Em julho de 2024, uma atualização de conteúdo com defeito da CrowdStrike paralisou cerca de 8,5 milhões de dispositivos Windows em todo o mundo e só à Delta Air Lines custou entre 500 e 550 milhões de dólares. Dois anos depois, a CrowdStrike continua a liderar o mercado de deteção e resposta em endpoints (EDR), mas a SentinelOne ganhou terreno como alternativa direta, sobretudo entre empresas que querem reduzir a dependência de um único fornecedor. Esta comparação junta preços atualizados, resultados de testes independentes de três laboratórios diferentes e cinco casos reais de utilização para ajudar equipas de segurança a decidir entre as duas plataformas.

O que é o CrowdStrike Falcon

A CrowdStrike foi fundada em 2011 e tem sede em Austin, no Texas. A empresa reportou 11.157 funcionários a tempo inteiro a 30 de abril de 2026, segundo o seu relatório trimestral (10-Q) entregue à SEC. No trimestre fiscal mais recente disponível (Q1 do ano fiscal 2027, terminado a 30 de abril de 2026), a CrowdStrike faturou 1,386 mil milhões de dólares e a receita recorrente anual (ARR) subiu 24% ano a ano, para 5,51 mil milhões de dólares, com 255,8 milhões de dólares em ARR líquido novo apenas nesse trimestre.

A plataforma Falcon assenta num único agente leve que cobre deteção de ameaças, resposta a incidentes, gestão de vulnerabilidades e segurança na cloud, tudo gerido a partir de uma consola central. A CrowdStrike vende ainda módulos avançados como o Falcon Insight XDR, o Falcon Cloud Security e o Charlotte AI, o assistente de IA generativa que resume alertas e sugere ações de resposta. Este último módulo já está em produção em clientes reais, como se vê no caso da Universidad Europea de Madrid, mais à frente neste artigo.

Falcon Go, Pro e Enterprise: os três planos

A CrowdStrike divide o Falcon em três níveis públicos. O Falcon Go cobre antivírus de próxima geração e firewall básico, pensado para pequenas empresas. O Falcon Pro acrescenta deteção e resposta completas (EDR) com caça a ameaças. O Falcon Enterprise junta XDR, deteção de identidade e proteção de cargas de trabalho na cloud. Acima destes três planos existe ainda o Falcon Complete, um serviço de deteção e resposta geridas (MDR) cotado à medida, e módulos adicionais como o Falcon Spotlight (gestão de vulnerabilidades) e o Falcon Cloud Security.

O que é o SentinelOne Singularity

A SentinelOne foi fundada em 2013, dois anos depois da CrowdStrike, e tem sede em Mountain View, na Califórnia. O relatório 10-K da empresa indica mais de 2.900 funcionários a tempo inteiro a 31 de janeiro de 2026. No trimestre mais recente com dados públicos (encerrado a 30 de abril de 2026), a receita foi de 276,7 milhões de dólares, um crescimento de 20,8% face ao ano anterior, com uma ARR de cerca de 1,16 mil milhões de dólares. A empresa terminou o trimestre com 1.702 clientes que geram pelo menos 100 mil dólares de ARR cada um, mais 243 do que no mesmo trimestre do ano fiscal anterior.

A plataforma Singularity aposta num motor de deteção comportamental que a SentinelOne chama de ActiveEDR, capaz de reverter automaticamente ações maliciosas sem depender de uma consulta constante à cloud. Isto torna o agente mais autónomo em redes com ligação instável. Em 2025, a SentinelOne apresentou na conferência RSAC a próxima geração do seu assistente de IA, batizado de Purple AI Athena, focado em raciocínio de segurança mais profundo e deteção agêntica, além de ter lançado em disponibilidade geral o Singularity Hyperautomation, uma ferramenta de automação de fluxos de trabalho sem código.

Core, Control e Complete: os três planos

O Singularity Core oferece prevenção e deteção baseadas em IA para endpoints. O Singularity Control junta controlo de dispositivos e firewall gerido pela consola. O Singularity Complete é o nível mais alto disponível ao público, com resposta automática completa, caça a ameaças e integração de dados forenses. Tal como a CrowdStrike, a SentinelOne vende também pacotes empresariais cotados à medida, que incluem MDR gerido e o módulo Singularity Ranger para descoberta de dispositivos na rede.

CrowdStrike vs SentinelOne: tabela comparativa de especificações

Antes de entrar em preços e benchmarks, vale a pena olhar lado a lado para os números que definem a escala e a maturidade de cada empresa. A tabela junta dados de fundação, dimensão financeira e posicionamento de mercado.

CritérioCrowdStrike FalconSentinelOne Singularity
Ano de fundação20112013
SedeAustin, Texas (EUA)Mountain View, Califórnia (EUA)
Funcionários a tempo inteiro11.157 (abril de 2026)Mais de 2.900 (janeiro de 2026)
Receita no trimestre mais recente1,386 mil milhões $ (Q1 FY2027)276,7 milhões $ (trimestre terminado abr. 2026)
ARR (receita recorrente anual)5,51 mil milhões $ (+24% anual)Cerca de 1,16 mil milhões $ (+22-23% anual)
Clientes com ARR ≥ 100 mil $Não divulgado publicamente1.702
Modelo de deteção principalIndicadores de ataque + IA na cloudActiveEDR comportamental, com autonomia offline
Assistente de IA generativaCharlotte AIPurple AI (nova geração: Athena)
Gestão de patches nativaSim, via Falcon SpotlightParcial, via integrações e Singularity Ranger
SIEM próprio incluído no portefólioSim, Falcon Next-Gen SIEMSim, Singularity Data Lake / AI SIEM
MDR geridoFalcon CompleteVigilance / MDR SentinelOne (cotado à medida)
Posição no Gartner MQ para EPPLíder, 7ª vez consecutiva (2026)Líder, 5º ano consecutivo (2025)
Participou na avaliação MITRE ATT&CK Enterprise 2025SimNão
Precisão total nos testes SE Labs Q4 2025100%98%

Os números mostram duas empresas em estágios diferentes de maturidade financeira, mas com portefólios de produto muito próximos em funcionalidades. A diferença mais prática para uma equipa de TI está na forma como cada motor de deteção se comporta sem ligação à cloud e na profundidade dos módulos de gestão de patches e SIEM incluídos de origem.

Arquitetura: como cada plataforma deteta uma ameaça

Por trás dos números de marketing, as duas plataformas resolvem o mesmo problema de formas diferentes. O Falcon corre um sensor com privilégios elevados no sistema operativo que recolhe eventos (processos, ligações de rede, alterações no registo do Windows) e envia-os para a cloud da CrowdStrike, onde motores de indicadores de ataque (IOA) e modelos de aprendizagem automática decidem, em milissegundos, se aquele comportamento é malicioso. Esta arquitetura dá à CrowdStrike acesso a um gráfico de ameaças alimentado por todos os clientes em simultâneo, o chamado Threat Graph, que atualiza deteções quase em tempo real assim que um novo padrão de ataque aparece em qualquer parte do mundo.

A SentinelOne segue um caminho diferente com o ActiveEDR: em vez de depender de uma consulta permanente à cloud para decidir se bloqueia algo, o agente local já traz um modelo de IA treinado capaz de tomar decisões sozinho, incluindo reverter automaticamente ficheiros encriptados por ransomware sem esperar por instruções externas. Isto tem uma vantagem clara em portáteis que saem da rede corporativa com frequência, ou em fábricas e lojas com ligação à internet pouco fiável, um cenário em que um agente totalmente dependente da cloud fica cego até restabelecer ligação.

Na prática, isto significa que a CrowdStrike tende a beneficiar mais de efeitos de rede (quantos mais clientes, mais rápido aprende a reconhecer ataques novos), enquanto a SentinelOne aposta em resiliência local, funcionando de forma previsível mesmo quando a ligação à internet falha. Nenhuma abordagem é objetivamente superior, mas a escolha entre as duas deve ter em conta o perfil de conectividade real dos dispositivos que vão ser protegidos, e não apenas a folha de especificações.

Segurança na cloud: Falcon Cloud Security vs Singularity Cloud Security

Nenhuma comparação de EDR fica completa em 2026 sem falar de segurança na cloud, porque cada vez mais incidentes começam numa configuração errada de um bucket S3 ou de uma máquina virtual mal exposta, e não num portátil infetado. A CrowdStrike vende o Falcon Cloud Security como módulo dentro da mesma consola Falcon, cobrindo gestão de postura de segurança na cloud (CSPM), proteção de cargas de trabalho em contentores e deteção de identidades na cloud, tudo com o mesmo agente já instalado para os endpoints. É esta integração de um único agente para tudo que a Universidad Europea de Madrid destaca no seu caso de estudo, ao combinar Falcon Cloud Security com o resto da plataforma.

A SentinelOne responde com o Singularity Cloud Security, que também junta CSPM, proteção de contentores Kubernetes e deteção de vulnerabilidades em imagens de contentores antes de irem para produção. A diferença mais relevante para uma equipa de DevSecOps está na profundidade de integração nativa com cada fornecedor de cloud: ambas as plataformas suportam AWS, Azure e Google Cloud, mas a documentação pública da CrowdStrike detalha mais cenários de resposta automática a más configurações do que a documentação equivalente da SentinelOne, que ainda depende mais de integrações via API para alguns fluxos de remediação.

Para uma organização que já usa o Falcon ou o Singularity apenas para endpoints, ativar o módulo de cloud security do mesmo fornecedor costuma ser o caminho mais simples, porque evita duplicar consolas e alertas. Mas nenhuma das duas obriga a isso: é perfeitamente possível usar CrowdStrike Falcon para endpoints e uma ferramenta de CSPM dedicada de outro fornecedor para a cloud, se essa combinação já estiver validada pela equipa de segurança.

Preços: quanto custam o Falcon e o Singularity

Ao contrário de muitas ferramentas empresariais que escondem o preço atrás de um formulário, a CrowdStrike publica valores de lista para os seus três planos de entrada e a SentinelOne faz o mesmo nas páginas dos pacotes Singularity. Os valores abaixo são por dispositivo, por ano, e não incluem descontos por volume, que ambas as empresas negoceiam à medida a partir de algumas centenas de licenças.

NívelCrowdStrike FalconPreço (por dispositivo/ano)SentinelOne SingularityPreço (por endpoint/ano)
EntradaFalcon Go59,99 $Singularity Core69,99 $
IntermédioFalcon Pro99,99 $Singularity Control79,99 $
AvançadoFalcon Enterprise184,99 $Singularity Complete179,99 $
MDR gerido 24/7Falcon CompleteCotação à medidaVigilance RespondCotação à medida
Gestão de vulnerabilidadesFalcon SpotlightAdd-on, cotação à medidaSingularity RangerAdd-on, cotação à medida

No plano de entrada, a CrowdStrike é mais barata (59,99 $ contra 69,99 $), mas essa diferença inverte-se no nível intermédio: o Falcon Pro custa 20 dólares a mais por dispositivo do que o Singularity Control. No topo de gama, os dois pacotes ficam quase empatados, com o Falcon Enterprise a custar 5 dólares a mais por ano do que o Singularity Complete. Na prática, quem está a decidir entre as duas plataformas raramente escolhe apenas pelo preço de lista, porque a diferença de poucos dólares por endpoint desaparece rapidamente quando se soma o custo de um contrato de MDR gerido ou de módulos de cloud security.

MITRE ATT&CK, AV-Comparatives e SE Labs: os benchmarks independentes

Marketing à parte, existem três laboratórios independentes que testam regularmente estas plataformas com metodologias públicas: a avaliação MITRE ATT&CK Enterprise, a série de testes da AV-Comparatives e os relatórios trimestrais da SE Labs. Nenhum dos três é perfeito sozinho, mas juntos dão uma imagem mais fiável do que qualquer página de vendas.

Fonte do testeMétrica avaliadaCrowdStrike FalconSentinelOne Singularity
MITRE ATT&CK Enterprise 2025Deteção / proteção / falsos positivos100% / 100% / zero falsos positivosNão participou nesta ronda
MITRE ATT&CK Enterprise 2024Deteção e atraso na deteçãoNão incluído nas fontes consultadas100% de deteção, zero atrasos
AV-Comparatives, Malware Protection Test (março de 2025)Taxa de proteção contra malware99,3%, zero falsos alarmesNão listado nesta tabela específica
AV-Comparatives, Real-World Protection Test Enterprise (mar.-jun. 2025)Proteção em cenário real98,6%, 14 falsos alarmesNão listado nesta ronda
AV-Comparatives, Business Security Test (ago.-nov. 2025)Proteção e certificação99,3%, 20 falsos alarmes, aprovadoNão listado nesta ronda
SE Labs, Enterprise Endpoint Protection (dezembro de 2025)Precisão de proteção100%95%
SE Labs, Enterprise Endpoint Protection (dezembro de 2025)Precisão total (proteção + falsos positivos)100%98%

O padrão que emerge destes três laboratórios é consistente: a CrowdStrike apresenta-se a quase todas as rondas de teste públicas e tem fechado 2025 com pontuações perfeitas ou muito perto disso. A SentinelOne optou por não participar na ronda MITRE Enterprise de 2025, algo que a própria empresa confirmou publicamente, e nos relatórios da SE Labs de dezembro de 2025 ficou uns pontos percentuais atrás da CrowdStrike, ainda que com classificação AAA, a mais alta atribuída pelo laboratório britânico.

Porque é que os falsos positivos pesam tanto como a deteção

Um antivírus que bloqueia 100% do malware mas dispara alertas falsos todos os dias acaba por cansar a equipa de segurança, que começa a ignorar avisos, o chamado efeito de fadiga de alertas. É por isso que a AV-Comparatives regista sempre o número de falsos alarmes ao lado da taxa de proteção. Os 20 falsos alarmes da CrowdStrike no teste de agosto a novembro de 2025 não a impediram de ser aprovada, mas mostram que nenhuma das duas plataformas é imune a ruído operacional, mesmo com pontuações de deteção quase perfeitas.

O apagão da CrowdStrike de julho de 2024 e as suas consequências

Nenhuma comparação entre estas duas plataformas fica completa sem falar do incidente que mudou a perceção do mercado sobre risco de concentração num único fornecedor. A 19 de julho de 2024, uma atualização de conteúdo com defeito no sensor Falcon (não um ataque externo) provocou ecrãs azuis em massa em máquinas Windows, afetando cerca de 8,5 milhões de dispositivos, segundo estimativas compiladas na altura pela imprensa.

A Delta Air Lines foi a companhia aérea mais afetada: cancelou cerca de 7.000 voos ao longo de cinco dias, segundo o próprio relatório 8-K entregue à SEC a 8 de agosto de 2024. A Delta estimou um impacto financeiro de pelo menos 500 milhões de dólares, decompostos em 380 milhões de dólares de receita perdida e 170 milhões de dólares de custos adicionais, parcialmente compensados por 50 milhões de dólares poupados em combustível. Em outubro de 2024, a Delta processou a CrowdStrike (e envolveu a Microsoft nas alegações), e a CrowdStrike respondeu com uma contra-ação, alegando limitações contratuais de responsabilidade. Em maio de 2025, um juiz do estado da Geórgia autorizou a Delta a avançar com a maior parte das suas queixas. Segundo o resumo público do caso na Wikipédia, não há, até 2026, um acordo final divulgado entre as duas empresas, ainda que uma ação coletiva de passageiros contra a CrowdStrike tenha sido rejeitada em junho de 2025.

Este episódio não anula os resultados técnicos positivos da CrowdStrike em testes independentes, mas explica por que razão tantas organizações passaram a considerar seriamente a SentinelOne como segunda opção, mesmo sem terem anunciado publicamente uma mudança de fornecedor. Um agente de segurança que corre com privilégios de kernel em milhões de máquinas transporta um risco operacional que nenhuma taxa de deteção consegue eliminar por completo.

Reconhecimento da indústria: Gartner Magic Quadrant

Fora dos laboratórios técnicos, os relatórios de analistas continuam a pesar nas decisões de compra de empresas grandes. A CrowdStrike foi posicionada como Líder no Gartner Magic Quadrant para Plataformas de Proteção de Endpoints de 2026, a sétima vez consecutiva que ocupa essa posição. A SentinelOne também aparece como Líder, no relatório de 2025, o quinto ano consecutivo nessa categoria.

Manter-se como Líder durante sete anos seguidos é um indicador de estabilidade de produto e de execução comercial, mas não substitui os benchmarks técnicos apresentados nas secções anteriores. O Gartner avalia visão de mercado e capacidade de execução, não apenas taxa de deteção, pelo que uma empresa pode aparecer bem posicionada no quadrante e, ainda assim, ficar atrás num teste de proteção específico como o da SE Labs.

Vale notar que nenhum dos dois relatórios usados nesta comparação (2025 para a SentinelOne, 2026 para a CrowdStrike) foi publicado exatamente no mesmo ciclo, o que dificulta uma leitura direta lado a lado. Ainda assim, o facto de ambas terem sido reconhecidas como Líderes em anos consecutivos, mesmo com metodologias de avaliação diferentes de teste técnico, mostra que o mercado considera as duas plataformas maduras o suficiente para ambientes empresariais críticos, o que reduz o risco de escolher qualquer uma delas como fornecedor principal de EDR.

Inteligência artificial: Charlotte AI vs Purple AI (Athena)

As duas empresas apostam pesado em assistentes de IA generativa para reduzir o tempo que um analista de SOC gasta a investigar cada alerta. A CrowdStrike chama ao seu assistente Charlotte AI, já em produção em clientes reais como a Universidad Europea de Madrid, onde é usado junto com o Falcon Insight XDR e o Falcon Next-Gen SIEM para resumir eventos e sugerir passos de resposta.

A SentinelOne apresentou em 2025, na conferência RSAC, a nova geração do seu assistente, com o nome de código Athena, dentro da família Purple AI. A empresa descreve-o como um motor de raciocínio de segurança mais profundo, capaz de encadear várias etapas de investigação de forma agêntica, em vez de responder apenas a perguntas isoladas. Em paralelo, lançou o Singularity Hyperautomation, uma camada de automação de fluxos de trabalho sem necessidade de escrever código, pensada para equipas de segurança pequenas que não têm engenheiros dedicados a integrações.

Nenhuma das duas empresas publicou até agora um benchmark independente que meça diretamente a precisão destes assistentes de IA generativa, ao contrário do que acontece com os motores de deteção. Por agora, a escolha entre Charlotte AI e Purple AI Athena depende sobretudo de testes internos (proof of concept) em cada organização, e não de números públicos comparáveis.

Um ponto a considerar antes de decidir com base apenas na promessa de IA generativa: estas funcionalidades ainda estão a mudar rapidamente de trimestre para trimestre, e o que hoje é um recurso avançado pode tornar-se padrão em ambas as plataformas dentro de um ano. Equipas de segurança que já correm um piloto interno costumam pedir acesso a um ambiente de teste isolado antes de ativar qualquer assistente de IA generativa em produção, para confirmar que as sugestões automáticas não introduzem ações de resposta erradas em sistemas críticos.

Casos reais: quem usa CrowdStrike e SentinelOne

Números de laboratório são úteis, mas o comportamento em ambientes de produção conta uma história mais completa. Estes são cinco casos documentados publicamente.

  • Coventry University (Reino Unido) escolheu a plataforma Falcon depois de uma prova de conceito com vários fornecedores, implementando módulos como Falcon Device Control, Falcon Complete MDR, Falcon Discover, Falcon Insight XDR, caça a ameaças Adversary OverWatch e Falcon Spotlight. Segundo o caso de estudo publicado pela CrowdStrike, os incidentes de segurança graves caíram para zero após a implementação.
  • Universidad Europea de Madrid (Espanha) unificou a proteção de mais de 10 mil endpoints na plataforma Falcon, combinando Falcon Cloud Security, Falcon Insight XDR, Falcon Next-Gen SIEM, Charlotte AI e Falcon Complete Next-Gen MDR. A universidade reporta uma redução de cerca de 70% no tempo gasto na fase inicial de resposta a eventos de segurança.
  • Ashland University (Estados Unidos) aparece como caso de estudo público na área de educação da CrowdStrike, usando a plataforma Falcon para proteger o seu parque de dispositivos académicos e administrativos.
  • University Health Network (Toronto, Canadá), uma das maiores redes hospitalares do Canadá, é referida pela CrowdStrike como cliente que usa a Falcon para garantir proteção crítica num ambiente onde qualquer paragem de sistemas pode afetar diretamente cuidados de saúde.
  • Delta Air Lines é o exemplo inverso: não como cliente satisfeito, mas como o caso mais citado de risco operacional ligado a um agente EDR mal atualizado, com 7.000 voos cancelados e um processo judicial ainda a decorrer contra a CrowdStrike, iniciado em outubro de 2024.

Do lado da SentinelOne, a procura pela plataforma aumentou de forma visível depois do apagão de julho de 2024, segundo declarações públicas da própria administração da empresa em chamadas de resultados, mas não há, até à data desta comparação, um caso de estudo com nome de cliente publicamente confirmado equivalente aos exemplos de educação e saúde da CrowdStrike. Isto não significa que a SentinelOne não tenha clientes de grande dimensão, apenas que a empresa tem sido mais discreta a divulgar nomes específicos.

O padrão que se repete nos quatro casos de sucesso da CrowdStrike é a substituição de um conjunto disperso de ferramentas antigas por uma única plataforma. A Coventry University e a Universidad Europea de Madrid tinham, antes da migração, vários produtos de segurança diferentes a gerar alertas em consolas separadas, o que atrasava qualquer investigação. Depois de consolidar tudo num único agente Falcon, ambas reportam menos tempo perdido a cruzar informação manualmente entre ferramentas, o que confirma um argumento comum a favor de plataformas EDR/XDR integradas: o ganho não vem só da qualidade da deteção, vem também de reduzir o número de sistemas que uma equipa pequena de segurança precisa de vigiar todos os dias.

Prós e contras de cada plataforma

CrowdStrike Falcon: prós e contras

  • Prós: melhor resultado nos testes SE Labs e AV-Comparatives mais recentes de 2025, sétimo ano seguido como Líder no Gartner MQ, casos de estudo documentados em educação e saúde, e um assistente de IA (Charlotte AI) já validado em produção.
  • Contras: preço de lista mais alto no plano intermédio (Falcon Pro), histórico do apagão de julho de 2024 ainda a gerar litígio ativo, e dependência forte de ligação à cloud para algumas funcionalidades avançadas de deteção.

SentinelOne Singularity: prós e contras

  • Prós: motor de deteção comportamental (ActiveEDR) que continua a funcionar e a reverter ações maliciosas mesmo sem ligação à cloud, preço mais baixo no plano intermédio (Singularity Control), e crescimento de ARR consistente acima de 20% ao ano.
  • Contras: ausência da ronda MITRE ATT&CK Enterprise de 2025, pontuação de precisão total mais baixa nos testes SE Labs de dezembro de 2025 (98% contra 100%), e menos casos de estudo públicos com nomes de clientes de referência.

Que empresas devem escolher cada plataforma

Perfil da organizaçãoRecomendaçãoPorquê
Grande empresa regulada (banca, saúde, energia)CrowdStrike Falcon Enterprise + Falcon CompleteMelhor pontuação nos testes independentes de 2025 e MDR gerido 24/7
Universidade ou instituição de ensino com muitos dispositivos BYODCrowdStrike FalconCasos documentados em Coventry, Madrid e Ashland com resultados mensuráveis
Pequena empresa com orçamento apertado e sem equipa de SOCCrowdStrike Falcon Go ou Singularity CoreSão os planos de entrada mais baratos de cada fornecedor
Equipa de TI reduzida que precisa de resposta automática sem intervenção humanaSentinelOne Singularity ControlActiveEDR reverte ações maliciosas de forma autónoma, mesmo offline
Organização que quer reduzir a dependência de um único fornecedor de EDRSentinelOne Singularity como segunda plataformaDiversifica o risco de concentração exposto pelo apagão de 2024
Empresa com infraestrutura cloud pesada (AWS, Azure, GCP)CrowdStrike Falcon Cloud SecurityMódulo de CSPM nativo integrado com o mesmo agente
Escritório distribuído com ligações de rede instáveisSentinelOne SingularityMotor de deteção local não depende de consulta constante à cloud

Guia de migração: como trocar de EDR sem abrir brechas de segurança

Trocar de agente EDR é uma das operações mais delicadas em segurança de TI, porque exige que a organização fique sem cobertura completa durante alguns dias se o processo correr mal. Este guia resume as fases que tanto a CrowdStrike como a SentinelOne recomendam nos seus próprios manuais de implementação.

FaseAçãoDuração estimada
1. AuditoriaLevantar o inventário completo de endpoints, servidores e sistemas operativos suportados1 a 2 semanas
2. CoexistênciaInstalar o novo agente em paralelo com o antigo num grupo piloto, sem desativar o anterior1 semana
3. Piloto controladoTestar deteção e resposta num grupo de 5% a 10% dos dispositivos não críticos2 semanas
4. Ajuste de políticasConfigurar regras de deteção, exclusões e integrações com o SIEM existente1 semana
5. Substituição faseadaDesinstalar o agente antigo por lotes, começando pelos departamentos de menor risco3 a 4 semanas
6. ValidaçãoCorrer simulações de ataque controladas (por exemplo, com Atomic Red Team) para confirmar deteção1 semana
7. Formação da equipaPreparar a equipa de SOC na nova consola, alertas e fluxos de resposta1 a 2 semanas
8. Monitorização pós-migraçãoAcompanhar métricas de falsos positivos e tempo de resposta nos primeiros 90 dias90 dias

Durante a fase de coexistência, é normal usar comandos de linha de comando para confirmar que o agente antigo ainda está ativo antes de o remover, e que o novo já está a correr sem conflitos.

# Verificar se o sensor CrowdStrike Falcon está ativo (Windows)
sc query csagent

# Verificar se o agente SentinelOne está ativo (Windows)
sc query SentinelAgent

# Confirmar o processo em sistemas Linux
systemctl status falcon-sensor
systemctl status sentinelone

Nunca desinstale os dois agentes ao mesmo tempo num dispositivo em produção. A janela de coexistência existe precisamente para evitar um período sem nenhuma proteção ativa, que é o cenário que qualquer equipa de segurança quer evitar a todo o custo.

CrowdStrike vs SentinelOne: o veredito final

Os números não deixam grande margem para ambiguidade nos testes técnicos mais recentes: a CrowdStrike fechou 2025 com 100% de precisão de proteção e 100% de precisão total na SE Labs, além de 100% de deteção e zero falsos positivos na avaliação MITRE ATT&CK Enterprise de 2025, à qual a SentinelOne optou por não se apresentar. Juntando a isso o sétimo ano consecutivo como Líder no Gartner Magic Quadrant e casos documentados em universidades e hospitais, a CrowdStrike Falcon continua a ser a escolha mais segura para empresas grandes ou reguladas que priorizam a pontuação mais alta possível em testes independentes.

Isto não torna a SentinelOne uma escolha fraca. O Singularity Control fica 20 dólares mais barato por endpoint do que o Falcon Pro no plano intermédio, o motor ActiveEDR continua a funcionar sem ligação constante à cloud, e a empresa cresce a ARR acima de 20% ao ano, sinal de que continua a ganhar clientes apesar de não ter os melhores números da SE Labs em 2025. Para organizações que querem diversificar o risco de depender de um único fornecedor, especialmente depois do apagão de julho de 2024, a SentinelOne Singularity é uma segunda opção genuína e não apenas uma alternativa de recurso.

A escolha final depende do que pesa mais para cada organização: se for a pontuação mais alta em testes independentes e o histórico mais longo como Líder de mercado, a CrowdStrike Falcon vence com dados concretos. Se for autonomia de deteção offline, um preço mais competitivo no plano intermédio e vontade de reduzir a concentração de risco num só fornecedor, a SentinelOne Singularity é a opção mais racional.

Há ainda um terceiro cenário, cada vez mais comum em organizações grandes: usar as duas plataformas em simultâneo, uma como EDR principal e outra como camada de deteção secundária num subconjunto crítico de sistemas. Esta abordagem custa mais em licenciamento e exige mais trabalho de gestão, mas elimina o cenário de ponto único de falha que o apagão de julho de 2024 tornou impossível de ignorar. Para a maioria das pequenas e médias empresas, porém, escolher uma única plataforma bem configurada e testada continua a ser a opção mais realista do ponto de vista de custo e complexidade operacional.

Perguntas frequentes

Qual é mais barato, CrowdStrike ou SentinelOne?

Depende do plano. No nível de entrada, o Falcon Go (59,99 $/dispositivo/ano) é mais barato do que o Singularity Core (69,99 $/endpoint/ano). No nível intermédio, a situação inverte-se: o Singularity Control (79,99 $) fica 20 dólares abaixo do Falcon Pro (99,99 $). No topo de gama, os preços ficam quase empatados.

O CrowdStrike Falcon Go serve para pequenas empresas?

Sim, o Falcon Go foi desenhado precisamente para esse segmento, cobrindo antivírus de próxima geração e firewall básico sem exigir uma equipa de segurança dedicada. Para funcionalidades de deteção e resposta mais avançadas, é preciso subir ao Falcon Pro.

O que causou o apagão da CrowdStrike em julho de 2024?

Uma atualização de conteúdo com defeito no sensor Falcon para Windows, não um ataque externo. O erro provocou ecrãs azuis em cerca de 8,5 milhões de dispositivos, com impacto direto em companhias aéreas, hospitais e bancos em vários países.

A SentinelOne participou na avaliação MITRE ATT&CK de 2025?

Não. A SentinelOne confirmou publicamente que não participou na ronda Enterprise de 2025, depois de ter apresentado resultados de 100% de deteção e zero atrasos na ronda de 2024.

Preciso de uma equipa de segurança própria para usar estas plataformas?

Não necessariamente. Ambas as empresas vendem serviços de deteção e resposta geridas (Falcon Complete na CrowdStrike, Vigilance Respond na SentinelOne) para organizações sem equipa de SOC própria, embora a um custo adicional cotado à medida.

CrowdStrike e SentinelOne protegem sistemas Linux e macOS?

Sim, ambas as plataformas suportam Windows, macOS e as principais distribuições Linux, embora a profundidade de algumas funcionalidades avançadas (como certos módulos de resposta automática) possa variar consoante o sistema operativo.

Qual tem melhor resultado nos testes SE Labs mais recentes?

A CrowdStrike Falcon, com 100% de precisão de proteção e 100% de precisão total no relatório Enterprise Endpoint Protection de dezembro de 2025. A SentinelOne Singularity obteve 95% de precisão de proteção e 98% de precisão total, mantendo ainda assim a classificação máxima AAA.

Vale a pena mudar de EDR depois de um incidente como o da CrowdStrike?

Depende do apetite de risco da organização. Trocar de fornecedor tem custo e exige um período de coexistência cuidadoso, como descrito no guia de migração acima. Muitas empresas optaram antes por reforçar processos de teste de atualizações e manter o mesmo fornecedor, enquanto outras usaram o incidente como justificação para diversificar com uma segunda plataforma.