No dia 1 de julho de 2026, o governo português apresentou, no Instituto Superior Técnico, em Lisboa, a versão multimodal da Amália, o primeiro grande modelo de linguagem construído de raiz para o português europeu. O anúncio juntou Portugal a um grupo cada vez maior de países da União Europeia que decidiram deixar de depender exclusivamente de modelos de inteligência artificial feitos nos Estados Unidos ou na China.

Com 9 mil milhões de parâmetros, licença Apache 2.0 e um financiamento público que já soma 7 milhões de euros até 2027, a Amália não tenta competir com o ChatGPT ou o Gemini em escala bruta. A missão é mais modesta e mais específica: dar a serviços públicos, universidades e empresas portuguesas um modelo aberto, auditável e afinado para a língua, a cultura e o contexto legal do país, sem depender de fornecedores estrangeiros.

Seis semanas depois do lançamento, chegam os primeiros números de adoção, os primeiros testes académicos independentes e as primeiras comparações com projetos semelhantes noutros países europeus. Este artigo reúne os factos confirmados, explica o financiamento, compara a Amália com outros modelos de IA soberana na Europa e analisa o que este projeto muda, e o que não muda, no mercado português de tecnologia.

O que é a Amália, exatamente?

Amália é o nome dado ao Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial, batizado em homenagem à fadista Amália Rodrigues. Tecnicamente, trata-se de um modelo de fundação (foundation model), não de um produto de consumo pronto a usar como o ChatGPT ou o Gemini.

A diferença importa. A Amália foi desenhada para ser a camada de base sobre a qual outras equipas constroem aplicações específicas, como assistentes para a administração pública, ferramentas de apoio à investigação científica ou sistemas de tradução. O foco está no português europeu (pt-PT), não no português falado no Brasil, o que evita erros de tradução e adaptações culturais forçadas que modelos genéricos costumam cometer quando tratam as duas variantes como equivalentes.

O modelo processa texto, voz, imagem e vídeo. Na fase inicial, o governo prioriza três áreas de aplicação: educação, ciência e cultura. Só depois deverá alargar-se a outros setores, incluindo a administração pública central e local.

Da promessa de 2024 ao lançamento multimodal de 2026

O projeto não nasceu em 2026. O governo português anunciou o investimento inicial na Amália em dezembro de 2024, prometendo 5,5 milhões de euros financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência para construir, num prazo de 18 meses, um modelo de linguagem em português europeu.

A primeira etapa concreta chegou em setembro e outubro de 2025, quando a equipa apresentou a versão base do modelo, acompanhada de um site que explica o funcionamento do sistema e responde a perguntas técnicas. Nessa altura, os responsáveis do projeto admitiam que a versão final só ficaria pronta cerca de nove meses depois.

A previsão cumpriu-se quase ao dia. A 1 de julho de 2026, a Amália ganhou visão, voz e capacidade multimodal, e o governo tornou públicos o modelo, os pesos e o conjunto de dados de treino sob licença aberta.

Ficha técnica: parâmetros, licença e arquitetura

A Amália não foi treinada do zero. A equipa partiu do EuroLLM-9B, um modelo europeu multilingue de base, com influência adicional do projeto português GlorIA, e afinou-o com grandes volumes de dados em português europeu durante as fases intermédia e final do treino. A tabela seguinte resume as especificações confirmadas até à data.

CaracterísticaDetalhe
Nome completoAssistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial
Lançamento (versão multimodal)1 de julho de 2026
Versão base apresentadaSetembro/outubro de 2025
Parâmetros9 mil milhões (9B)
Modelo de baseEuroLLM-9B, com influência do GlorIA
Idioma prioritárioPortuguês europeu (pt-PT)
Janela de contexto32.000 tokens
LicençaApache 2.0 (modelo, pesos e dados abertos)
ModalidadesTexto, voz, imagem e vídeo
AlojamentoHugging Face, organização amalia-llm
Financiamento total€7 milhões até 2027 (€5,5M da tranche inicial via PRR)
CoordenaçãoARTE, Agência para a Reforma Tecnológica do Estado
EquipaMais de 60 investigadores
Parceiros principaisInstituto Superior Técnico, INESC TEC, NOVA FCT

A opção por partir de um modelo europeu já treinado, em vez de começar do zero, poupou tempo e dinheiro à equipa portuguesa. Mas também alimentou críticas de quem considera a soberania tecnológica do projeto apenas parcial, um ponto que retomamos mais à frente neste artigo.

Quem construiu a Amália

O projeto é coordenado pela ARTE, a Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, com o apoio de um consórcio de universidades e centros de investigação portugueses. Mais de 60 investigadores participaram no desenvolvimento, distribuídos por instituições como o Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, o INESC TEC e a NOVA FCT, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa.

Na NOVA FCT, por exemplo, a equipa reuniu investigadores de inteligência artificial, engenheiros de dados, linguistas e programadores, uma combinação que reflete a natureza do projeto. Não é apenas um exercício de engenharia. É também um trabalho de preservação e adaptação linguística.

“Desenvolvido em Portugal, e treinado com dados em português europeu, o modelo representa o esforço de Portugal para alcançar soberania de dados e algorítmica.”

OSOR, Observatório de Código Aberto da Comissão Europeia (interoperable-europe.ec.europa.eu)

O financiamento: de 5,5 para 7 milhões de euros

O dinheiro público por trás da Amália evoluiu por etapas. Os primeiros 5,5 milhões de euros vieram do Plano de Recuperação e Resiliência e cobriram os primeiros 18 meses de desenvolvimento, entre o anúncio de dezembro de 2024 e a apresentação da versão base em 2025. No mesmo dia do lançamento multimodal, o governo anunciou um reforço adicional.

“O governo português anunciou, esta quarta-feira, um investimento adicional de 1,5 milhões de euros no seu modelo nacional de inteligência artificial, elevando o financiamento total do projeto para 7 milhões de euros até 2027.”

Agência Xinhua (english.news.cn)

Para comparar: 7 milhões de euros é uma fração pequena do que os grandes laboratórios privados gastam a treinar um único modelo de fronteira. Fica também abaixo dos 37,4 milhões de euros orçamentados só para a construção dos modelos do consórcio europeu OpenEuroLLM, dos quais cerca de 20 milhões vêm do Programa Europa Digital da União Europeia, segundo o TechCrunch. A diferença de escala já diz muito sobre o tamanho da aposta portuguesa.

Onde está disponível e quantos já a descarregaram

A Amália está publicamente disponível na Hugging Face, sob a organização amalia-llm, com pesos, documentação técnica e o conjunto de dados de treino publicados sob licença Apache 2.0. Em meados de agosto, a página do modelo principal contabilizava perto de 4.800 downloads apenas no mês anterior, um número modesto face a modelos internacionais, mas relevante para um projeto de nicho linguístico com poucas semanas de vida pública.

Há um limite de acesso que convém explicar. A Amália não é um chatbot de consumo pronto a usar. O cidadão comum não a vai encontrar como uma aplicação para conversar, ao estilo do ChatGPT. Está pensada para ser integrada por programadores, investigadores e organismos públicos em produtos e serviços próprios. Isso significa que o impacto direto para o utilizador final só deve chegar quando essas aplicações começarem a aparecer no mercado, segundo o próprio portal digital.gov.pt.

O que dizem os primeiros testes de desempenho

Os primeiros dados sobre o desempenho da Amália vêm de um estudo académico independente, publicado em julho de 2026 no arXiv, sob o título “Trusting Sovereign Language Models as Scientific Instruments”. Num teste pré-registado de transcriação (tradução adaptada culturalmente) de inglês para português europeu, os investigadores compararam as classificações da Amália com as de avaliadores humanos treinados.

“Apresentamos a Amália, um LLM totalmente aberto que prioriza o português europeu através do uso de mais dados de alta qualidade em pt-PT, tanto na fase intermédia como na fase final do treino.”

Autores do relatório técnico da Amália (arxiv.org)

O resultado principal: a Amália concordou com as classificações humanas com uma diferença de apenas seis pontos percentuais face a modelos abertos entre oito e treze vezes maiores em número de parâmetros. Para um modelo de 9 mil milhões de parâmetros, aproximar-se de sistemas com 70 a 100 mil milhões é um resultado que a equipa lê como prova de que a especialização linguística compensa parte da diferença de escala.

Um artigo de opinião publicado no mesmo mês foi mais longe, afirmando que a equipa criou quatro novos testes de referência em português europeu, nos quais a Amália superaria modelos como o Qwen 3-8B. Essa comparação específica ainda não foi confirmada por um estudo técnico independente e deve ser lida como preliminar.

Portugal não anda sozinho: o mapa da IA soberana europeia

A Amália encaixa num movimento mais amplo. Desde 2025, vários países europeus lançaram ou aceleraram projetos de modelos de linguagem soberanos, motivados pela mesma preocupação: reduzir a dependência de fornecedores fechados, sediados sobretudo nos Estados Unidos.

Espanha lançou a ALIA em janeiro de 2025, desenvolvida pelo Barcelona Supercomputing Center e apresentada, segundo a Euronews, como a primeira infraestrutura europeia aberta e multilingue do género. A Alemanha avançou com a iniciativa SOOFI, Sovereign Open Source Foundation Models, com a Deutsche Telekom e a Universidade de Hannover entre os parceiros, com planos de aplicações no setor público a partir de meados de 2026. A Letónia já tinha lançado, em setembro de 2025, o TildeOpen LLM, um modelo de 30 mil milhões de parâmetros treinado com dois milhões de horas de GPU no supercomputador europeu LUMI.

Ao nível da União Europeia, a Comissão selecionou em junho de 2026 o consórcio EUROPA, liderado pela empresa italiana Domyn, para construir um modelo de fronteira de código aberto com mais de 400 mil milhões de parâmetros, cobrindo as 24 línguas oficiais da UE, de acordo com a página oficial da Comissão Europeia. Em paralelo, o consórcio OpenEuroLLM, com mais de 20 organizações, prepara modelos multilingues com lançamento previsto para julho de 2026.

Amália frente a frente com os outros modelos soberanos da Europa

A tabela seguinte junta os dados confirmados sobre cada projeto. Onde a informação pública ainda não permite confirmar um número, isso fica assinalado, em vez de estimado.

ProjetoPaís / regiãoParâmetrosLicençaFinanciamentoEstado em 2026
AmáliaPortugal9BApache 2.0€5,5M–€7MLançado (1 jul.)
ALIAEspanha (BSC)Não confirmadoNão confirmadoNão confirmadoLançado (jan. 2025)
SOOFI / TeukenAlemanhaNão confirmadoNão confirmadoNão confirmadoPiloto público (meados 2026)
TildeOpen LLMLetónia (Tilde)30BAbertaNão confirmadoLançado (set. 2025)
ApertusSuíça8B / 70BApache 2.0Não confirmadoDisponível
OpenEuroLLMConsórcio UE (20+ organizações)Vários tamanhosAberta€37,4M (€20M da UE)Modelos previstos (jul. 2026)
EUROPAConsórcio UE (liderado pela Domyn, Itália)400B+ (MoE)Aberta (planeada)Não confirmadoEm desenvolvimento (12-18 meses)
Mistral AI (referência privada)FrançaVários tamanhosMistaAvaliação: $13,7 mil milhõesEmpresa privada, não estatal

Face a estes projetos, a Amália destaca-se pela especialização, uma língua, um contexto legal e cultural específico, e pelo custo reduzido. Também é, entre os projetos já lançados publicamente, um dos mais transparentes: modelo, pesos e dados de treino publicados em conjunto, um nível de detalhe que nem a ALIA nem o SOOFI confirmaram até à data.

Porque é que a soberania em IA se tornou prioridade

A urgência à volta destes projetos não é apenas ideológica. Segundo dados do relatório da Década Digital da Comissão Europeia, citados pelo jornal ECO em junho de 2026, apenas 15% das empresas portuguesas utilizam atualmente inteligência artificial, um valor que subiu três pontos percentuais nos últimos dois anos e que continua abaixo da meta europeia para 2030. A percentagem da população portuguesa com competências digitais básicas ronda os 74%, também aquém do objetivo de 80% fixado pela União Europeia.

Este é o pano de fundo que o primeiro-ministro invocou na apresentação da Amália.

“A Europa continua fortemente dependente de tecnologia estrangeira, sobretudo dos Estados Unidos, e o desenvolvimento da Amália faz parte do esforço de Portugal para reforçar a autonomia tecnológica, nacional e europeia, em inteligência artificial.”

Luís Montenegro, primeiro-ministro de Portugal (english.news.cn)

A lógica é simples de resumir. Se a maioria das empresas portuguesas ainda não usa IA, e se o pouco que já usa depende quase sempre de fornecedores norte-americanos, um modelo público, gratuito e afinado ao português torna-se uma ferramenta de política industrial, não apenas um projeto científico. A União Europeia já tinha sinalizado esta prioridade quando lançou, em fevereiro de 2026, o concurso Frontier AI Grand Challenge, que resultou na escolha do consórcio EUROPA quatro meses depois.

O que a Amália não é

Nem tudo à volta da Amália reúne consenso. Um artigo académico publicado em julho de 2026 no Official Blog of UNIO, especializado em direito da União Europeia, descreve o projeto como um caso de soberania por procuração. A Amália depende do EuroLLM-9B como base, o que, segundo os autores, limita até que ponto o modelo pode ser chamado de totalmente português ou totalmente soberano.

Há ainda três limitações práticas a reter. Primeiro, a Amália é uma base, não um produto final, e as aplicações concretas para os cidadãos ainda estão para chegar. Segundo, o financiamento de 7 milhões de euros é reduzido face ao investimento de gigantes privados do setor, o que limita a velocidade a que o modelo pode evoluir. Terceiro, não existe ainda um teste técnico independente e amplamente aceite que compare, com clareza, a Amália a modelos como o GPT ou o Gemini em tarefas gerais, fora dos testes específicos já publicados.

Impacto no mercado tecnológico português

Para o setor tecnológico português, a Amália abre uma via que até agora não existia: construir produtos de IA em português europeu sem pagar licenças a fornecedores estrangeiros nem enviar dados para servidores fora da União Europeia. Isso interessa em particular à administração pública, a hospitais, a escolas e a empresas que lidam com dados sensíveis e enfrentam exigências crescentes de conformidade regulatória.

Essa pressão regulatória não para de aumentar. As regras de transparência do AI Act entraram em vigor este verão, com coimas que podem chegar a 3% do volume de negócios global das empresas. A isto soma-se o Cyber Resilience Act, com multas até 15 milhões de euros, e a transposição da diretiva NIS2, que já abrange mais de 9 mil empresas portuguesas. Ter uma alternativa nacional, auditável desde o código até aos dados de treino, facilita a resposta a estas obrigações de uma forma que um modelo fechado, gerido a partir de fora da União Europeia, dificilmente consegue igualar.

Resta a pergunta óbvia: quantas empresas portuguesas vão, de facto, construir sobre a Amália nos próximos meses? Essa resposta só vai aparecer com o tempo.

Previsões: o que esperar a seguir

Com base no que já aconteceu e no calendário anunciado por Portugal e pela União Europeia, há cinco desenvolvimentos prováveis para os próximos 12 a 18 meses.

  • Primeiras aplicações públicas. Organismos ligados à educação, à ciência e à cultura devem lançar os primeiros serviços concretos construídos sobre a Amália, cumprindo a prioridade anunciada pelo governo.
  • Pressão para reforçar o financiamento. Os 7 milhões de euros dificilmente chegam para acompanhar o ritmo de investimento privado. É provável uma nova tranche de financiamento público, talvez com apoio de fundos europeus, à semelhança do que aconteceu com o OpenEuroLLM.
  • Mais testes académicos independentes. A comunidade académica portuguesa e europeia deve publicar novos testes de desempenho nos próximos meses, avaliando a Amália em tarefas fora do domínio científico onde já foi testada.
  • Convergência com o EUROPA. Quando o consórcio EUROPA entregar o seu modelo de fronteira, esperado para 2027 ou 2028, a Amália deve posicionar-se como camada complementar, especializada em português, e não como concorrente direta.
  • Mais países a seguir o exemplo. Itália, através da liderança do consórcio EUROPA, e outros Estados-membros sem projeto nacional próprio deverão anunciar iniciativas semelhantes, replicando o modelo de partir de uma base europeia comum e afiná-la à língua local.

Perguntas frequentes sobre a Amália

O que significa o nome Amália?

Amália é a sigla para Assistente Multimodal Automático de Linguagem com Inteligência Artificial. O nome também presta homenagem à fadista Amália Rodrigues, uma das vozes mais reconhecidas da cultura portuguesa no mundo.

A Amália é gratuita?

Sim. O modelo, os pesos e os dados de treino estão disponíveis publicamente sob licença Apache 2.0, sem custos de licenciamento, na plataforma Hugging Face.

Posso conversar com a Amália como converso com o ChatGPT?

Não diretamente. A Amália é um modelo de fundação, pensado para ser integrado por programadores e instituições em aplicações próprias, não uma aplicação de conversação pronta para o público em geral.

Quantos parâmetros tem a Amália?

A versão principal tem 9 mil milhões de parâmetros, construída a partir do modelo europeu EuroLLM-9B e afinada com dados em português europeu.

Quem pagou pela Amália e quanto custou?

O projeto foi financiado com fundos públicos portugueses, através do Plano de Recuperação e Resiliência. O investimento total anunciado soma 7 milhões de euros até 2027, dos quais 5,5 milhões correspondem à tranche inicial.

A Amália é melhor do que o ChatGPT ou o Gemini em português?

Em tarefas gerais, ainda não há um teste técnico independente que responda com clareza a essa pergunta. Num estudo académico específico, sobre transcriação de inglês para português europeu, a Amália aproximou-se do desempenho de modelos entre oito a treze vezes maiores.

Onde posso encontrar ou testar a Amália?

O modelo está publicado na Hugging Face, na organização amalia-llm, junto com documentação técnica. Existe também um site oficial do projeto que explica o funcionamento do sistema em linguagem acessível.

Que outros países europeus têm modelos de IA soberanos como a Amália?

Espanha tem a ALIA, lançada em janeiro de 2025 pelo Barcelona Supercomputing Center. A Alemanha desenvolve a iniciativa SOOFI. A Letónia lançou o TildeOpen LLM em 2025. Ao nível da União Europeia, o consórcio EUROPA prepara um modelo de fronteira com mais de 400 mil milhões de parâmetros para os próximos anos.

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