Perder o acesso a uma conta por causa de uma palavra-passe fraca continua a ser uma das formas mais comuns de ataque em Portugal e na Europa. Por isso, escolher um bom gestor de palavras-passe deixou de ser um capricho de quem trabalha em tecnologia e passou a ser uma decisão prática para qualquer pessoa com conta bancária, email de trabalho ou perfis em redes sociais. Em 2026, três nomes dominam as pesquisas e as comparações: NordPass, Dashlane e LastPass.

Os três resolvem o mesmo problema, mas de formas diferentes. A NordPass, ligada à Nord Security (a empresa por trás da NordVPN), aposta num preço de entrada agressivo e numa cifra mais recente. A Dashlane construiu a fama à volta de funcionalidades extra, como VPN incluída, mas eliminou o plano gratuito em setembro de 2025. E a LastPass carrega ainda o peso de uma violação de dados em 2022 que continua a gerar consequências legais em 2025 e 2026. Este artigo compara preços, cifragem, histórico de incidentes, testes independentes e cenários reais de utilização, para ajudar a decidir qual gestor de palavras-passe compensa hoje.

O que faz um gestor de palavras-passe e porque ainda é necessário em 2026

Um gestor de palavras-passe guarda todas as credenciais de acesso num cofre cifrado, protegido por uma única palavra-passe mestra que só o utilizador conhece. A ferramenta gera combinações longas e aleatórias para cada site, preenche-as automaticamente e avisa quando uma palavra-passe é reutilizada ou aparece numa fuga de dados conhecida. Isto elimina o hábito mais perigoso da internet: usar a mesma palavra-passe, ou variações previsíveis dela, em dezenas de serviços diferentes.

A chegada das passkeys não tornou os gestores de palavras-passe obsoletos, pelo contrário. NordPass, Dashlane e LastPass adaptaram-se e passaram a guardar também passkeys ao lado das palavras-passe tradicionais, porque a maior parte dos sites ainda não suporta autenticação sem palavra-passe. Enquanto essa transição não estiver completa, um cofre central com cifragem forte continua a ser a defesa mais prática contra phishing, reutilização de credenciais e ataques de força bruta. A base teórica por trás dessa cifragem, incluindo funções de resistência a ataques como o Argon2id, é a mesma que protege o armazenamento de palavras-passe em qualquer serviço sério.

Já existe um artigo neste site dedicado à comparação entre Bitwarden e 1Password, os dois nomes mais fortes entre os gestores de código aberto e os produtos focados em equipas técnicas. NordPass, Dashlane e LastPass ocupam um espaço ligeiramente diferente do mercado, mais orientado ao público doméstico e a pequenas e médias empresas sem departamento de TI dedicado. Antes de decidir, também compensa rever os princípios básicos descritos no nosso guia de segurança de palavras-passe, porque nenhum gestor compensa uma palavra-passe mestra fraca ou reutilizada.

NordPass, Dashlane e LastPass: apresentação rápida dos três concorrentes

A NordPass nasceu em 2019 como spin-off da Nord Security, a mesma empresa lituano-panamenha que criou a NordVPN. Aposta na cifra XChaCha20-Poly1305, mais recente do que o AES-256 usado pelos concorrentes, e numa arquitetura de conhecimento zero em que nem a própria empresa consegue ver o conteúdo dos cofres dos clientes.

A Dashlane opera como empresa independente desde a fundação, sem ligação a um grupo maior de cibersegurança. Ficou conhecida por incluir uma VPN (Hotspot Shield) no plano Premium e por um painel de administração robusto para empresas, batizado de Omnix nos escalões superiores. Em agosto de 2025 anunciou o fim do plano gratuito a partir de 16 de setembro desse ano, deixando Premium e Friends & Family como únicas opções para uso pessoal.

A LastPass é a mais antiga das três e também a que carrega o histórico mais pesado. Pertenceu à LogMeIn, depois rebatizada GoTo, e desde 2024 tem como proprietários a Francisco Partners e a Elliott Investment Management, segundo a Wikipedia. A empresa sofreu uma violação de dados grave em 2022 cujas réplicas continuaram a aparecer em relatórios de segurança até 2025 e 2026, um histórico que qualquer comparação séria tem de incluir.

Estas diferenças de origem explicam parte do posicionamento comercial de cada produto. A NordPass beneficia da escala e da reputação já construída pela NordVPN junto do público europeu, o que ajuda a explicar a agressividade dos preços de lançamento. A Dashlane, sem um produto irmão a subsidiar a aquisição de clientes, compensa com funcionalidades empacotadas (como a VPN) para justificar uma mensalidade mais alta. A LastPass, por ter sido durante anos a opção por defeito recomendada por bancos e empresas de tecnologia, ainda mantém uma base de utilizadores fiel, mesmo depois de 2022, o que é visível na quantidade de análises independentes que continuam a incluí-la em 2026 entre as principais opções do mercado, ao lado da NordPass e da Dashlane.

NordPass vs Dashlane vs LastPass: tabela de especificações técnicas

A tabela seguinte resume as 14 características mais relevantes na hora de escolher entre os três gestores de palavras-passe, com base nas páginas oficiais e em análises técnicas publicadas em 2026.

CaracterísticaNordPassDashlaneLastPass
CifragemXChaCha20-Poly1305AES-256AES-256 + PBKDF2
Arquitetura de conhecimento zeroSimSimSim
Autenticação multifatorSim (app, biometria)SimSim
Suporte a passkeysSimSim (desde 2025)Sim
Monitorização de fugas de dadosSim (Premium)Sim (alertas de phishing)Sim (Premium)
VPN incluídaNãoSim, no Premium individualNão
Máscara de emailSimNão é funcionalidade centralNão é funcionalidade central
Armazenamento seguro de ficheirosSimSimSim (Premium)
PlataformasWindows, macOS, Linux, Android, iOSWindows, macOS, Android, iOS, WebWindows, macOS, Android, iOS
Extensões de navegadorChrome, Edge, Firefox, Opera, SafariChrome, Firefox, EdgeChrome, Firefox, Edge, Safari, Opera
Auditorias divulgadasSOC 2 Tipo 1 e 2Testes de penetração independentes, sem relatório público nomeadoInvestigação da Mandiant após a violação de 2022
Limite do plano familiarAté 6 utilizadoresAté 10 utilizadoresAté 6 utilizadores
Empresa-mãeNord SecurityEmpresa independenteGoTo (até 2024), depois Francisco Partners e Elliott Investment Management
Incidente de segurança conhecidoNenhuma violação de dados divulgadaNenhuma violação de dados divulgadaViolação de dados em 2022, com consequências legais em 2025 e 2026

Um detalhe que a tabela não capta sozinho: a NordPass é a única das três a oferecer máscaras de email como funcionalidade nativa, útil para quem quer registar-se em serviços sem expor o endereço real. A Dashlane compensa com a VPN incluída, algo que nem a NordPass nem a LastPass oferecem dentro do próprio gestor de palavras-passe.

Preços em 2026: planos individuais, familiares e empresariais

Os preços mudam com frequência e variam consoante o compromisso de um, dois ou nenhum ano. A tabela abaixo junta os valores publicados nas páginas oficiais e em análises de 2026, incluindo tanto os planos pessoais como os empresariais.

PlanoNordPassDashlaneLastPass
GratuitoSim, ilimitado num único dispositivoDescontinuado desde 16 de setembro de 2025Sim, mas limitado a um único tipo de dispositivo (computador ou telemóvel)
Individual (2 anos)Desde 1,49 €/mêsSem opção bienal publicadaSem opção bienal publicada
Individual (anual)Desde 1,99 €/mês4,99 $/mês3 $/mês (36 $/ano)
FamiliarDesde 2,79 €/mês, até 6 pessoas7,49 $/mês, até 10 pessoas4 $/mês (48 $/ano), até 6 pessoas
Plano de equipa (entrada)Desde 3,59 $/utilizador/mês20 $/mês fixo até 10 utilizadoresCerca de 4 $/utilizador/mês (Teams)
Empresarial/EnterprisePreço sob consulta para volumes maioresCerca de 8 $/utilizador/mês (Business)Entre 6 e 7 $/utilizador/mês (Business)

Há uma diferença prática que raramente aparece nas comparações: a NordPass cobra diretamente em euros para clientes europeus, enquanto a Dashlane e a LastPass mostram os preços oficiais em dólares, sujeitos à conversão da operadora do cartão no momento da cobrança. Para quem paga em Portugal, isso pode significar um valor final ligeiramente diferente do anunciado, dependendo da taxa de câmbio do dia.

Vale ainda notar que a Dashlane praticou, ao longo de 2025 e 2026, preços promocionais mais baixos, entre 2,50 $ e 3,75 $ por mês, em determinadas campanhas. O valor de lista que consta nas páginas de suporte da própria empresa mantém-se em 4,99 $/mês para o plano Premium faturado anualmente.

Um exemplo prático ajuda a perceber o impacto real destes números. Uma família de seis pessoas que opte pelo plano bienal da NordPass Family paga cerca de 67 € ao longo de dois anos completos, repartidos por seis contas independentes. A mesma família, se optar pela LastPass Families no plano anual, pagaria cerca de 96 $ (aproximadamente o dobro em dois anos), com o mesmo limite de seis utilizadores. Já um grupo de dez amigos que escolha a Dashlane Friends & Family gasta cerca de 90 $ por ano no total, repartido por dez contas, o que reduz drasticamente o custo por pessoa quando o grupo é maior do que seis.

Encriptação e arquitetura de conhecimento zero, explicadas sem jargão

Todos os três produtos seguem o mesmo princípio de conhecimento zero: a palavra-passe mestra nunca sai do dispositivo do utilizador e a cifragem acontece localmente, antes dos dados serem enviados para os servidores da empresa. Isto significa que, mesmo que um atacante roube os servidores de qualquer uma das três empresas, o que obtém são blocos de dados cifrados, inúteis sem a chave que só o utilizador possui.

A diferença está no algoritmo. A Dashlane e a LastPass usam AES-256, o padrão adotado pelo governo dos Estados Unidos e por praticamente toda a indústria financeira. A NordPass optou pelo XChaCha20-Poly1305, uma cifra de fluxo mais recente, considerada pela comunidade criptográfica tão segura quanto o AES-256, mas com desempenho mais previsível em dispositivos móveis com menos capacidade de processamento. Na prática, isto não se traduz numa diferença percetível para quem usa a aplicação no dia a dia.

NordPass:  XChaCha20-Poly1305 + Argon2 (derivação de chave)
Dashlane:  AES-256-CBC + PBKDF2 (derivação de chave)
LastPass:  AES-256-CBC + PBKDF2, iterações aumentadas após 2022

O detalhe da derivação de chave importa mais do que parece. Depois da violação de 2022, a LastPass reforçou o número de iterações do PBKDF2 por defeito, precisamente porque contas antigas com configurações fracas facilitaram os ataques de força bruta offline que se seguiram ao roubo dos cofres. É um lembrete de que a cifragem, por si só, não chega. O número de iterações e a força da palavra-passe mestra do próprio utilizador pesam tanto quanto o algoritmo escolhido.

O caso LastPass: a violação de 2022 e as réplicas até 2026

Nenhuma comparação de gestores de palavras-passe em 2026 pode ignorar o que aconteceu à LastPass. Foi o incidente de segurança mais estudado da categoria e as suas consequências continuaram a aparecer em relatórios quatro anos depois.

Cronologia do ataque original

Segundo o artigo da Wikipedia sobre o caso, tudo começou entre 8 e 12 de agosto de 2022, quando um atacante comprometeu o portátil de um programador da LastPass e roubou 14 repositórios de código-fonte, além de uma chave cifrada usada nas cópias de segurança da base de dados de produção. A 20 de agosto, o mesmo atacante conseguiu aceder à conta de um engenheiro sénior de DevOps, o que lhe deu acesso às chaves das cópias de segurança de produção. Entre 20 de agosto e 16 de setembro, essas chaves permitiram obter um instantâneo da base de dados de utilizadores e múltiplas cópias de cofres de palavras-passe cifrados.

A LastPass comunicou o incidente pela primeira vez a 25 de agosto de 2022, garantindo não haver provas de acesso a dados de clientes. A 22 de dezembro de 2022, teve de emitir um segundo aviso, reconhecendo que cópias de cofres e respetivos metadados tinham sido, de facto, roubadas. Investigações independentes estimam que os cofres de entre 25 e 30 milhões de utilizadores ficaram expostos nesse processo.

Os furtos de criptomoeda ligados aos cofres roubados

Os cofres roubados estavam cifrados, mas alguns utilizadores tinham palavras-passe mestras fracas, o que permitiu ataques de força bruta offline meses ou anos depois. Um estudo académico publicado no repositório arXiv documentou pelo menos 35 milhões de dólares em perdas de criptomoeda associadas a este processo, com duas a cinco investidas de alto valor por mês entre dezembro de 2022 e setembro de 2023, atingindo mais de 150 vítimas confirmadas.

O caso mais mediático aconteceu a 30 de janeiro de 2024: cerca de 150 milhões de dólares em XRP foram roubados das contas pessoais de Chris Larsen, cofundador da Ripple, segundo reportagens do TechRadar que ligam o roubo aos dados extraídos na violação de 2022. Em novembro de 2025, o regulador britânico de proteção de dados, o ICO, aplicou uma penalização financeira à LastPass UK Ltd por falhas técnicas e organizacionais entre 2021 e 2024, incluindo o facto de contas empresariais sensíveis poderem ser acedidas a partir de dispositivos pessoais. Segundo investigações independentes, a empresa chegou também a um acordo num processo coletivo avaliado em cerca de 24,5 milhões de dólares em 2025, relacionado com os prejuízos sofridos pelos clientes afetados.

Mais recentemente, a 12 de junho de 2026, a LastPass voltou a ser mencionada num incidente de cadeia de fornecimento: o grupo de extorsão Icarus terá roubado tokens OAuth da plataforma klue.com, usados em integrações internas da LastPass com Salesforce e Gong. Ao contrário do episódio de 2022, este incidente afetou tokens de integrações de terceiros, não os cofres dos clientes.

Auditorias, certificações e histórico de incidentes das três empresas

A forma como cada empresa lida com a transparência de segurança também separa os três produtos. A NordPass divulga publicamente certificações SOC 2 Tipo 1 e Tipo 2, um selo de auditoria independente que verifica os controlos internos de segurança e disponibilidade. A Dashlane refere, em material de marketing, que realiza testes de penetração e auditorias independentes, mas não publica o nome da empresa auditora nem relatórios detalhados de forma consistente.

A LastPass está numa posição diferente: depois da violação de 2022, contratou a empresa forense Mandiant para investigar o incidente, e essa investigação tornou-se pública através dos avisos legais que a empresa foi obrigada a emitir. Nenhuma das outras duas passou por um escrutínio externo tão detalhado, simplesmente porque nenhuma sofreu um incidente da mesma dimensão. Isto não significa que sejam invulneráveis, apenas que não foram publicamente testadas da mesma forma.

Para quem quer perceber melhor a matemática por trás da proteção de palavras-passe nestes cofres, vale a pena conhecer a diferença entre Argon2id, Bcrypt e Scrypt, os três algoritmos de derivação de chave mais usados atualmente para proteger credenciais armazenadas.

Porque as fugas de dados tornam os gestores de palavras-passe indispensáveis

O caso da LastPass é o mais estudado, mas está longe de ser o único. Como já mostrámos no artigo sobre violações de dados, empresas de todas as dimensões continuam a perder bases de dados de utilizadores para atacantes, e cada nova fuga alimenta um tipo de ataque específico: o credential stuffing. Nesse esquema, os criminosos pegam em combinações de email e palavra-passe roubadas de um serviço e testam-nas automaticamente noutros sites, apostando que a mesma pessoa reutilizou a credencial.

É exatamente este cenário que um gestor de palavras-passe neutraliza. Ao gerar uma combinação única e aleatória para cada conta, mesmo que uma delas apareça numa fuga de dados, as restantes permanecem intactas porque não partilham a mesma credencial. As funcionalidades de monitorização incluídas na NordPass, na Dashlane e na LastPass funcionam precisamente como um radar contínuo: comparam as palavras-passe guardadas contra bases de dados de fugas conhecidas e avisam assim que surge uma correspondência, permitindo trocar a credencial afetada antes de um atacante a explorar.

Esta camada de deteção tornou-se ainda mais relevante depois do próprio caso LastPass. Ironicamente, a empresa que sofreu uma das violações mais discutidas da década continua a oferecer esta funcionalidade aos seus clientes, o que só reforça a lógica: a segurança de um gestor de palavras-passe não depende apenas de nunca ser atacado, depende também da rapidez e da transparência com que reage quando isso acontece.

Novidades de 2026: passkeys, VPN e partilha familiar

As três empresas correram atrás da mesma tendência em 2025 e 2026: suporte nativo a passkeys, a tecnologia sem palavra-passe baseada no padrão FIDO2/WebAuthn. A NordPass foi das primeiras a integrar passkeys diretamente no cofre, permitindo guardar, gerir e usar essas credenciais ao lado das palavras-passe tradicionais. A Dashlane seguiu o mesmo caminho ao longo de 2025, coincidindo com o fim do plano gratuito. A LastPass também adicionou suporte a passkeys, embora com adoção mais lenta entre os utilizadores devido à reputação afetada pela violação de 2022.

Fora das passkeys, cada empresa escolheu um caminho próprio para se diferenciar. A Dashlane manteve a VPN Hotspot Shield incluída no plano Premium individual, embora o plano Friends & Family nem sempre estenda essa vantagem a todos os membros. A NordPass reforçou a máscara de email e o scanner de fugas de dados, aproveitando a integração natural com o resto do ecossistema Nord Security. A LastPass concentrou os esforços em reconstruir a confiança, com mensagens mais claras sobre iterações de cifragem e monitorização da dark web incluída nos planos pagos.

Do lado empresarial, todas expandiram a integração com sistemas de início de sessão único (SSO) e aprovisionamento automático de contas (SCIM), uma resposta direta à procura crescente de empresas europeias que precisam de cumprir exigências de segurança mais rígidas nos seus fornecedores de software.

O que dizem os testes independentes: PCMag, CNET e Security.org

Além das especificações técnicas, vale olhar para o que dizem publicações independentes que testaram os três produtos lado a lado em 2026.

FonteNordPassDashlaneLastPass
PCMag (2026)Incluído na lista dos melhores gestores de palavras-passe, sem pontuação numérica publicada no artigo consultado4,0 em 54,0 em 5, no plano Premium
CNET (2026)Nomeado o melhor gestor de palavras-passe testado em 2026Não é a escolha principal desta publicaçãoNão é a escolha principal desta publicação
Security.org (2026)Destacado pelo preço de entrada mais competitivo do mercado, a partir de 1,49 $/mêsNão é o foco da análise consultadaNão é o foco da análise consultada

O padrão que emerge destes três testes é consistente: a NordPass ganha pontos pela relação preço-funcionalidades e por ser a opção mais recente tecnicamente, a Dashlane mantém uma pontuação sólida mas penalizada pelo preço mais alto sem plano gratuito, e a LastPass continua a receber boas notas técnicas da PCMag apesar do histórico de 2022 pesar nas secções de comentário editorial dessas mesmas análises.

Segurança para empresas em Portugal: o que muda com o NIS2

A escolha de um gestor de palavras-passe deixou de ser apenas uma questão de conforto pessoal para muitas empresas portuguesas. O regime jurídico que transpõe a diretiva NIS2 para Portugal já abrange milhares de empresas consideradas essenciais ou importantes, obrigando-as a demonstrar controlos mínimos de gestão de credenciais e acesso, sob pena de coimas que podem chegar a milhões de euros, como já detalhámos no artigo sobre o regime de cibersegurança NIS2 em Portugal. Um gestor de palavras-passe com registo de atividade, partilha controlada e relatórios de auditoria ajuda a cumprir essas exigências sem depender de processos manuais.

É aqui que as diferenças entre NordPass, Dashlane e LastPass se tornam mais relevantes para quem gere uma equipa. A NordPass Business oferece relatórios de atividade e políticas de segurança configuráveis a partir de 3,59 dólares por utilizador por mês, um ponto de entrada baixo para pequenas empresas que precisam de cumprir requisitos mínimos sem grande investimento. A Dashlane, com o painel Omnix, vai mais longe em integrações com sistemas de identidade corporativa (SSO e SCIM), pensados para organizações com mais de cem colaboradores e departamentos de TI dedicados. A LastPass, apesar do histórico de 2022, mantém uma base instalada grande em empresas que já têm processos de auditoria internos habituados ao produto, o que explica porque nem todas as organizações afetadas pela violação decidiram trocar de fornecedor.

Para equipas de segurança que avaliam fornecedores no contexto do NIS2, o histórico de incidentes divulgados publicamente pesa tanto quanto o preço. Um fornecedor que já foi obrigado a reportar uma violação a um regulador, como aconteceu à LastPass junto do ICO britânico, tende a ter processos de resposta a incidentes mais testados na prática, mesmo que a reputação inicial sofra. Por outro lado, a ausência de incidentes divulgados na NordPass e na Dashlane não garante imunidade futura, apenas reflete o histórico conhecido até à data de publicação deste artigo.

Qual escolher? Cinco cenários reais de utilização

  • Família com cinco ou seis pessoas e orçamento apertado: a NordPass Family, a partir de 2,79 €/mês para até 6 utilizadores, é a opção mais barata por pessoa entre as três.
  • Grupo de amigos ou família alargada com mais de seis pessoas: a Dashlane Friends & Family cobre até 10 pessoas por 7,49 $/mês, o único plano das três a chegar a esse número.
  • Profissional que gere clientes e precisa de partilha segura frequente: tanto a NordPass como a Dashlane oferecem partilha de credenciais e pastas partilhadas, mas a Dashlane soma a VPN incluída, útil para quem trabalha em redes públicas.
  • Pequena empresa com até 10 colaboradores: a Dashlane Starter, a 20 $/mês fixos para 10 utilizadores, tem o custo mais previsível para equipas pequenas, sem cobrança por lugar adicional.
  • Utilizador que já teve dados expostos em fugas anteriores e quer o histórico mais transparente: a combinação de auditorias SOC 2 públicas com o preço de entrada baixo torna a NordPass a escolha mais defensável para quem começa do zero.

Há ainda um sexto cenário que merece nota à parte: quem já é cliente de longa data da LastPass e nunca teve problemas práticos não precisa necessariamente de mudar. A violação de 2022 já levou a reforços de segurança internos, e trocar de gestor de palavras-passe tem sempre um custo de tempo e risco de erro humano durante a migração.

Um sétimo cenário, cada vez mais comum, é o do utilizador que gere contas pessoais e profissionais no mesmo dispositivo. Nesse caso, a recomendação prática passa por manter os dois contextos em cofres separados, mesmo dentro do mesmo produto, para reduzir o impacto de um eventual incidente numa das duas frentes. As três plataformas comparadas neste artigo permitem criar pastas ou espaços distintos para separar credenciais pessoais das credenciais de trabalho, uma prática recomendada por equipas de segurança corporativa em Portugal desde a entrada em vigor das obrigações do NIS2.

Como migrar de gestor de palavras-passe sem perder nada

A boa notícia é que os três produtos suportam importação e exportação através de ficheiros CSV, o formato universal para transferir credenciais entre gestores de palavras-passe. O processo, embora simples, exige atenção redobrada porque o ficheiro exportado fica temporariamente em texto simples, sem cifragem.

  1. Antes de qualquer coisa, ative a autenticação multifator na conta nova, para que o cofre já nasça protegido.
  2. No gestor antigo, procure a opção “Exportar” nas definições de conta ou de segurança e gere um ficheiro CSV.
  3. Guarde esse ficheiro temporariamente num local seguro, de preferência num disco cifrado ou numa pasta que será apagada logo a seguir.
  4. No gestor novo, escolha “Importar” e selecione o ficheiro CSV gerado no passo anterior.
  5. Reveja a lista importada à procura de entradas duplicadas ou desatualizadas antes de confirmar.
  6. Depois da importação, apague imediatamente o ficheiro CSV do computador e do caixote de reciclagem.
  7. Instale as extensões do novo gestor em todos os navegadores e desative as do antigo, para evitar conflitos no preenchimento automático.
  8. Por fim, cancele a subscrição do serviço anterior só depois de confirmar que todas as credenciais essenciais, como email, banco e redes sociais, funcionam corretamente na conta nova.

Um exemplo de como fica uma linha típica de um ficheiro de exportação, usado pela maioria dos gestores de palavras-passe compatíveis:

url,username,password,note
https://exemplo.pt,[email protected],PalavraPasseForte123!,Conta pessoal

Quem usa autenticação por hardware, como uma YubiKey, deve confirmar antes da migração se o novo gestor suporta o mesmo método de segunda fábrica, para não ficar bloqueado fora da conta a meio do processo.

Prós e contras de cada gestor de palavras-passe

NordPass

  • Preço de entrada mais baixo das três, a partir de 1,49 €/mês no plano bienal.
  • Cifra XChaCha20-Poly1305 mais recente, com auditorias SOC 2 públicas.
  • Plano familiar mais barato por pessoa, apesar de limitado a 6 contas.
  • Sem VPN incluída, ao contrário da Dashlane.
  • Ecossistema mais pequeno de integrações empresariais comparado com a LastPass.

Dashlane

  • Plano familiar mais generoso, com até 10 utilizadores.
  • VPN incluída no plano Premium individual.
  • Painel empresarial Omnix robusto para organizações maiores.
  • Sem plano gratuito desde setembro de 2025, o que aumenta a barreira de entrada.
  • Preço individual mais alto das três, a 4,99 $/mês na tarifa de lista.

LastPass

  • Preço competitivo nos planos Premium e Families.
  • Reforço de segurança visível desde 2022, incluindo mais iterações de cifragem.
  • Suporte empresarial maduro, com décadas de experiência no mercado corporativo.
  • Histórico de violação de dados de 2022 ainda gera manchetes e ações legais em 2025 e 2026.
  • Plano gratuito limitado a um único tipo de dispositivo, o que incomoda quem usa computador e telemóvel ao mesmo tempo.

NordPass vs Dashlane vs LastPass: o veredito final com números

Juntando preço, tecnologia e histórico, a NordPass sai como a escolha mais equilibrada para a maioria das pessoas em 2026. O preço de 1,49 €/mês no plano bienal é o mais baixo das três, a cifra XChaCha20-Poly1305 está entre as mais modernas do mercado, e a empresa nunca sofreu uma violação de dados divulgada publicamente. Para famílias e utilizadores individuais que querem o melhor custo-benefício sem abrir mão de auditorias de segurança verificáveis, é a opção com menos pontos fracos.

A Dashlane continua a fazer sentido para quem valoriza a VPN incluída e precisa de cobrir um grupo grande, até 10 pessoas no mesmo plano familiar. O preço mais alto, sem plano gratuito, é o principal argumento contra. Para equipas maiores, o painel Omnix e as integrações de SSO tornam a Dashlane competitiva mesmo sem ser a opção mais barata, sobretudo em organizações que já usam outras ferramentas de identidade corporativa e valorizam a compatibilidade acima do preço por lugar.

A LastPass, apesar do histórico de 2022, continua tecnicamente competente e recebeu a mesma pontuação da Dashlane, 4,0 em 5, na análise da PCMag em 2026. Quem já é cliente e nunca foi afetado por incidentes de segurança não tem urgência em mudar. Mas para quem está a escolher pela primeira vez em 2026, a combinação de preço mais baixo, cifra mais recente e ausência de violações divulgadas coloca a NordPass à frente das outras duas nesta comparação.

Erros comuns ao escolher e usar um gestor de palavras-passe

Trocar de gestor de palavras-passe resolve parte do problema, mas alguns hábitos continuam a anular a proteção que qualquer um dos três produtos oferece. O primeiro erro é escolher uma palavra-passe mestra fraca ou reutilizada de outro serviço. Como mostrou o caso da LastPass, toda a cifragem do mundo não protege um cofre se a chave que o abre for previsível ou já tiver sido exposta noutra fuga de dados.

O segundo erro é ignorar a autenticação multifator na própria conta do gestor de palavras-passe. Um cofre sem uma segunda camada de verificação transforma-se num único ponto de falha: quem descobrir a palavra-passe mestra ganha acesso a todas as outras credenciais guardadas. O terceiro erro é adiar indefinidamente a limpeza de entradas antigas e duplicadas, um problema que se acumula ao longo dos anos e dificulta perceber quais das centenas de palavras-passe guardadas ainda estão realmente em uso.

Por fim, muitos utilizadores tratam o gestor de palavras-passe como um cofre eterno e nunca revisitam as palavras-passe mais antigas, mesmo quando a ferramenta assinala explicitamente que estão fracas ou reutilizadas. As três plataformas comparadas neste artigo incluem um verificador de saúde das palavras-passe (password health) que aponta exatamente esses casos. Ignorar esse aviso durante meses anula uma das principais vantagens de pagar por um serviço deste tipo em vez de usar apenas o gestor gratuito do navegador.

Perguntas frequentes

Qual destes três gestores de palavras-passe é mais barato?
A NordPass é a mais barata no plano individual, a partir de 1,49 €/mês no compromisso de dois anos. A LastPass fica em segundo lugar, com o plano Premium a 3 $/mês faturado anualmente.

A LastPass ainda é segura em 2026, depois da violação de 2022?
A empresa reforçou a cifragem e os parâmetros de derivação de chave depois do incidente, mas o histórico de furtos de criptomoeda ligados aos cofres roubados continuou a aparecer em investigações até 2024, e a ICO britânica ainda aplicou uma penalização em novembro de 2025 relacionada com falhas ocorridas entre 2021 e 2024.

Vale a pena pagar por um gestor de palavras-passe se já uso o do navegador?
Os gestores integrados nos navegadores cobrem o básico, mas normalmente não incluem monitorização de fugas de dados, partilha segura entre dispositivos diferentes ou suporte técnico dedicado, funcionalidades presentes nos três produtos comparados aqui.

É possível usar NordPass, Dashlane ou LastPass junto com uma chave de segurança física?
Sim, as três permitem configurar autenticação multifator adicional, incluindo chaves físicas compatíveis com FIDO2, embora o suporte completo a hardware varie por plano.

O plano gratuito da NordPass tem alguma limitação séria?
O plano gratuito da NordPass permite palavras-passe ilimitadas, mas restringe o uso a um único dispositivo ativo de cada vez, o que obriga a trocar manualmente entre computador e telemóvel.

Porque é que a Dashlane deixou de ter plano gratuito?
A empresa anunciou o fim do plano gratuito a partir de 16 de setembro de 2025, mantendo apenas os planos Premium e Friends & Family para clientes individuais, uma mudança de estratégia comercial sem explicação técnica associada.

Consigo verificar se as minhas palavras-passe já apareceram nalguma fuga de dados?
Sim. Além das ferramentas de monitorização incluídas em cada um dos três gestores, serviços independentes como o Have I Been Pwned permitem verificar gratuitamente se um endereço de email específico consta de alguma fuga de dados conhecida.

Qual é a diferença prática entre autenticação multifator e um gestor de palavras-passe?
São camadas complementares, não substitutas. O gestor protege e gera as credenciais, enquanto a autenticação multifator, como recomenda o NCSC do Reino Unido, adiciona uma segunda verificação que impede o acesso mesmo que a palavra-passe seja descoberta.