplos autenticadores TOTP à mesma conta, ou pelo menos gerar mais do que um código QR de ativação. Nada impede o utilizador de ter contas pessoais na Google Authenticator e contas profissionais na Microsoft Authenticator no mesmo telemóvel.

Qual das duas apps é mais segura contra phishing?
Nenhuma das duas, no seu modo de utilização mais comum, atinge o nível de resistência a phishing definido pelo NIST para o AAL3. Ambas dependem de um código ou de uma aprovação que não estão criptograficamente ligados à sessão real. Para esse nível de proteção é preciso avançar para passkeys ou chaves físicas FIDO2/WebAuthn.

O que aconteceu ao gestor de palavras-passe da Microsoft Authenticator?
A funcionalidade de preenchimento automático de credenciais foi descontinuada ao longo de 2025, com a Microsoft a mover essa função para o browser Edge.

Como transfiro as minhas contas para um telemóvel novo?
Na Google Authenticator, através da sincronização por Conta Google ou da opção de transferência de contas por código QR. Na Microsoft Authenticator, através da cópia de segurança associada à Conta Microsoft. Em ambos os casos, o mais seguro é instalar a nova app antes de apagar a antiga.

As duas apps suportam passkeys?
Não diretamente dentro da própria aplicação de autenticação. As passkeys são geridas em separado, através do Gestor de Palavras-passe da Google ou da Conta Microsoft, consoante o ecossistema escolhido.

Qual app devo escolher para uma pequena empresa?
Depende da plataforma de produtividade já em uso. Empresas em Microsoft 365 beneficiam da integração nativa da Microsoft Authenticator com o Entra ID. Empresas em Google Workspace tendem a preferir a Google Authenticator pela mesma razão de coerência de ecossistema.

Vale a pena pagar pelo Microsoft Entra ID P1 ou P2 só para melhorar o MFA?
Para a maioria das pequenas empresas, não de imediato. O Entra ID Free já cobre autenticação multifator básica quando incluído numa subscrição Microsoft 365 existente. As camadas P1 ($7,00/utilizador/mês) e P2 ($10,00/utilizador/mês) só costumam justificar o custo quando há necessidade real de acesso condicional, relatórios de risco de início de sessão ou governação de identidade mais granular.

O que é o RFC 6238 mencionado neste artigo?
É o standard técnico aberto que define o algoritmo TOTP usado por praticamente todas as apps de autenticação, incluindo a Google Authenticator e a Microsoft Authenticator. Por ser um standard aberto e gratuito, qualquer programador pode implementá-lo sem pedir autorização a nenhuma das duas empresas.

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