Escolher uma VPN em 2026 deixou de ser uma questão de marketing e passou a ser uma decisão técnica. As três marcas que dominam as pesquisas em Portugal, NordVPN, ProtonVPN e Surfshark, oferecem encriptação AES-256, protocolo WireGuard e, pela primeira vez, proteção pós-quântica ativada por defeito. A diferença está nos pormenores: a Surfshark custa cerca de 1,99 €/mês num plano de dois anos e permite dispositivos ilimitados, a NordVPN gere mais de 9400 servidores e lidera os testes de velocidade, e a ProtonVPN é a única com camada gratuita e sede na Suíça.

Este artigo compara as três com dados atuais de 2025-2026: preços, benchmarks de velocidade de três fontes independentes, auditorias de no-logs, jurisdição e funcionalidades de segurança. No fim, encontra um veredicto claro por perfil de utilizador e um guia de migração passo a passo. Se procura a resposta rápida: a Surfshark vence em preço, a NordVPN em velocidade e a ProtonVPN em transparência e privacidade. A escolha certa depende do que valoriza.

NordVPN vs ProtonVPN vs Surfshark: comparação rápida

Antes de entrar nos detalhes, a tabela seguinte resume as 13 especificações que mais pesam na decisão. Todos os valores refletem os planos e infraestrutura ativos no primeiro semestre de 2026. As três VPNs partilham a base técnica essencial, encriptação AES-256 em OpenVPN e ChaCha20 em WireGuard, mas divergem em rede, jurisdição e modelo de preços.

EspecificaçãoNordVPNProtonVPNSurfshark
Sede / JurisdiçãoPanamáSuíçaPaíses Baixos / Malta
Servidores9400+20 000+ (pagos)4500+
Países167+145+100+
Preço (plano 2 anos)~3,09 €/mês~3,00 €/mês~1,99 €/mês
Dispositivos em simultâneo1010Ilimitados
ProtocolosNordLynx, OpenVPN, IKEv2WireGuard, OpenVPN, IKEv2WireGuard, OpenVPN
Servidores só em RAMSimParcialSim (toda a rede)
Camada gratuitaNãoSimNão
Encriptação pós-quânticaSim (NordLynx)SimSim (ML-KEM)
Bloqueador de anúncios/ameaçasThreat ProtectionNetShieldCleanWeb
Tor sobre VPNSimSim (Secure Core)Não
Garantia de reembolso30 dias30 dias30 dias
Gestor de palavras-passeIncluído (NordPass)Incluído (Proton Pass)Incluído
Comparação de especificações principais, dados de 2026. Preços indicativos convertidos de USD; consulte cada fornecedor para o valor final em euros.

A leitura desta tabela já revela três perfis distintos. A NordVPN aposta na escala e na velocidade do seu protocolo proprietário NordLynx. A ProtonVPN constrói tudo à volta da privacidade e da transparência, herdadas da equipa que criou o Proton Mail na Suíça. A Surfshark joga a carta do preço agressivo e dos dispositivos ilimitados, ideal para famílias e pequenas equipas. As secções seguintes aprofundam cada eixo com números verificados.

Preços em 2026: quanto custa cada VPN

O preço é, para a maioria dos utilizadores portugueses, o fator decisivo. As três marcas seguem o mesmo modelo: planos longos muito baratos por mês, planos mensais caros. A diferença real surge na renovação, quando os descontos de primeira subscrição desaparecem. A tabela abaixo apresenta os valores promocionais convertidos de dólares para euros a uma taxa aproximada de 0,93 €/USD. Estes números servem de referência; cada fornecedor cobra clientes da zona euro diretamente em euros, com pequenas variações.

PlanoNordVPNProtonVPNSurfshark
Mensal~12,99 €/mês~9,99 €/mês~15,45 €/mês
1 ano~4,99 €/mês~3,99 €/mês~3,19 €/mês
2 anos (mensal)~3,09 €/mês~3,00 €/mês~1,99 €/mês
Custo total 2 anos~77 €~67 €~50 €
Garantia reembolso30 dias30 dias30 dias
Camada gratuitaNãoSim (ilimitada em dados)Não
Preços indicativos de 2026. Os valores mensais sobem na renovação. Verifique sempre o site oficial antes de subscrever.

A Surfshark é claramente a mais barata no compromisso de dois anos, com um custo total próximo de 50 € para 24 ou 27 meses, consoante a promoção. A ProtonVPN posiciona-se ao meio, mas oferece algo que nenhuma outra oferece: uma camada gratuita sem limite de dados, ainda que com menos servidores e velocidade reduzida. A NordVPN é a mais cara das três no plano longo, embora a diferença mensal seja inferior a um café por mês face à ProtonVPN.

Um aviso importante sobre renovações: todos estes preços assumem que paga vários anos adiantados. Quem subscreve um plano mensal paga entre três e cinco vezes mais. A NordVPN e a Surfshark renovam os planos longos a tarifas mais altas no segundo ciclo, por isso convém anotar a data de renovação. A garantia de 30 dias aplica-se às três e funciona sem perguntas, o que permite testar a rede em condições reais antes de assumir o compromisso.

Velocidade e desempenho: benchmarks de três fontes

A velocidade é onde as VPNs se separam na prática. Com o WireGuard a tornar-se padrão, a perda de velocidade caiu drasticamente face aos tempos do OpenVPN. A nossa própria análise comparativa entre WireGuard e OpenVPN registou 892 contra 222 Mbps, o que explica por que razão as três marcas adotaram variantes de WireGuard como protocolo principal. A tabela seguinte reúne resultados de três fontes independentes para enquadrar o desempenho.

VPNPerda de velocidade reportadaFonte
NordVPN~5,06% de perda médiaPCMag (2025)
NordVPN~2,9% de perda em download, 800+ MbpsCNET / West Coast Labs (2025)
NordVPNQueda de 10-15% em downloadCloudwards (2025)
ProtonVPNRetenção elevada via WireGuard, atrás da NordVPNAnálises comparativas (2025-2026)
SurfsharkVelocidade competitiva, ligeiramente abaixo no streamingAnálises comparativas (2025-2026)
Resultados de velocidade reportados por revisores independentes. Os valores variam com a localização, o servidor e a hora do dia.

O padrão é consistente em quase todas as análises: a NordVPN é a mais rápida das três. A PCMag mediu uma perda média de cerca de 5% face à velocidade base, e os testes da West Coast Labs citados pela CNET registaram mais de 800 Mbps em ligações de alta velocidade, com apenas 2,9% de perda em download. A Cloudwards, num teste mais exigente, reportou quedas de 10 a 15%, ainda assim plenamente funcionais para 4K e jogos.

A ProtonVPN melhorou muito desde que adotou o WireGuard e a sua função VPN Accelerator, mantendo velocidades altas em servidores próximos, embora fique tipicamente atrás da NordVPN em distâncias longas. A Surfshark oferece velocidade competitiva no dia a dia, mas vários revisores notam que perde algum terreno no desbloqueio de streaming face à NordVPN. Para a maioria dos utilizadores em Portugal, com ligações de fibra de 500 Mbps a 1 Gbps, qualquer das três satisfaz navegação, videochamadas e streaming sem fricção percetível. A diferença torna-se relevante apenas em ligações a servidores intercontinentais ou em transferências muito grandes.

Vale a pena testar você mesmo. A garantia de 30 dias permite correr um teste de velocidade em servidores de Lisboa, Madrid, Londres e Frankfurt antes de decidir. A latência para servidores europeus a partir de Portugal costuma ficar abaixo de 40 ms nas três marcas, o que é suficiente para jogos online competitivos.

Servidores e cobertura geográfica

A dimensão da rede afeta tanto a velocidade, por distribuição de carga, como a capacidade de aceder a conteúdos geo-restritos. Aqui os números contam uma história curiosa. A ProtonVPN anuncia mais de 20 000 servidores na sua rede paga, à frente dos 9400 da NordVPN e dos 4500 da Surfshark. Mas o número bruto engana: muitos servidores da ProtonVPN são virtuais ou de menor capacidade, enquanto a NordVPN distribui a carga por servidores físicos de alta largura de banda.

Na cobertura por país, a NordVPN lidera com mais de 167 países, seguida da ProtonVPN com 145 e da Surfshark com mais de 100. Para um utilizador português, o que importa é a presença em mercados próximos e populares: Espanha, Reino Unido, Alemanha, França e Estados Unidos. As três cobrem estes destinos com folga e oferecem servidores em Portugal, o que ajuda a manter velocidades altas para tráfego doméstico que precise de uma camada de encriptação.

Servidores só em RAM e infraestrutura

A arquitetura dos servidores é um ponto técnico subestimado. A NordVPN e a Surfshark operam a totalidade da rede em servidores que correm apenas em RAM, sem discos rígidos. Quando um servidor reinicia, todos os dados desaparecem, o que torna fisicamente impossível a apreensão de registos persistentes. A Surfshark foi das primeiras a converter toda a infraestrutura para este modelo, e a NordVPN seguiu o mesmo caminho. A ProtonVPN usa uma abordagem diferente, com encriptação de disco completo nos seus servidores, uma proteção sólida mas conceptualmente distinta do modelo só-RAM.

Para quem prioriza a resistência a apreensões físicas e a ordens judiciais, o modelo só em RAM da NordVPN e da Surfshark oferece uma garantia técnica mais forte. Combinado com jurisdições fora das alianças de partilha de informações, reduz drasticamente a superfície de exposição de dados.

Segurança e encriptação: AES-256, ChaCha20 e pós-quântica

No núcleo criptográfico, as três VPNs estão alinhadas com as melhores práticas. Em OpenVPN e IKEv2 usam AES-256, o mesmo padrão adotado por governos e bancos. No WireGuard e nas suas variantes, recorrem à cifra ChaCha20 com autenticação Poly1305, mais leve e rápida em dispositivos móveis. Se quer perceber por que estas escolhas importam, a nossa explicação sobre HTTPS e TLS cobre os mesmos primitivos criptográficos que protegem o seu tráfego.

A grande novidade de 2025-2026 é a encriptação resistente a computadores quânticos. Com o avanço dos algoritmos de Shor e a normalização dos esquemas pós-quânticos pelo NIST, as três marcas anunciaram suporte para criptografia que resiste a ataques de futuros computadores quânticos. A NordVPN integrou proteção pós-quântica no NordLynx, a Surfshark adotou o esquema ML-KEM (Kyber), e a ProtonVPN estendeu a proteção pós-quântica aos seus túneis. Este é um passo defensivo contra ataques do tipo “armazenar agora, decifrar depois”, em que um adversário guarda tráfego encriptado hoje para o decifrar quando tiver um computador quântico capaz.

O protocolo NordLynx da NordVPN merece nota. É uma implementação personalizada do WireGuard que resolve uma fraqueza de privacidade do protocolo original, o armazenamento de endereços IP estáticos no servidor, através de um sistema de NAT duplo. O resultado é a velocidade do WireGuard sem o compromisso de privacidade. A ProtonVPN usa WireGuard padrão complementado com a função Secure Core, que encaminha o tráfego por múltiplos servidores em jurisdições seguras antes de sair para a internet. A Surfshark usa WireGuard direto com a sua camada de funcionalidades CleanWeb por cima.

Para o utilizador final, a diferença prática entre estes esquemas é mínima em segurança bruta: as três são extremamente seguras. A distinção está nas garantias arquiteturais e na transparência, onde a ProtonVPN tem vantagem por publicar o código das suas aplicações em código aberto e submeter-se a auditorias frequentes.

Política de no-logs e auditorias independentes

Uma VPN só vale a confiança que merece. A promessa de “sem registos” é fácil de escrever num site e difícil de provar. Por isso as auditorias independentes são o critério mais importante para avaliar a credibilidade de uma política de no-logs. As três marcas submeteram-se a auditorias por firmas externas, mas com históricos diferentes em profundidade e frequência.

A NordVPN tem um dos historiais mais longos, com auditorias de no-logs realizadas por firmas como a Cure53 e a PwC, e auditorias de segurança aplicacional repetidas ao longo dos anos. A ProtonVPN beneficia da herança de transparência do grupo Proton: publica relatórios de transparência, mantém as aplicações em código aberto e submete-se a auditorias externas regulares, com os resultados disponíveis publicamente. A Surfshark foi auditada por firmas independentes, incluindo verificações da sua infraestrutura só-RAM e da política de no-logs, com a Deloitte entre os auditores que validaram as suas práticas.

Nenhuma das três registou uma violação de dados comprovada que tenha exposto a atividade de utilizadores em 2025 ou 2026. Em testes reais perante tribunais e pedidos de autoridades, a estrutura sem registos da NordVPN e da ProtonVPN já demonstrou que, simplesmente, não há dados de atividade para entregar. Para quem leva a privacidade a sério, a recomendação é clara: prefira uma VPN auditada de forma recente e recorrente, e desconfie de qualquer fornecedor que nunca tenha aberto a infraestrutura a verificação externa. A transparência da ProtonVPN, aliada ao código aberto, dá-lhe a melhor pontuação neste critério.

Jurisdição e privacidade: Panamá, Suíça e Malta

O país onde uma empresa de VPN está sediada determina que leis a obrigam a guardar ou entregar dados. Este é um dos eixos onde as três marcas tomaram decisões deliberadas e diferentes. A NordVPN está sediada no Panamá, fora das alianças de partilha de informações conhecidas como os “Catorze Olhos” e sem leis de retenção obrigatória de dados. A ProtonVPN opera a partir da Suíça, um país com legislação de privacidade robusta e tradição de neutralidade. A Surfshark mudou a sua base operacional para os Países Baixos, com estrutura legal em Malta, dentro da União Europeia.

A jurisdição da Surfshark dentro da UE tem dois lados. Por um lado, beneficia das proteções do RGPD, o regulamento europeu de proteção de dados que dá aos utilizadores direitos fortes. Por outro, os Países Baixos fazem parte da aliança de partilha de informações, o que alguns puristas da privacidade veem como desvantagem. Na prática, uma VPN sem registos não tem dados para partilhar, independentemente da jurisdição, mas a sede ainda importa para o pior cenário possível.

Para utilizadores em Portugal, a presença da Surfshark na UE pode ser tranquilizadora do ponto de vista regulamentar, sobretudo no contexto das novas regras de cibersegurança europeias. Recomendamos a leitura da nossa análise sobre o regime NIS2 em Portugal para entender como a legislação europeia molda o panorama. Para quem quer máxima distância de qualquer aliança de vigilância, o Panamá da NordVPN ou a Suíça da ProtonVPN oferecem o perfil jurisdicional mais defensivo.

Funcionalidades de segurança avançadas

Para além do túnel encriptado, cada VPN inclui um conjunto de ferramentas de segurança que diferenciam a experiência. O interruptor de emergência, ou kill switch, está presente nas três e corta a ligação à internet se a VPN cair, evitando fugas de IP. A funcionalidade Double VPN, que encadeia o tráfego por dois servidores, também existe nas três, embora com nomes diferentes.

O bloqueador de ameaças é onde se vê mais variação. A NordVPN inclui o Threat Protection, que bloqueia anúncios, rastreadores e domínios maliciosos, além de analisar ficheiros descarregados em busca de malware. A ProtonVPN oferece o NetShield, que bloqueia anúncios, rastreadores e malware ao nível do DNS. A Surfshark inclui o CleanWeb, com função semelhante. Estes filtros reduzem a exposição a domínios de phishing e engenharia social, uma das vias de ataque mais comuns. Um bom bloqueador de DNS complementa, mas não substitui, hábitos de segurança sólidos.

A NordVPN e a ProtonVPN oferecem ainda Tor sobre VPN, encaminhando o tráfego pela rede Tor para anonimato adicional. A ProtonVPN reforça isto com o Secure Core, uma camada de servidores em bunkers na Suíça, Islândia e Suécia. A Surfshark não oferece Tor sobre VPN, mas compensa com funcionalidades como o Camuflage Mode, que disfarça o tráfego VPN como tráfego normal, útil em redes restritivas. As três incluem hoje um gestor de palavras-passe no ecossistema, NordPass, Proton Pass e o gestor da Surfshark, reforçando a postura de segurança para além da VPN. Para perceber por que um gestor é essencial, veja o nosso guia de segurança de palavras-passe.

Streaming, Netflix e torrents

Para muitos utilizadores, a VPN serve sobretudo para aceder a catálogos de streaming de outros países e para descarregar torrents com privacidade. Aqui a NordVPN tem a reputação de melhor desbloqueador, desbloqueando de forma fiável o Netflix dos Estados Unidos, Reino Unido e dezenas de outras regiões, além de Disney+, HBO Max e BBC iPlayer. A consistência é o seu trunfo: raramente encontra a temida mensagem de erro de proxy.

A ProtonVPN melhorou bastante o desbloqueio de streaming e hoje acede ao Netflix e à maioria das plataformas a partir dos seus servidores Plus, embora alguns revisores a coloquem um degrau abaixo da NordVPN. A Surfshark desbloqueia o Netflix e os principais serviços, mas vários testes notam que não é tão consistente quanto a NordVPN nas regiões mais difíceis. Para streaming como prioridade absoluta, a NordVPN é a aposta mais segura.

No capítulo dos torrents, as três suportam P2P e oferecem servidores otimizados para o efeito, com kill switch e, em alguns casos, encaminhamento por porta. A privacidade durante o torrenting depende criticamente de um kill switch funcional e de uma política de no-logs comprovada, requisitos que as três cumprem. A Surfshark, com os seus dispositivos ilimitados, é particularmente atraente para quem corre clientes de torrent em múltiplas máquinas de uma casa.

Dispositivos em simultâneo e planos familiares

Este é o ponto onde a Surfshark se destaca de forma decisiva. Enquanto a NordVPN e a ProtonVPN limitam as ligações simultâneas a 10 dispositivos, a Surfshark permite ligações ilimitadas com uma única subscrição. Para uma família de quatro pessoas com telemóveis, portáteis, tablets, smart TVs e routers, essa diferença muda completamente a equação de valor.

Dez dispositivos chega para um indivíduo ou um casal sem problemas, mas esgota-se rápido num agregado familiar moderno. Imagine: dois telemóveis, dois portáteis, um tablet, uma smart TV e uma consola já fazem sete. Adicione um router configurado com a VPN, que conta como um dispositivo mas protege toda a rede doméstica, e a margem aperta. A Surfshark elimina por completo esta preocupação. É a razão pela qual recomendamos a Surfshark para famílias e para quem partilha a subscrição.

Configurar a VPN ao nível do router é uma estratégia que vale para as três, pois protege dispositivos que não suportam aplicações nativas, como algumas smart TVs e dispositivos de domótica. Neste cenário, o router conta como uma única ligação, o que torna o limite de 10 da NordVPN e da ProtonVPN mais gerível. Ainda assim, para quem quer flexibilidade total sem contar dispositivos, as ligações ilimitadas da Surfshark são imbatíveis.

O que dizem os especialistas e revisores

O consenso entre publicações técnicas de referência é notavelmente estável. A Cloudwards, num dos seus testes de 2025, colocou a NordVPN no topo pela combinação de velocidade e capacidade de desbloqueio, descrevendo a sua perda de velocidade como mínima e o desempenho global como “muito bom”. A PCMag, nas suas análises mais recentes, destaca a NordVPN pela velocidade e pelo conjunto de funcionalidades, citando uma perda média de cerca de 5%.

A TechRadar e a Comparitech sublinham frequentemente a posição da ProtonVPN como a escolha dos puristas da privacidade, graças ao código aberto, às auditorias e à jurisdição suíça. A herança do Proton Mail, criado por cientistas associados ao CERN, dá à marca uma credibilidade técnica que poucos concorrentes igualam. Vários revisores apontam a ProtonVPN como a melhor opção para jornalistas, ativistas e qualquer pessoa cujo modelo de ameaça inclua adversários poderosos.

Quanto à Surfshark, o veredicto recorrente das publicações é o de melhor relação qualidade-preço. Os revisores elogiam de forma quase unânime os dispositivos ilimitados e o preço agressivo, posicionando-a como a porta de entrada ideal para quem usa uma VPN pela primeira vez. A nota crítica mais comum é que o desbloqueio de streaming e a velocidade em servidores distantes ficam um degrau abaixo da NordVPN. No conjunto, a comunidade técnica trata as três como produtos de topo, divergindo apenas em qual otimizar: velocidade, privacidade ou preço.

Casos de uso reais: cinco cenários

A escolha certa muda conforme a utilização. Estes cinco cenários reais ilustram como cada VPN brilha em contextos diferentes, com base nas suas forças documentadas.

  • Teletrabalhador em Wi-Fi público: um consultor que trabalha de cafés e aeroportos precisa de encriptação fiável e de um kill switch sólido. A NordVPN, com o Threat Protection a bloquear domínios maliciosos e a velocidade do NordLynx, mantém videochamadas estáveis mesmo em redes congestionadas.
  • Família de cinco pessoas: com telemóveis, portáteis, tablets e smart TVs, o limite de 10 dispositivos esgota-se. A Surfshark, com ligações ilimitadas a cerca de 1,99 €/mês, cobre toda a casa por menos do que custa uma subscrição individual da concorrência.
  • Jornalista ou investigador de fontes sensíveis: aqui o modelo de ameaça é elevado. A ProtonVPN, com sede na Suíça, código aberto, Secure Core e Tor sobre VPN, oferece o perfil de privacidade mais defensivo das três.
  • Adepto de streaming internacional: quem quer aceder a catálogos do Netflix dos EUA, BBC iPlayer e HBO Max precisa de desbloqueio consistente. A NordVPN é a mais fiável a contornar bloqueios de VPN.
  • Estudante com orçamento apertado: a camada gratuita da ProtonVPN, sem limite de dados, é única no mercado e suficiente para navegação segura. Quando o orçamento permitir, a Surfshark oferece o salto pago mais barato.

Estes cenários mostram que não existe uma “melhor VPN” universal, apenas a melhor VPN para um perfil. Um adepto de torrents numa casa cheia de dispositivos terá necessidades opostas às de um ativista sob vigilância. A boa notícia é que as três marcas oferecem garantia de 30 dias, o que torna a experimentação livre de risco financeiro.

Recomendações por perfil de utilizador

Sintetizando tudo o que vimos, aqui ficam recomendações concretas para os perfis mais comuns em Portugal. Use-as como atalho de decisão.

  • Quer a melhor velocidade e desbloqueio de streaming: escolha a NordVPN. Lidera os benchmarks de velocidade e desbloqueia conteúdos de forma mais consistente.
  • Quer o melhor preço e dispositivos ilimitados: escolha a Surfshark. Cerca de 1,99 €/mês no plano de dois anos e ligações sem limite cobrem famílias inteiras.
  • Quer máxima privacidade e transparência: escolha a ProtonVPN. Código aberto, sede na Suíça, auditorias frequentes e Secure Core.
  • Quer testar uma VPN sem pagar: escolha a camada gratuita da ProtonVPN, a única sem limite de dados.
  • Quer proteger toda a rede doméstica via router: as três funcionam, mas as ligações ilimitadas da Surfshark dão mais margem para dispositivos adicionais.
  • Quer um ecossistema de segurança completo: a NordVPN, com NordPass, armazenamento encriptado e Threat Protection, oferece o pacote mais alargado para além da VPN.

Aplicações, plataformas e facilidade de uso

Uma VPN tecnicamente brilhante não vale nada se a aplicação for confusa. As três marcas oferecem clientes nativos para Windows, macOS, Linux, Android, iOS e extensões de navegador para Chrome e Firefox, além de suporte para configuração em routers. A diferença está no polimento e na curva de aprendizagem. A NordVPN e a Surfshark têm interfaces visuais com mapa interativo, pensadas para que qualquer pessoa se ligue com um clique. A ProtonVPN, por herança da sua orientação técnica, expõe mais opções de configuração, o que agrada a utilizadores avançados mas pode intimidar quem chega de novo.

Em termos de compatibilidade alargada, as três suportam Android TV e Amazon Fire TV Stick com aplicações dedicadas, o que facilita o streaming em televisão. A configuração ao nível do router, útil para proteger toda a casa e dispositivos sem aplicação nativa, está documentada para as três, embora exija algum conhecimento técnico. A Surfshark, com os seus dispositivos ilimitados, é a que melhor recompensa quem investe nessa configuração, já que pode cobrir cada ecrã da casa sem contar ligações.

A função de divisão de túnel, ou split tunneling, que permite escolher que aplicações passam pela VPN e quais usam a ligação direta, está presente nas três no Windows e no Android, com limitações conhecidas no macOS e no iOS por restrições do sistema operativo. Para quem usa banca online portuguesa, que por vezes bloqueia ligações de IPs estrangeiros, esta função é prática: mantém o tráfego bancário fora do túnel enquanto protege o resto. No conjunto, a Surfshark e a NordVPN ganham pontos pela simplicidade, e a ProtonVPN pela profundidade de configuração para quem a procura.

Guia de migração: mudar de VPN sem dores

Se já usa uma VPN e quer mudar para outra das três, o processo é simples mas vale a pena fazê-lo de forma ordenada para evitar fugas de dados durante a transição. Siga estes passos.

  1. Subscreva a nova VPN antes de cancelar a antiga. Aproveite a garantia de 30 dias para testar a nova rede em paralelo. Nunca fique sem proteção durante a mudança.
  2. Teste a velocidade e o desbloqueio. Antes de assumir o compromisso, corra testes nos servidores que usa mais, Lisboa, Madrid, Londres e os destinos de streaming que lhe interessam.
  3. Desinstale completamente a VPN antiga. Duas aplicações VPN ativas em simultâneo causam conflitos de rede. Remova a antiga, incluindo eventuais drivers de TAP que tenha deixado.
  4. Instale a nova aplicação e ative o kill switch. Verifique nas definições que o interruptor de emergência está ligado antes de qualquer utilização sensível.
  5. Confirme que não há fugas. Use uma ferramenta de teste de fugas de IP e de DNS para confirmar que o seu IP real e os seus pedidos de DNS não escapam ao túnel.
  6. Configure o protocolo certo. Selecione WireGuard, NordLynx ou a variante equivalente para velocidade máxima. Reserve o OpenVPN para redes restritivas que bloqueiem o WireGuard.
  7. Reconfigure dispositivos e router. Se protegia o router com a VPN antiga, reconfigure-o com a nova. Migre as ligações de smart TVs e consolas.
  8. Cancele a VPN antiga e peça reembolso, se aplicável. Só depois de confirmar que a nova funciona em todos os seus dispositivos.

O passo mais negligenciado é o teste de fugas. Uma VPN mal configurada pode deixar escapar pedidos de DNS para o seu fornecedor de internet, anulando grande parte da privacidade. As aplicações modernas das três marcas ativam proteção contra fugas de DNS por defeito, mas confirmar nunca é demais, sobretudo se usar configurações manuais.

Prós e contras de cada VPN

NordVPN

Prós: a mais rápida nos benchmarks, com perda de velocidade de cerca de 5% segundo a PCMag; desbloqueio de streaming líder; protocolo NordLynx com privacidade reforçada; servidores só em RAM; jurisdição no Panamá; ecossistema de segurança completo com NordPass; histórico longo de auditorias. Contras: a mais cara no plano de dois anos; limite de 10 dispositivos; sem camada gratuita; renovações a preços mais altos.

ProtonVPN

Prós: a única com camada gratuita sem limite de dados; sede na Suíça; código aberto e auditado; Secure Core e Tor sobre VPN; transparência exemplar; rede paga muito vasta. Contras: velocidade ligeiramente abaixo da NordVPN em distâncias longas; desbloqueio de streaming um degrau atrás; limite de 10 dispositivos; interface menos polida para iniciantes.

Surfshark

Prós: o preço mais baixo, cerca de 1,99 €/mês; dispositivos ilimitados; toda a rede só em RAM; encriptação pós-quântica ML-KEM; CleanWeb e Camuflage Mode; jurisdição na UE com proteções do RGPD. Contras: rede de servidores mais pequena; desbloqueio e velocidade um pouco abaixo da NordVPN; sem Tor sobre VPN; sem camada gratuita.

Veredicto final: qual escolher em 2026

Depois de pesar preço, velocidade, privacidade e funcionalidades, o veredicto é claro mas depende do que valoriza. Não há uma vencedora absoluta, há a vencedora certa para si.

A NordVPN é a melhor VPN global. Se quer a opção que faz tudo bem, lidera em velocidade, desbloqueia mais conteúdos e tem o ecossistema mais completo, é a escolha de menor risco. Paga um pouco mais, mas recebe o pacote mais equilibrado do mercado. Para a maioria dos utilizadores que querem simplesmente a melhor experiência sem pensar muito, é a recomendação principal.

A Surfshark é a melhor relação qualidade-preço. A cerca de 1,99 €/mês com dispositivos ilimitados, oferece 90% do que a NordVPN dá por metade do preço e sem limite de ligações. Para famílias, estudantes e quem entra agora no mundo das VPNs, é difícil de bater. As perdas face à NordVPN, velocidade e desbloqueio ligeiramente inferiores, são pequenas para o utilizador comum.

A ProtonVPN é a melhor para privacidade. Se a privacidade é a sua prioridade absoluta, o código aberto, a sede suíça, as auditorias frequentes e a camada gratuita fazem dela a escolha dos puristas. Para jornalistas, ativistas e qualquer pessoa com um modelo de ameaça elevado, a transparência da ProtonVPN não tem rival entre as três. A leitura sobre violações de dados ajuda a perceber por que esta camada de proteção importa cada vez mais. Para um enquadramento mais amplo, veja a nossa explicação sobre segurança online.

Em resumo: NordVPN para velocidade e versatilidade, Surfshark para preço e dispositivos ilimitados, ProtonVPN para privacidade e transparência. As três são produtos de topo, auditados e com encriptação pós-quântica. Qualquer das três representa um salto enorme face a navegar sem proteção. Aproveite a garantia de 30 dias para testar antes de decidir.

Perguntas Frequentes

Qual é a VPN mais rápida em 2026?

A NordVPN lidera consistentemente os benchmarks de velocidade. A PCMag mediu cerca de 5% de perda média face à velocidade base, e os testes da West Coast Labs citados pela CNET registaram mais de 800 Mbps. O seu protocolo NordLynx, baseado em WireGuard, é o principal responsável por este desempenho.

Qual é a VPN mais barata das três?

A Surfshark é a mais barata, com um plano de dois anos a cerca de 1,99 €/mês e dispositivos ilimitados. A ProtonVPN oferece ainda uma camada gratuita sem limite de dados, ideal para quem não quer pagar nada.

As três VPNs guardam registos da minha atividade?

Não. As três operam políticas de no-logs verificadas por auditorias independentes. A NordVPN foi auditada pela Cure53 e pela PwC, a ProtonVPN publica relatórios de transparência e mantém código aberto, e a Surfshark foi auditada por firmas como a Deloitte. Nenhuma guarda registos da sua atividade online.

Qual tem melhor privacidade: Panamá, Suíça ou Malta?

Tanto o Panamá da NordVPN como a Suíça da ProtonVPN ficam fora das principais alianças de partilha de informações e não têm leis de retenção obrigatória de dados. A Surfshark opera com estrutura na UE, beneficiando do RGPD mas dentro de uma aliança de partilha. Para máxima privacidade jurisdicional, a ProtonVPN na Suíça é a escolha preferida dos especialistas.

Estas VPNs já têm encriptação pós-quântica?

Sim. As três introduziram proteção resistente a computadores quânticos em 2025-2026. A NordVPN integrou-a no NordLynx, a Surfshark adotou o esquema ML-KEM normalizado pelo NIST, e a ProtonVPN estendeu a proteção pós-quântica aos seus túneis. Isto defende contra ataques do tipo “armazenar agora, decifrar depois”.

Qual VPN é melhor para Netflix e streaming?

A NordVPN é a mais fiável a desbloquear o Netflix dos EUA, BBC iPlayer, HBO Max e outras plataformas. A ProtonVPN melhorou muito e acede à maioria dos serviços nos servidores Plus, enquanto a Surfshark desbloqueia os principais serviços com consistência ligeiramente inferior nas regiões mais difíceis.

Quantos dispositivos posso ligar em simultâneo?

A NordVPN e a ProtonVPN permitem 10 dispositivos em simultâneo. A Surfshark permite ligações ilimitadas com uma única subscrição, o que a torna a melhor opção para famílias e para quem tem muitos dispositivos.

Vale a pena usar a camada gratuita da ProtonVPN?

Sim, para navegação básica e segura. É a única camada gratuita do mercado sem limite de dados, embora com menos servidores e velocidade reduzida face aos planos pagos. Para streaming, torrents ou velocidade máxima, precisa de um plano pago.

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