Quem gere identidades numa empresa em Portugal já passou por esta escolha: Okta ou Microsoft Entra ID (antigo Azure Active Directory). São as duas plataformas mais usadas para dar aos colaboradores acesso único a dezenas de aplicações, aplicar autenticação multifator e cumprir requisitos de auditoria. A decisão pesa no orçamento de TI durante anos, porque trocar de fornecedor de identidade depois de mil utilizadores estarem ligados a centenas de aplicações não é uma tarde de trabalho.
Este artigo compara preços, avaliações reais de utilizadores, funcionalidades técnicas, casos de uso e um guia de migração entre as duas plataformas, com dados de 2025 e 2026. O objetivo é simples: ajudar uma equipa de TI ou segurança a decidir sem ter de ler duas dezenas de páginas de marketing.
Okta vs Microsoft Entra ID: o que são e para que servem
Okta nasceu em 2009 como fornecedor independente de gestão de identidade e acesso (IAM), sem ligação a nenhuma suite de produtividade. Isso tornou-se a sua principal proposta de valor: funciona da mesma forma seja a empresa cliente da Google, da AWS, da Salesforce ou da própria Microsoft. A plataforma cobre autenticação única (SSO), autenticação multifator (MFA), gestão do ciclo de vida de contas e, mais recentemente, deteção de ameaças à identidade.
O Microsoft Entra ID é a evolução do Azure Active Directory, renomeado pela Microsoft em 2023 dentro da família de produtos Entra. Ao contrário do Okta, nasceu como o diretório de identidade do Windows Server e do Microsoft 365, e essa origem ainda define o produto: qualquer empresa que já use Outlook, Teams ou Azure tem o Entra ID incluído, mesmo que nunca o tenha configurado ativamente.
A diferença de fundo entre as duas ferramentas não está tanto nas funcionalidades (que se sobrepõem bastante) mas no ecossistema em que operam. Uma organização com forte dependência do Microsoft 365 e do Azure tende a beneficiar da integração nativa do Entra ID. Uma organização multi-cloud, com aplicações da Google, da AWS e de dezenas de fornecedores SaaS distintos, tende a apreciar mais a neutralidade do Okta face a qualquer fornecedor de cloud.
Tabela de especificações: Okta vs Microsoft Entra ID
A tabela seguinte resume as características técnicas e comerciais mais relevantes para quem está a decidir entre as duas plataformas em 2026.
| Característica | Okta | Microsoft Entra ID |
|---|---|---|
| Ano de lançamento | 2009 | 2003 (como Active Directory), renomeado Entra ID em 2023 |
| Modelo de fornecedor | Independente, neutro face a cloud | Nativo do ecossistema Microsoft 365/Azure |
| Nível gratuito | Não tem (mínimo contratual aplicável) | Sim, Entra ID Free incluído em subscrições Microsoft 365 |
| SSO (single sign-on) | Sim, em todos os planos pagos | Sim, a partir do plano Free com limitações |
| MFA adaptativa | A partir do plano Core Essentials | A partir do plano P1, reforçada no P2 |
| Acesso condicional baseado em risco | Disponível em planos superiores (Professional/Enterprise) | Nativo desde o P1, avançado no P2 com Identity Protection |
| Gestão de identidades privilegiadas (PIM) | Módulo separado (add-on de governance) | Incluído no plano P2 |
| Pontuação G2 “Meets Requirements” | 9,3 (908 avaliações) | 9,1 (712 avaliações) |
| Pontuação G2 “Ease of Use” | 9,3 (933 avaliações) | 8,8 (717 avaliações) |
| Preço de entrada | 6 USD/utilizador/mês | Gratuito (Free) |
| Integração com Active Directory on-premises | Via agente de sincronização | Nativa, via Entra Connect |
| Suporte a FIDO2/WebAuthn e passwordless | Sim | Sim, incluindo Windows Hello for Business |
Vale notar que as pontuações do G2 acima refletem uma comparação direta publicada pela própria plataforma de avaliações entre os dois produtos, com centenas de avaliações reais de clientes empresariais em ambos os casos.
Preços do Okta em 2026: planos e custos reais
O Okta reorganizou a sua estrutura comercial de Workforce Identity em suites, faturadas anualmente por utilizador. O plano de entrada, chamado Starter Suite, custa 6 USD por utilizador ao mês e inclui SSO e MFA básica, mais aprovisionamento simples de contas. É o plano mais indicado para uma pequena equipa que queira centralizar o login em algumas dezenas de aplicações sem ainda precisar de automação avançada.
O nível seguinte, Core Essentials Suite, sobe para 14 USD por utilizador ao mês e acrescenta MFA adaptativa, que ajusta o pedido de autenticação consoante o risco da sessão (localização invulgar, dispositivo desconhecido, horário atípico). O Essentials Suite completo chega aos 17 USD por utilizador ao mês, com automação de ciclo de vida e funcionalidades de governança mais amplas, pensado para médias e grandes empresas que precisam de desativar contas automaticamente quando um colaborador sai.
Acima destes níveis, os planos Professional e Enterprise deixam de ter preço público e passam a “sob consulta”, com funcionalidades como deteção de ameaças à identidade, acesso via gateway e suporte a tokens machine-to-machine para arquiteturas com muitas APIs internas. Várias fontes de mercado referem ainda um valor mínimo de contrato próximo dos 1.500 USD anuais para clientes que assinam o Okta de forma isolada, fora de qualquer pacote maior.
Preços do Microsoft Entra ID em 2026: planos e custos reais
A grande vantagem comercial do Entra ID está no plano Free, incluído automaticamente em qualquer subscrição do Microsoft 365. Cobre diretório básico e SSO para aplicações Microsoft, o que já resolve o caso de uso mais simples sem custo adicional. É por isso que tantas pequenas empresas portuguesas “já têm” Entra ID mesmo sem nunca o terem escolhido ativamente.
O plano P1 fica entre 6 e 7 USD por utilizador ao mês, consoante a fonte de preços consultada (o site oficial da Microsoft lista 7 USD, embora vários guias de preços de terceiros apresentem 6 USD para a mesma referência). Este nível acrescenta acesso condicional baseado em grupos e IAM empresarial completo. O P2 sobe para 9 a 10 USD por utilizador ao mês e junta Identity Protection com deteção de risco e Privileged Identity Management (PIM), essencial para quem precisa de auditar o uso de contas administrativas.
A Microsoft vende ainda o Entra Suite, um pacote combinado a 12 USD por utilizador ao mês que junta o ID a outras capacidades da família Entra, como gestão de permissões. Existe também um add-on de governança a 7 USD por utilizador ao mês para quem precisa de fluxos de ciclo de vida mais avançados sem subir para o Entra Suite completo, e um modelo separado para identidades de carga de trabalho (contas de serviço, não humanas) a cerca de 3 USD por identidade ao mês.
Tabela de preços comparada
| Plano | Okta | Preço | Plano equivalente Entra ID | Preço |
|---|---|---|---|---|
| Entrada | Starter Suite | 6 USD/utilizador/mês | Entra ID Free | 0 USD (incluído no M365) |
| Intermédio | Core Essentials Suite | 14 USD/utilizador/mês | Entra ID P1 | 6-7 USD/utilizador/mês |
| Avançado | Essentials Suite | 17 USD/utilizador/mês | Entra ID P2 | 9-10 USD/utilizador/mês |
| Pacote combinado | Professional | Sob consulta | Entra Suite | 12 USD/utilizador/mês |
| Empresarial | Enterprise | Sob consulta | Governance add-on | +7 USD/utilizador/mês sobre P1/P2 |
| Identidades não humanas | Incluído em Enterprise | Sob consulta | Workload Identity | ~3 USD/identidade/mês |
Na prática, para uma empresa com 500 colaboradores que já paga licenças Microsoft 365 E3 ou E5, subir para o Entra ID P1 ou P2 tende a sair mais barato do que contratar Okta a partir do zero, porque o custo marginal soma-se a uma fatura que já existe. Para uma empresa sem dependência de Microsoft, ou que usa sobretudo Google Workspace e ferramentas de terceiros, o cálculo pode inverter-se, sobretudo quando se conta o tempo de configuração e o catálogo de integrações prontas.
Avaliações reais: o que dizem os utilizadores no G2
Números de marketing são fáceis de inflar, mas avaliações de centenas de clientes empresariais já dizem mais. Segundo uma comparação direta publicada pelo G2, com base em centenas de avaliações reais, o Okta obtém uma pontuação de “Meets Requirements” de 9,3 em 908 avaliações, contra 9,1 do Microsoft Entra ID em 712 avaliações. A diferença é pequena, mas consistente noutra métrica: em “Ease of Use”, o Okta chega aos 9,3 pontos (933 avaliações) e o Entra ID fica-se pelos 8,8 (717 avaliações).
Esta diferença de meio ponto em facilidade de uso não é acidental. Reflete uma queixa comum entre administradores de TI: o Entra ID herda a complexidade de décadas do Active Directory, com terminologia e ecrãs de configuração que exigem alguma curva de aprendizagem mesmo para quem já conhece o mundo Microsoft. O Okta, por ter sido desenhado de raiz como produto cloud, tende a ter uma interface mais direta para tarefas do dia a dia, como atribuir uma aplicação a um grupo de utilizadores.
Por outro lado, o preço de entrada gratuito do Entra ID pesa a favor da Microsoft em qualquer análise de custo total, sobretudo para organizações pequenas que não têm orçamento dedicado a IAM. É um equilíbrio clássico entre “mais barato para começar” e “mais simples de operar depois”.
Benchmarks da indústria: Forrester, Gartner e G2
Além das avaliações de utilizadores no G2, as duas plataformas aparecem lado a lado nos principais relatórios independentes de analistas do setor. No Forrester Wave: Workforce Identity Security Platforms, Q2 2026, tanto o Okta como a Microsoft foram classificados como “Leader” (Líder), segundo o comunicado de imprensa do Okta e o blogue de segurança da Microsoft. É a segunda vez consecutiva que ambos ficam na categoria mais alta do mesmo relatório, depois de já terem sido classificados como líderes na edição anterior, de 2024.
No Gartner Magic Quadrant for Access Management, publicado em novembro de 2025, o padrão repete-se: Okta e Microsoft surgem ambos na categoria “Leaders”, com o Okta a assinalar o nono ano consecutivo nessa posição, segundo a página de investigação do Okta que cita o relatório da Gartner. A Microsoft confirma o mesmo posicionamento no seu próprio blogue de segurança, também referindo nove anos consecutivos na categoria de líder.
O que isto significa na prática é que nenhum dos dois analistas de referência do setor considera uma das plataformas tecnicamente inferior à outra. A escolha não é uma questão de qualidade de produto, mas de adequação ao contexto de cada organização, o que reforça a importância dos critérios práticos (preço, ecossistema, facilidade de uso) discutidos ao longo deste artigo.
Quanto custa em três anos: exemplo para uma empresa de 500 colaboradores
Para tornar a diferença de preço mais concreta, vale a pena fazer as contas para uma empresa hipotética com 500 colaboradores, um tamanho comum entre médias empresas em Portugal com necessidade de IAM centralizado. Com o Okta no plano Core Essentials Suite (14 USD por utilizador ao mês), o custo seria de 7.000 USD mensais, ou 84.000 USD ao ano, chegando a 252.000 USD ao fim de três anos.
Com o Microsoft Entra ID P1 (6 a 7 USD por utilizador ao mês), a mesma empresa pagaria entre 3.000 e 3.500 USD mensais, ou 36.000 a 42.000 USD ao ano, o que dá entre 108.000 e 126.000 USD ao fim de três anos. A diferença acumulada ronda os 126.000 a 144.000 USD em três anos a favor do Entra ID, assumindo que a empresa já paga licenças Microsoft 365 que tornem essa subscrição um custo incremental e não um custo total.
Se essa mesma empresa precisar de subir para o nível com deteção de risco e gestão de identidades privilegiadas (Essentials Suite no Okta, a 17 USD, contra Entra ID P2, a 9-10 USD), a diferença acumulada em três anos ainda favorece claramente o Entra ID, embora o valor absoluto dependa de quantos utilizadores realmente precisam do nível mais avançado, já que muitas organizações aplicam esse nível só a um subconjunto de contas com privilégios elevados.
Autenticação multifator e passwordless: o que cada plataforma oferece
Ambas as plataformas suportam autenticação multifator adaptativa e métodos sem palavra-passe baseados em FIDO2/WebAuthn, o standard recomendado pelo NIST nas suas diretrizes de identidade digital. No Okta, a MFA adaptativa está disponível a partir do plano Core Essentials e cobre notificações push via Okta Verify, códigos temporários (TOTP), chaves de segurança FIDO2 e biometria através de passkeys.
No Entra ID, o suporte a passwordless está fortemente integrado com o ecossistema Windows: Windows Hello for Business permite login biométrico nativo em portáteis com sensor de impressão digital ou câmara de reconhecimento facial, e o Microsoft Authenticator cobre push e TOTP em dispositivos móveis. A Microsoft tem promovido ativamente a adoção de passkeys em larga escala nos últimos trimestres, alinhando o Entra ID com o esforço mais amplo da indústria para reduzir a dependência de palavras-passe tradicionais.
Na prática, quem já usa maioritariamente portáteis Windows tende a ter uma experiência passwordless mais fluida com o Entra ID, porque o hardware já está preparado. Ambientes mistos, com Mac, Linux e Chromebooks a par de Windows, tendem a beneficiar da abordagem mais agnóstica do Okta em relação ao sistema operativo.
Integrações e ecossistema de aplicações
O Okta constrói a sua proposta de valor à volta da Okta Integration Network, um catálogo de milhares de aplicações SaaS com configuração pronta a usar, sem necessidade de programar conectores personalizados. Isto poupa tempo a equipas de TI que precisam de ligar dezenas de ferramentas distintas (CRM, faturação, RH, comunicação) sem depender de um único fornecedor de cloud.
O Entra ID responde com a sua própria galeria de aplicações empresariais, disponível já nos planos Free, Basic e Premium, e beneficia da integração nativa com o resto da família Microsoft: Teams, SharePoint, Power Platform e Azure ligam-se ao Entra ID sem qualquer configuração adicional, porque partilham a mesma camada de identidade desde o primeiro dia.
Consultar o documento oficial da Microsoft sobre o Entra ID ajuda a perceber até que ponto a plataforma está pensada como peça central de um ecossistema mais vasto, e não como produto isolado. Isso é uma vantagem clara para quem já vive dentro do Microsoft 365, mas pode ser uma limitação para quem quer manter a identidade totalmente independente da escolha de cloud.
Exemplos reais de utilização: quem usa Okta e quem usa Entra ID
Casos reais ajudam a perceber para que tipo de organização cada plataforma foi pensada. Do lado do Okta, a rede hoteleira Wyndham Hotels & Resorts usa o Okta Workforce Identity em conjunto com o Okta Workflows para automatizar tarefas de identidade entre as suas franquias, tendo eliminado centenas de linhas de código personalizado e reduzido em 85% o custo contínuo de desenvolvimento associado a essas automações, segundo a própria página de produto do Okta.
A fabricante de bens de consumo Mars, Inc. usa dados de identidade do Okta como parte do seu processo de resposta a incidentes de segurança, permitindo à equipa cruzar registos dispersos e construir casos de deteção com maior grau de confiança. Já a National Geographic implementou o Okta Single Sign-On à frente das suas aplicações internas para permitir um único nome de utilizador e palavra-passe do ambiente de trabalho até à aplicação final, o que acelerou a adoção dessas ferramentas, segundo a página de soluções de SSO do Okta.
Do lado do Entra ID, o retalhista Walmart associou-se à Microsoft para modernizar a sua identidade e acesso como parte de uma transformação cloud mais ampla, segundo o blogue oficial de segurança da Microsoft. A empresa de media iHeartMedia substituiu a sua solução de identidade anterior pelo Azure Active Directory (agora Entra ID) em conjunto com o Microsoft Sentinel, alcançando uma experiência de utilizador mais simples e custos de licenciamento significativamente mais baixos, de acordo com a história de cliente publicada pela Microsoft.
A retalhista de colchões Mattress Firm implementou o Azure Active Directory para ligar de forma segura os seus trabalhadores de loja (Firstline Workers) a aplicações SaaS e entre si, através de dispositivos móveis usados no chão de loja, segundo o blogue de segurança da Microsoft. Estes cinco exemplos mostram um padrão: organizações já fortemente ancoradas em Microsoft tendem a expandir o Entra ID como extensão natural da sua infraestrutura, enquanto organizações que valorizam neutralidade tecnológica ou têm forte presença fora do universo Microsoft tendem a escolher o Okta.
Casos de uso: quando escolher Okta
O Okta tende a ser a escolha mais acertada em cinco cenários concretos. Primeiro, empresas multi-cloud que usam simultaneamente AWS, Google Cloud e Azure, e que não querem que a identidade fique presa a nenhum desses fornecedores. Segundo, empresas de tecnologia com um catálogo muito diversificado de ferramentas SaaS (dezenas ou centenas de aplicações de fornecedores diferentes), onde o catálogo de integrações prontas do Okta poupa tempo de configuração manual.
Terceiro, organizações que operam em ambientes fortemente regulados e que precisam de governança de identidade avançada e deteção de ameaças dedicada, funcionalidades que o Okta trata como núcleo do produto nos planos superiores. Quarto, empresas com equipas de engenharia que precisam de gerir identidades de máquina e tokens para arquiteturas de microserviços, um caso de uso onde o Okta tem investido com capacidades machine-to-machine. Quinto, empresas em fase de fusão ou aquisição que precisam de unificar rapidamente identidades vindas de sistemas heterogéneos sem depender da pilha tecnológica de nenhuma das partes envolvidas.
Casos de uso: quando escolher Microsoft Entra ID
O Entra ID faz mais sentido noutros cinco cenários. Primeiro, qualquer organização já cliente do Microsoft 365 E3 ou E5, onde subir de plano custa uma fração do preço de contratar um IAM externo do zero. Segundo, empresas com forte presença de portáteis Windows e que querem aproveitar o Windows Hello for Business para login biométrico nativo sem hardware adicional.
Terceiro, equipas de TI pequenas sem orçamento dedicado a IAM, que podem começar no plano Free e só pagar quando a necessidade crescer. Quarto, organizações que já usam intensivamente o Azure para infraestrutura, e que beneficiam de a identidade estar integrada nativamente com máquinas virtuais, funções serverless e políticas de acesso condicional ao nível da rede. Quinto, agências ou organismos públicos com requisitos de conformidade federal ou setorial que já tenham adotado o Entra ID como fornecedor central de identidade para consolidar soluções de identidade dispersas e melhorar a visibilidade sobre permissões de acesso.
Vantagens e desvantagens do Okta
Entre as vantagens do Okta contam-se a neutralidade face a qualquer fornecedor de cloud, um catálogo extenso de integrações prontas, pontuações mais altas em facilidade de uso segundo o G2, e um foco de produto inteiramente dedicado a identidade, sem distrações de outras linhas de negócio. A empresa também tem investido em deteção de ameaças à identidade como funcionalidade central, não como extra.
Do lado das desvantagens, o Okta não tem plano gratuito, o que obriga qualquer empresa a orçamentar a ferramenta desde o primeiro utilizador. Os planos superiores (Professional e Enterprise) não têm preço público, o que dificulta a comparação direta sem passar por uma proposta comercial. E, para empresas já fortemente ancoradas em Microsoft, contratar o Okta significa pagar por uma capacidade que, em parte, já existe de forma gratuita ou incluída no Entra ID.
Vantagens e desvantagens do Microsoft Entra ID
O Entra ID ganha claramente no preço de entrada, com um plano gratuito genuíno e planos pagos mais baratos do que os equivalentes do Okta em quase todos os níveis. A integração nativa com Microsoft 365, Azure e Windows elimina passos de configuração que noutras plataformas seriam manuais, e o investimento contínuo da Microsoft em passwordless e passkeys mantém o produto atualizado com as tendências mais recentes de autenticação.
As desvantagens aparecem sobretudo fora do universo Microsoft. Organizações multi-cloud ou com muitas aplicações de terceiros relatam mais fricção ao configurar integrações que não fazem parte do ecossistema nativo. A pontuação de facilidade de uso mais baixa no G2 (8,8 contra 9,3 do Okta) sugere também uma curva de aprendizagem administrativa mais acentuada, herdada da complexidade histórica do Active Directory.
Arquitetura técnica: identidade híbrida e integração com infraestrutura existente
A forma como cada plataforma lida com infraestrutura de identidade já existente na empresa é um dos critérios mais subestimados na fase de escolha. O Entra ID sincroniza-se com um Active Directory on-premises através da ferramenta Entra Connect, que replica contas, grupos e palavras-passe de forma quase transparente para quem já gere um domínio Windows Server. Esse modelo híbrido permite manter aplicações legadas dependentes de Kerberos ou LDAP a funcionar em paralelo com aplicações modernas ligadas via SAML ou OIDC, sem obrigar a uma migração total de um dia para o outro.
O Okta trata a ligação a um Active Directory existente de forma diferente, através de um agente leve instalado num servidor Windows que faz a ponte entre o diretório local e a nuvem do Okta. Funciona bem, mas exige manter esse agente atualizado e monitorizado, uma responsabilidade operacional adicional que não existe da mesma forma no modelo nativo do Entra Connect. Em compensação, essa arquitetura de agente torna o Okta mais fácil de ligar a múltiplos diretórios de origens diferentes, um cenário comum em empresas que resultam de fusões ou aquisições com sistemas de identidade distintos.
No plano das APIs, ambas as plataformas expõem interfaces REST completas para automatizar a criação de contas, atribuição de aplicações e consulta de eventos de autenticação. O Okta publica a sua API de forma bastante documentada e orientada a programadores externos, com bibliotecas oficiais para várias linguagens. O Entra ID integra-se sobretudo através do Microsoft Graph, uma API unificada que também dá acesso a dados do Outlook, do Teams e do SharePoint, o que facilita construir automações que cruzam identidade com outros serviços Microsoft, mas que exige aprender o modelo de permissões mais amplo do Graph mesmo para tarefas simples de gestão de utilizadores.
Para equipas de engenharia que gerem identidades de máquina (contas de serviço, tokens para pipelines de integração contínua, credenciais para microserviços), o Okta trata esse caso de uso como categoria própria dentro dos seus planos superiores. O Entra ID responde com o modelo de Workload Identity, cobrado separadamente por identidade não humana, e com suporte nativo a identidades geridas do Azure para serviços que já correm dentro dessa nuvem, o que reduz a necessidade de gerir segredos manualmente em cargas de trabalho hospedadas no Azure.
Guia de migração: como trocar de plataforma de identidade
Migrar de uma plataforma de identidade para outra, em qualquer direção, é um projeto estruturado, não uma troca de configurações. Os passos seguintes aplicam-se tanto a uma migração de Okta para Entra ID como ao percurso inverso.
- Inventariar identidades e aplicações. Listar todos os utilizadores, grupos, aplicações ligadas, políticas de acesso condicional e métodos de MFA em uso na plataforma atual.
- Mapear paridade de funcionalidades. Comparar políticas de acesso condicional do Entra ID com as políticas de sign-on do Okta (ou vice-versa), identificando o que não tem equivalente direto.
- Desenhar a estrutura de destino. Definir a nova estrutura de diretório, o modelo de atribuição de aplicações e a estratégia de passwordless a adotar.
- Selecionar um grupo piloto. Escolher um subconjunto de utilizadores e aplicações menos críticas para testar a nova plataforma antes do rollout geral.
- Configurar SSO nas aplicações prioritárias. Recriar as integrações SAML ou OIDC para as aplicações mais usadas na nova plataforma.
- Migrar atributos e grupos via SCIM. Usar importação em massa para transferir atributos de utilizador, grupos e atribuições de aplicações sem reintrodução manual de dados.
- Testar MFA e fluxos passwordless. Validar que chaves FIDO2, aplicações autenticadoras e biometria funcionam corretamente antes do corte definitivo.
- Correr em paralelo. Manter as duas plataformas ativas durante um período limitado, com a maioria das aplicações já a apontar para a nova plataforma como principal.
- Cortar definitivamente e desativar a antiga. Revogar tokens antigos, remover conectores obsoletos e fechar contas administrativas da plataforma anterior.
- Otimizar políticas com base em telemetria. Ajustar regras de acesso condicional e MFA adaptativa com base no comportamento real observado após a migração.
O tempo necessário varia muito consoante a dimensão da organização: projetos pequenos, com dezenas de aplicações, podem ficar concluídos em poucas semanas, enquanto organizações grandes, com centenas ou milhares de aplicações e requisitos de governança complexos, tendem a precisar de vários meses até ao corte definitivo. Vale a pena orçamentar tempo extra para lidar com aplicações legadas que só suportam protocolos de autenticação mais antigos, como WS-Federation, que costumam ser o ponto mais lento de qualquer migração.
Segurança e conformidade: OWASP, NIST e o contexto europeu
Do ponto de vista de conformidade, tanto o Okta como o Entra ID ajudam a cumprir controlos recomendados pela lista OWASP Top 10, nomeadamente na categoria de falhas de identificação e autenticação, através de MFA obrigatória e políticas de bloqueio de sessões suspeitas. As diretrizes de autenticação digital do NIST SP 800-63B recomendam explicitamente o afastamento de SMS como único fator de MFA, e ambas as plataformas já suportam alternativas mais fortes baseadas em FIDO2.
No contexto europeu, a Comissão Europeia tem avançado com o quadro da carteira de identidade digital europeia (EUDI Wallet), que a prazo poderá interagir com fornecedores de identidade empresarial como o Okta e o Entra ID para verificação de atributos de cidadãos, segundo a estratégia digital da Comissão Europeia. Empresas em Portugal sujeitas ao regime de cibersegurança do NIS2 devem ainda garantir que qualquer plataforma de identidade escolhida suporta registos de auditoria detalhados, um requisito comum em auditorias de conformidade.
Veredito: qual escolher em 2026
Não há vencedor absoluto nesta comparação, mas há uma resposta clara consoante o ponto de partida da organização. Se a empresa já é cliente do Microsoft 365 E3 ou E5 e tem uma frota maioritariamente Windows, o Entra ID ganha por custo marginal quase sempre mais baixo e integração nativa que poupa horas de configuração. O plano Free já resolve casos simples, e o salto para P1 ou P2 custa uma fração do que custaria contratar Okta a partir do zero.
Se a empresa é multi-cloud, tem um catálogo grande e heterogéneo de aplicações SaaS, ou valoriza uma pontuação de facilidade de uso mais alta (9,3 contra 8,8 no G2), o Okta justifica o custo adicional. A neutralidade face a qualquer fornecedor de cloud tem valor próprio para quem não quer ficar preso a um único ecossistema, e o catálogo de integrações prontas reduz o trabalho de configuração manual em ambientes complexos.
Para equipas indecisas, a recomendação prática é simples: se mais de 70% das aplicações da empresa já vivem dentro do universo Microsoft, o Entra ID resolve o problema sem custo adicional relevante. Se esse número for mais baixo, vale a pena orçamentar o Okta e comparar o custo total a três anos, incluindo o tempo de configuração poupado pelo catálogo de integrações.
Perguntas frequentes
O Okta é mais caro do que o Microsoft Entra ID?
Em planos de entrada, sim: o Okta começa em 6 USD por utilizador ao mês sem nível gratuito, enquanto o Entra ID oferece um plano Free incluído no Microsoft 365. Em planos intermédios e avançados, o Entra ID também tende a ficar mais barato (6 a 10 USD por utilizador ao mês contra 14 a 17 USD do Okta), mas o cálculo muda se a empresa não tiver já licenças Microsoft 365 que absorvam parte do custo.
É possível usar Okta e Microsoft Entra ID ao mesmo tempo?
Sim, é uma configuração comum durante migrações ou em empresas resultantes de fusões, onde uma unidade de negócio usa uma plataforma e outra usa a segunda. Ambas suportam federação entre si via SAML ou OIDC, mas manter as duas em produção a longo prazo aumenta a complexidade administrativa e o risco de políticas de segurança inconsistentes.
Qual das duas plataformas é mais fácil de usar?
Segundo as avaliações do G2, o Okta pontua mais alto em facilidade de uso (9,3 contra 8,8 do Entra ID, com centenas de avaliações em cada caso). Isto reflete sobretudo a experiência de administração do dia a dia, não necessariamente a experiência do utilizador final ao fazer login.
O Entra ID substitui completamente o Active Directory tradicional?
Não necessariamente. Muitas organizações mantêm um Active Directory on-premises e sincronizam-no com o Entra ID via Entra Connect, num modelo híbrido. Substituir totalmente o AD tradicional exige migrar aplicações legadas que dependem de protocolos como Kerberos, o que nem sempre é viável a curto prazo.
Quanto tempo demora uma migração entre as duas plataformas?
Depende do número de aplicações e utilizadores. Organizações pequenas, com dezenas de aplicações, conseguem migrar em poucas semanas. Organizações grandes, com centenas de aplicações e requisitos de governança complexos, tendem a precisar de vários meses até ao corte definitivo da plataforma anterior.
Ambas as plataformas suportam passkeys?
Sim. O Okta suporta FIDO2/WebAuthn e passkeys nos seus planos com MFA adaptativa. O Entra ID suporta passkeys nativamente através do Windows Hello for Business e do Microsoft Authenticator, com a Microsoft a promover ativamente a adoção de autenticação sem palavra-passe nos últimos trimestres.
Qual das duas plataformas cumpre melhor os requisitos do NIS2 em Portugal?
Nenhuma das duas garante conformidade por si só. O NIS2 exige controlos de acesso, registos de auditoria e MFA, todos suportados por ambas as plataformas nos planos pagos com funcionalidades de governança. A escolha entre uma e outra não substitui a necessidade de a empresa documentar as suas próprias políticas de acesso e de resposta a incidentes.
Vale a pena contratar um plano Enterprise do Okta ou Entra Suite da Microsoft desde o início?
Normalmente não. Os planos mais avançados de ambas as plataformas incluem funcionalidades de governança e deteção de ameaças que só compensam o custo em organizações com centenas de utilizadores e requisitos de conformidade específicos. Empresas mais pequenas tendem a ficar bem servidas pelos planos intermédios (Core Essentials no Okta, P1 no Entra ID) durante os primeiros anos.
Okta e Microsoft Entra ID já foram alvo de incidentes de segurança?
Como qualquer fornecedor de identidade de grande escala, ambas as empresas já divulgaram incidentes de segurança ao longo dos anos, incluindo compromissos de sistemas de suporte e campanhas de roubo de tokens documentadas pela própria Microsoft no seu blogue de resposta a incidentes. Isto não torna nenhuma das plataformas inerentemente menos segura, mas reforça a importância de configurar corretamente o acesso condicional, rever regularmente sessões ativas e nunca depender apenas de um único fator de autenticação para contas administrativas.
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Para mais análises sobre autenticação, gestão de acesso e proteção de contas, consulte a secção de segurança do shattered.io.




