A Nintendo confirmou, na noite de 8 de setembro de 2026, que The Legend of Zelda: Ocarina of Time vai ganhar um remake completo para a Switch 2, com lançamento marcado para 5 de novembro. O anúncio saiu durante o Direct dedicado ao 40.º aniversário da série Zelda e chegou horas antes de um segundo Direct, no dia 9, focado na restante lista de jogos da consola para o inverno. A reação nos mercados não foi famosa: as ações da Nintendo (7974.T) caíram quase 4% na sessão seguinte, alimentando um debate antigo sobre até que ponto a editora consegue vender a sua nova consola apenas com remasterizações e remakes de clássicos.
O anúncio: Ocarina of Time confirmado para 5 de novembro na Switch 2
O remake foi revelado com um trailer de jogabilidade durante o Legend of Zelda 40th Anniversary Direct, uma transmissão de cerca de 30 minutos dedicada quase por inteiro ao projeto. A Nintendo confirmou a data de lançamento, 5 de novembro de 2026, exclusiva para Nintendo Switch 2, sem versões anunciadas para a Switch original. Trata-se do primeiro remake “a sério” do jogo de 1998, construído com gráficos novos e não apenas com uma reedição do código original, como aconteceu com a versão de 3DS em 2011.
O momento do anúncio não é acidental. A Switch 2 completa em novembro pouco mais de um ano e meio no mercado e a Nintendo precisa de um título forte para segurar as vendas de hardware durante a época de Natal, tradicionalmente a mais importante do ano para consolas. Ocarina of Time é, para muitos jogadores que cresceram com a Nintendo 64, o jogo que definiu o género de aventura em 3D, e o remake surge como aposta segura numa altura em que a produção de jogos totalmente novos para a nova consola ainda é escassa.
Preço e edições disponíveis para pré-encomenda
A edição digital do remake já está disponível para pré-encomenda na eShop por 59,99 dólares nos Estados Unidos, com a versão física a custar 69,99 dólares. Os preços em euros para o mercado português ainda não foram confirmados oficialmente pela Nintendo, mas a diferença histórica entre dólar e euro nos lançamentos da consola aponta para valores próximos de 59,99€ e 69,99€, em linha com outros títulos de peso do catálogo da Switch 2.
O lançamento chega numa altura sensível para o bolso dos jogadores portugueses. A própria consola subiu de preço a 1 de setembro de 2026, passando de 469,99€ para 499,99€ na Europa, um aumento de 30 euros justificado pela Nintendo com o custo de componentes, incluindo memória. Quem ainda não tem a consola vai pagar mais por ela e, poucas semanas depois, mais um jogo de referência a preço cheio.
Um clássico de 1998: a história por detrás de Ocarina of Time
Ocarina of Time chegou à Nintendo 64 em 1998 e vendeu cerca de 7,6 milhões de cópias em todo o mundo, segundo dados consolidados a partir de registos da própria Nintendo. Na época, foi o primeiro jogo da série a levar Link para um mundo tridimensional e ficou conhecido pelo sistema de mira Z-targeting, que se tornou referência para praticamente todos os jogos de ação em terceira pessoa que vieram depois.
O jogo já teve uma vida longa em remasterizações. Em 2011, a Nintendo lançou Ocarina of Time 3D para a Nintendo 3DS, com gráficos atualizados e suporte a 3D estereoscópico, mas mantendo a estrutura original do jogo quase intacta. Essa versão vendeu 2,61 milhões de cópias nos primeiros meses e acabou por ultrapassar as 6,44 milhões de unidades ao longo do seu ciclo de vida, tornando-se um dos títulos mais vendidos da 3DS. O remake de 2026 é diferente: a Nintendo promete motor gráfico novo, animações refeitas e ambientes reconstruídos de raiz, não uma simples atualização visual.
O Direct de 8 e 9 de setembro: tudo o que mais foi revelado
O anúncio de Zelda não veio sozinho. No dia seguinte, 9 de setembro, a Nintendo transmitiu um segundo Direct de cerca de 45 minutos, dedicado aos lançamentos de Switch 2 para o inverno. Entre os destaques está Metroid Ravenous, um novo capítulo da saga de ficção científica da Nintendo, além de uma nova edição de Switch Sports Resort e do primeiro jogo verdadeiramente open-world da série Kirby. A Capcom confirmou ainda que Monster Hunter Wilds chega à Switch 2 a 4 de dezembro de 2026, com a expansão Ascendance a ficar para 2027.
Depois dos dois Directs seguiu-se o Nintendo Treehouse: Live, uma transmissão de cerca de 110 minutos com jogabilidade estendida de vários dos títulos mostrados. Na prática, a Nintendo concentrou em 48 horas quase toda a comunicação de produto para o resto do ano, uma estratégia que junta anúncios de peso, como Zelda, a reforço de catálogo, como Metroid, Kirby e Monster Hunter Wilds, numa só semana.
Ações da Nintendo caem quase 4% após o anúncio
A reação da bolsa de Tóquio surpreendeu quem esperava um efeito Zelda. As ações da Nintendo (7974.T) desceram de 8.821 ienes a 2 de setembro para 8.401 ienes a 9 de setembro, uma queda de 4,8% ao longo da semana, com uma quebra diária de 3,99% precisamente na sessão de 9 de setembro. O comportamento não é inédito este ano. Em junho de 2026, um Direct anterior que também apostava fortemente em remakes, incluindo o próprio Ocarina of Time, já tinha feito as ações da editora caírem 7,5% numa única sessão, depois de analistas notarem a ausência de títulos originais de grandes franquias como Mario.
O padrão repete-se: sempre que a Nintendo mostra mais remakes do que jogos inéditos, o mercado interpreta isso como sinal de que a produção de conteúdo novo para a Switch 2 ainda não acompanha o ritmo de vendas de hardware.
Porque é que os investidores reagem mal a mais um remake
A lógica por detrás da desconfiança dos investidores é relativamente simples. Um remake vende bem no curto prazo junto de fãs nostálgicos, mas raramente atrai novos compradores de consola da mesma forma que um jogo original de peso, como um novo Mario Kart ou Zelda inédito. Sem esses títulos capazes de vender consolas sozinhos, a Nintendo corre o risco de ver a curva de vendas da Switch 2 abrandar mais depressa do que a da Switch original, que se apoiou fortemente em jogos novos logo no lançamento.
Há ainda a questão da estratégia de preços. Com a consola mais cara desde setembro e agora um jogo de referência a preço cheio de lançamento, a Nintendo está a apostar que a marca Zelda, por si só, justifica o investimento junto do consumidor. É uma aposta que já resultou noutras franquias do setor, mas que nem sempre convence quem analisa números trimestrais em vez de nostalgia.
Quanto rendem os remakes? A comparação com Resident Evil e Silent Hill
Para perceber se a aposta da Nintendo faz sentido, vale a pena olhar para o desempenho de outros grandes remakes lançados nos últimos anos. A Capcom tem sido a editora mais bem-sucedida nesta frente: o remake de Resident Evil 4 ultrapassou os 10 milhões de unidades vendidas cerca de dois anos depois do lançamento, segundo dados oficiais da própria Capcom, e uma análise da consultora Alinea Analytics estima que o título já gerou cerca de 560 milhões de dólares em receita bruta, tornando-se o remake mais vendido da atual geração de consolas.
Já a Konami reportou que Metal Gear Solid Delta: Snake Eater chegou aos 2 milhões de unidades vendidas globalmente em PS5, Xbox Series X|S e PC, um resultado considerado morno face às expectativas. O remake de Silent Hill 2, feito pela polaca Bloober Team, teve um arranque mais forte, com dois milhões de unidades vendidas nos primeiros três meses, e acabou por ultrapassar os 2,5 milhões de cópias ao fim de um ano, segundo a Konami e a própria Bloober Team.
| Remake | Editora | Unidades vendidas | Período até ao marco |
|---|---|---|---|
| Resident Evil 4 (2023) | Capcom | 10+ milhões | ~2 anos |
| Resident Evil 2 (2019) | Capcom | 16,8 milhões | Vida útil acumulada |
| Resident Evil 3 (2020) | Capcom | 10,9 milhões | Vida útil acumulada |
| Silent Hill 2 (2024) | Konami / Bloober Team | 2,5 milhões | ~1 ano |
| Metal Gear Solid Delta: Snake Eater (2025) | Konami | 2 milhões | ~6 meses |
| Ocarina of Time 3D (2011, remasterização) | Nintendo | 6,44 milhões | Vida útil acumulada |
O padrão que se destaca é claro: remakes de franquias de terror e ação como Resident Evil e Silent Hill costumam ultrapassar largamente as sequelas diretas das mesmas séries em vendas, porque atraem tanto fãs antigos como jogadores novos curiosos com os gráficos atuais. Se Ocarina of Time seguir esse padrão, beneficiando de uma base instalada de consola maior do que a de qualquer um destes títulos no lançamento, a fasquia dos 2 a 3 milhões de cópias nos primeiros meses parece alcançável.
A trajetória de vendas da Switch 2 em 2026
O remake chega numa altura em que a Switch 2 continua a crescer, ainda que a um ritmo mais lento do que no primeiro ano de vida. A consola somava 17,37 milhões de unidades vendidas em fevereiro de 2026, passou para 19,86 milhões no fecho do ano fiscal a 31 de março e chegou aos 23,68 milhões de unidades a 30 de junho de 2026, segundo os resultados financeiros trimestrais da própria Nintendo. Esse número já ultrapassa as vendas totais da GameCube ao longo de toda a sua vida útil, fixadas em 21,74 milhões de unidades.
Nos Estados Unidos, a Switch 2 tornou-se a segunda consola de vídeo jogos mais rápida a vender no mercado norte-americano, com uma base instalada de 5,9 milhões de unidades ao fim do primeiro ano, de acordo com dados da consultora Circana citados pela TechRadar.
| Data | Unidades Switch 2 vendidas (mundo) | Fonte |
|---|---|---|
| 31 de dezembro de 2025 | 17,37 milhões | Resultados financeiros Nintendo |
| 31 de março de 2026 (fim do ano fiscal) | 19,86 milhões | Resultados financeiros Nintendo |
| 30 de junho de 2026 | 23,68 milhões | Resultados financeiros Nintendo (Q1 FY27) |
| 30 de junho de 2026 (apenas EUA) | 5,9 milhões | Circana, via TechRadar |
O preço da Switch 2 sobe para 499,99€ na Europa
A subida de preço da consola, já em vigor desde 1 de setembro de 2026, foi confirmada pela própria Nintendo para os mercados europeus, incluindo Portugal, com o preço a passar de 469,99€ para 499,99€. O aumento acompanha subidas semelhantes de Sony e Microsoft para a PS5 e a Xbox Series X ao longo de 2026, todas justificadas pelo mesmo argumento: custos crescentes de componentes, em particular memória.
Para quem ainda não comprou a consola, o cálculo ficou mais apertado. Juntar a Switch 2 a 499,99€ ao remake de Ocarina of Time a cerca de 60€ representa hoje um investimento de arranque superior a 550€, sem contar com um segundo comando ou cartão de memória adicional, itens praticamente obrigatórios para tirar partido da consola em pleno.
Nintendo vs Sony vs Xbox: a corrida pelo Natal de 2026
O calendário de anúncios de setembro não é coincidência. A Sony realizou o seu próprio State of Play na mesma semana, com destaque para Marvel’s Wolverine, exclusivo de PS5 da Insomniac Games com data marcada para 15 de setembro de 2026, e para o survival horror Silent Hill Townfall. É a mesma lógica da Nintendo: concentrar os grandes anúncios do ano na reta final do verão, mesmo antes da época alta de compras de fim de ano.
A diferença está na natureza dos títulos. Enquanto a Sony aposta sobretudo em jogos inéditos com produção própria, a Nintendo entra neste Natal com um equilíbrio entre originais, como Metroid Ravenous e o Kirby open-world, e remakes de peso, como Ocarina of Time. Nenhuma das três grandes fabricantes de consolas confirmou até agora um jogo absolutamente inédito e exclusivo capaz de vender consolas sozinho para o período de Natal de 2026, o que torna esta época particularmente disputada entre remakes, sequelas e portes multiplataforma.
Contexto histórico: porque nunca houve um remake a sério de Ocarina of Time
Ao longo de quase três décadas, a Nintendo evitou tocar na estrutura original de Ocarina of Time. A versão de 3DS em 2011 atualizou gráficos e controlos, mas manteve praticamente intactos os níveis, os diálogos e o ritmo do jogo original de 1998. Essa cautela contrasta com o que a concorrência tem feito com os seus próprios clássicos: a Capcom reconstruiu Resident Evil 2 e 3 praticamente do zero, com câmaras, combate e até secções inteiras redesenhadas, e colheu os resultados comerciais mais fortes da própria série.
O remake de Ocarina of Time para Switch 2 marca por isso uma mudança de postura da Nintendo em relação ao seu próprio património. Pela primeira vez, a editora parece disposta a reconstruir um dos jogos mais importantes da sua história com o mesmo grau de ambição técnica que rivais como a Capcom já aplicam há anos aos seus próprios clássicos.
O que está em jogo para Portugal e o mercado europeu
Para o mercado português, o lançamento chega numa altura de forte concorrência entre plataformas portáteis e híbridas. A Switch 2 compete diretamente com o Steam Deck OLED pela atenção e pela carteira de quem procura uma consola híbrida, e um exclusivo do peso de Zelda pode pesar na decisão de compra de quem ainda hesita entre as duas plataformas. Ao mesmo tempo, o aumento de preço da consola e o custo elevado do próprio jogo tornam o pacote menos apelativo para famílias com orçamento mais apertado, um fator que pode travar parte do crescimento que a Nintendo procura na Europa continental.
A Nintendo também já tinha reforçado a ligação da Switch 2 a conteúdo de assinatura este ano, com a chegada de jogos clássicos ao catálogo do Nintendo Switch Online, uma forma de manter os utilizadores ligados à plataforma sem depender apenas de lançamentos a preço cheio como o remake de Zelda. Para o consumidor português, comparar o custo total de posse com alternativas como a PS5 e a Xbox Series X, ambas também mais caras este ano, torna-se um exercício cada vez mais relevante antes de decidir onde investir.
Previsões: o que esperar até 5 de novembro
Com base nos números disponíveis até agora, há um conjunto de cenários razoavelmente prováveis para as próximas semanas. Primeiro, é expectável que a Nintendo confirme preços em euros para o remake nas próximas semanas, provavelmente próximos dos 59,99€ e 69,99€, seguindo o padrão de outros lançamentos recentes da consola.
Segundo, as ações da Nintendo tendem a recuperar parte da queda nas semanas que antecedem o lançamento, à medida que analistas atualizarem as suas estimativas de vendas com base em pré-encomendas, um padrão já visto noutros lançamentos de peso da editora. Terceiro, é provável que o remake ultrapasse a fasquia de 2 milhões de unidades nos primeiros três meses, um patamar alcançado por remakes de menor escala como Silent Hill 2, tendo em conta a base instalada muito maior da Switch 2 face à de outras plataformas onde esses jogos foram lançados.
Quarto, o aumento de preço da consola, combinado com o custo do jogo, deve travar ligeiramente o ritmo de vendas de hardware na Europa durante o último trimestre de 2026, mesmo que o efeito Zelda ajude a compensar parte dessa travagem nos mercados onde a marca tem mais força histórica, como o Japão e o Reino Unido. Por fim, é razoável esperar que a Nintendo continue a apoiar-se em remakes e remasterizações ao longo de 2027, pelo menos até que novos projetos originais de grande escala, atualmente em desenvolvimento, estejam prontos para lançamento.
Perguntas frequentes
Quando é lançado o remake de Ocarina of Time na Switch 2?
O lançamento está marcado para 5 de novembro de 2026, exclusivamente para Nintendo Switch 2. A data foi confirmada pela Nintendo durante o Legend of Zelda 40th Anniversary Direct, a 8 de setembro de 2026.
Quanto custa o remake de Ocarina of Time?
Nos Estados Unidos, a edição digital custa 59,99 dólares e a versão física 69,99 dólares. Os preços em euros para Portugal ainda não foram anunciados oficialmente pela Nintendo.
O remake vai sair também para a Switch original?
Não. Todas as confirmações da Nintendo até agora apontam para uma exclusividade da Switch 2, sem versão anunciada para a consola anterior.
Este é o primeiro remake de Ocarina of Time?
É o primeiro remake construído com um motor gráfico novo e ambientes reconstruídos de raiz. A versão anterior, Ocarina of Time 3D, lançada em 2011 para a Nintendo 3DS, foi uma remasterização que manteve a estrutura original do jogo praticamente intacta.
Porque é que as ações da Nintendo caíram depois do anúncio?
As ações da Nintendo (7974.T) caíram 3,99% na sessão de 9 de setembro de 2026, refletindo a preocupação dos investidores com uma lista de lançamentos com peso significativo de remakes face a jogos totalmente originais, um padrão que já tinha provocado uma queda de 7,5% num Direct anterior, em junho de 2026.
Quantas unidades da Switch 2 já foram vendidas?
A Nintendo reportou 23,68 milhões de unidades vendidas em todo o mundo até 30 de junho de 2026, segundo os seus resultados financeiros mais recentes, um número que já ultrapassa as vendas totais da GameCube ao longo de toda a sua vida útil.
Que outros jogos foram anunciados no mesmo período?
Entre os destaques do Direct de 9 de setembro estão Metroid Ravenous, uma nova edição de Switch Sports Resort, o primeiro jogo open-world da série Kirby e a confirmação de Monster Hunter Wilds para a Switch 2 a 4 de dezembro de 2026.
Como se compara este remake com outros lançados recentemente?
Remakes recentes como Resident Evil 4, da Capcom, já ultrapassaram os 10 milhões de unidades vendidas, enquanto Silent Hill 2, da Konami e Bloober Team, chegou aos 2,5 milhões de cópias. Com uma base instalada de Switch 2 superior a 23 milhões de consolas, Ocarina of Time parte com uma vantagem de escala que nenhum destes títulos teve no lançamento.




